Francisco Pinto Balsemão
Francisco Pinto Balsemão 23 de novembro de 2017 às 09:35

Pela responsabilização na era da pós-verdade

Cada vez mais pessoas, em Portugal e no mundo inteiro, se consideram informadas apenas pelo que recebem via redes sociais. Entre gostos e partilhas, propagam informação, sem muitas vezes perceber que aquilo que tomam como verdade é, na realidade, mentira.
Nesta era de pós-verdade, quando, segundo o Oxford Dictionary, as "circunstâncias em que os factos objetivos têm menos influência, na formação da opinião pública, do que os apelos emocionais e as opiniões pessoais", o nosso país precisa de estar muito mais consciente dos perigos nefastos da proliferação de informação falsa.

As redes sociais permitem até a influência de grupos organizados que são verdadeiras associações secretas, sem estatutos, sem corpos gerentes conhecidos e responsabilizáveis. Estes grupos podem ter uma existência mais ou menos permanente ou podem criar-se apenas para determinados efeitos e desaparecer logo que esses seus objetivos são alcançados.

Esta impunidade permite a prática de crimes, de ofensas, de ataques - a pessoas, empresas e instituições sem fins lucrativos -, cuja falsidade é muitas vezes difícil de corrigir ou contra-atacar em tempo útil para os lesados, sobretudo quando estes se recusam, por motivos éticos, a recorrer a métodos semelhantes.

O anonimato, que demasiadas vezes protege os autores das calúnias digitais, não pode ser a desculpa para a dificuldade de encontrar uma punição efetiva para estes crimes.

É sintomático, aliás, que, recentemente, no Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, o secretário-geral da ONU, António Guterres, tenha referido expressamente "o direito à verdade", salientando que a liberdade de imprensa é crucial e predominante.

Neste contexto, os meios de comunicação têm um papel acrescido. Nunca a sua importância de separar o trigo do joio foi tão relevante. Mas precisamos de mais.

Para salvaguarda da democracia, necessitamos de atuar mais rapidamente e ter uma estrutura mais ágil para punir crimes desta natureza nas novas plataformas digitais, aplicando também e reforçando, a nível nacional e europeu, a legislação sobre a propriedade intelectual. E desenganem-se aqueles que pensam que este é um debate menor. Este é um debate urgente e necessário, já que a ditadura do algoritmo e a análise da informação através da inteligência artificial podem ter consequências graves para a sociedade. A era da pós-verdade é uma ameaça para a nossa vida em liberdade. Cabe-nos a nós garantir que isso não aconteça.


Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico


No âmbito do 20.º aniversário do Negócios, pedimos um artigo a várias personalidades sobre ideias para o futuro de Portugal. 


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mais votado surpreso Há 3 semanas

Pelo seu Epresso e a sua SIC é que não se sentem informados,mas manipulados.Aliás em autêntica manada,por isso as aldrabices dão lucro.Enquanto o seu companheiro Passos Coelho assumia o risco politico ,para salvar Portugal,você mandou seduzir os portugueses "oprimidos".Ganhou "share" ,mas para os mas lúcidos perdeu credibilidade.A Impresa é mais Nicolau Santos, do que Henrique Raposo

comentários mais recentes
"Propagam Informação(...)" muitas vezes falsa, con Há 3 semanas

A Humanidade está sujeita hoje ao que nunca teve em milhares de anos de história: bombardeamento contínuo de informação, com tempo e memória naturalmente limitados para a processar. Ainda limitado pelos afazeres de cada um, que não têm Jornalista como profissão. Ministério Educação tem criar alertas

surpreso Há 3 semanas

Pelo seu Epresso e a sua SIC é que não se sentem informados,mas manipulados.Aliás em autêntica manada,por isso as aldrabices dão lucro.Enquanto o seu companheiro Passos Coelho assumia o risco politico ,para salvar Portugal,você mandou seduzir os portugueses "oprimidos".Ganhou "share" ,mas para os mas lúcidos perdeu credibilidade.A Impresa é mais Nicolau Santos, do que Henrique Raposo

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