José Alberto Pitacas
José Alberto Pitacas 26 de julho de 2017 às 20:58

O lugar da economia social 

A economia social é uma força económica e social que abre caminho a um outro modo de produzir e consumir, respeitador das pessoas e do ambiente.

A economia social constitui um espaço socioeconómico heterogéneo, formado por um conjunto de atividades económico-sociais, livremente levadas a cabo por diversas entidades com realidades orgânicas diferentes, na forma, dimensão, objeto e lógica de funcionamento.

 

Nesta arca institucional, existem cooperativas, mutualidades, misericórdias, associações, fundações e entidades autogestionárias e comunitárias, que têm como denominador comum serem organizações de pessoas que prosseguem o interesse geral ou os interesses, socialmente relevantes, dos seus membros ou beneficiários, de forma sustentável, e sem a finalidade de remunerar investidores capitalistas, que, em princípio, não têm.

 

A sua especificidade não está no objeto da atividade, pois a economia social está presente em quase todas as atividades económicas, da agricultura aos serviços, mas nos fins, nos processos, no modo de organização, de governo e de funcionamento e nos valores e princípios que orientam as suas atividades, onde se conjugam a cooperação, a reciprocidade e a solidariedade.

 

A economia social tem importância e peso na sociedade portuguesa. De acordo com a Conta Satélite da Economia Social 2013, existiam 61 mil entidades da economia social, que empregavam 216 mil pessoas (6% do emprego remunerado total) e representavam cerca de 3% do VAB nacional. Contudo a sua importância vai além destes dados, destacando-se o número de membros/associados (mais de 3,5 milhões) e de beneficiários da atuação deste universo de entidades, e os impactos da sua atuação, designadamente, ao nível da redução da pobreza e das desigualdades sociais, da melhoria da qualidade de vida das populações e do desenvolvimento local.

 

Na sua pluralidade e diversidade, a economia social é um lugar de encontro onde se entrelaçam o económico com o social, o empreendedorismo com a cidadania, o coletivo com o individual, a tradição com a modernidade, o passado com o futuro.

 

A economia social é uma força económica e social que abre caminho a um outro modo de produzir e consumir, respeitador das pessoas e do ambiente.

 

A economia social prova que é possível aliar rendibilidade com solidariedade, criar empregos estáveis e dignos, reforçar a coesão social, económica e regional, gerar capital humano e social, promover a cidadania ativa, promover a sustentabilidade e a inovação social, ambiental e tecnológica.

 

A economia social é importante em si mesma, mas também pelos efeitos benéficos que gera. Por tudo isto, a economia social pode e deve ter um lugar mais destacado.

 

O lugar da economia social depende dos seus próprios intervenientes, mas também, em larga medida, da visão e atitude do poder político e, consequentemente, das políticas públicas que lhe são dirigidas. Assim, necessita de um ambiente favorável ao seu desenvolvimento, ao reforço da sua capacitação técnica e financeira e à promoção dos seus valores e das suas práticas. Daí o apelo repetido pelos seus atores, para a criação de condições jurídicas, económicas e políticas que impeçam a sua descaracterização, banalização ou instrumentalização e permitam o seu desenvolvimento integral, no respeito pela sua identidade.

 

IX Colóquio Ibérico de Economia Social

 

Estão abertas as inscrições para o IX Colóquio Ibérico Internacional de Cooperativismo e Economia Social do CIRIEC, que terá lugar em 5 e 6 de outubro na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade de Santiago de Compostela, sob o lema de "Economia Social e globalização: novos desafios, novas oportunidades".

 

O colóquio é organizado pelos CIRIEC de Espanha e Portugal e pelo Centro de Estudos Cooperativos da Universidade de Santiago de Compostela, e tem a colaboração da Junta da Galiza. O programa do IX Colóquio prevê a realização de sete sessões plenárias e 10 sessões paralelas, em que se apresentarão 30 comunicações.

 

A economia social na União Europeia

 

Na União Europeia, existem cerca de 2,8 milhões de entidades da economia social, com mais 232 milhões de membros. Proporcionam mais de 13,6 milhões empregos remunerados, o que representa 6,3% da população empregada total e envolvem cerca de 83 milhões de voluntários.

 

Estes números referem-se a 2014-2015 e foram antecipados por José Luís Monzón, do CIRIEC Espanha, durante a Universidade de Verão Montepio-UAL a decorrer esta semana, em Lisboa. Esta informação consta do relatório a publicar, no final de setembro, sobre a evolução recente da Economia Social na União Europeia, elaborado em nome do CIRIEC Internacional para  Comité Económico e Social Europeu e em que o CIRIEC Portugal teve uma participação ativa.

 

Diretor do Gabinete de Estudos Sociais e Mutualistas

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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