Vasco de Melo
Vasco de Melo 23 de novembro de 2017 às 09:30

Promover o mérito, atrair talento

Estamos habituados a ver Portugal atravessar ciclos económicos positivos e depois negativos, nos quais, umas vezes tiramos partido da conjuntura, para viver melhor, e outras vezes somos forçados a fazer grandes sacrifícios.
Nesta crise recente, passámos todos, por momentos difíceis, fizemos escolhas e mudámos os nossos hábitos de vida, mas, também, nos focámos mais nas nossas atividades e no nosso trabalho, e procurámos novas formas de gerar riqueza.

Nesse período de enorme dificuldade, os empreendedores tiveram um papel decisivo na recuperação económica de Portugal, assumindo as suas responsabilidades, enquanto criadores de empresas, promotores de emprego, agentes de inovação e de exportações.

Hoje, os aumentos do consumo privado, do investimento e das exportações e a redução da taxa de desemprego são interpretados como indicadores de crescimento económico e são motivo de otimismo na opinião pública.

Sou otimista por natureza, mas, penso que devíamos tirar melhor partido da atual conjuntura, com maior foco na construção de um modelo de crescimento saudável e sustentável da economia.

Não podemos ignorar que o atual momento positivo é, ainda, essencialmente conjuntural, e fruto de um contexto de taxas de juro invulgarmente baixas. A economia ganhou uma "folga", mas, esta "folga" não deve ser usada, sobretudo, para responder a objetivos de curto prazo, mas sim para permitir maior flexibilidade na nossa economia e reduzir o peso da dívida.

Para melhorar o seu futuro, Portugal deve criar um enquadramento mais amigo do investimento, que incentive a excelência, valorize a tomada de risco, promova o mérito e atraia talento, tanto nacional como internacional. Só desta forma podemos ambicionar não regressar a indesejáveis contraciclos.


Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico


No âmbito do 20º aniversário do Negócios, pedimos um artigo a várias personalidades sobre ideias para o futuro de Portugal.  


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