Rui Horta
Rui Horta 23 de novembro de 2017 às 13:50

Reduzir o comentário político (e futebolístico) nas televisões

Eleanor Roosevelt costumava dizer que pessoas medíocres discutem a vida dos outros, pessoas medianas discutem o que aconteceu e pessoas superiores discutem conceitos. 

A minha proposta é a de reduzir drasticamente os tempos de comentário político (e futebolístico) nas nossas televisões e aumentar o tempo de debate sobre aquilo que verdadeiramente interessa: discutir o país, procurando modelos de futuro, em articulação com as oportunidades e recursos que temos. É o que cada família, à sua pequena escala, faz: preocupa-se com o futuro dos seus, e com as estratégias para lá chegar. Muitas pessoas a falar daquilo que verdadeiramente interessa, durante muito tempo e repetidas vezes, só pode dar bom resultado. É o conceito dos "campus" universitários ou, para não ir mais longe, de uma associação profissional como a do calçado, por de trás do sucesso do sector.

 

É importantíssimo debater, mas ultrapassando a habitual navegação à vista. São essenciais novas opiniões vindas de ângulos diferentes, com pensamentos arrojados e, mais importante ainda, mobilizar a sociedade civil para este debate, não o deixando exclusivamente aos comentadores e aos partidos.

Vivi na Alemanha durante 10 anos, nos anos 90, e assisti a um país profundamente envolvido na discussão dos grandes temas da nação, nomeadamente as reformas laborais, da segurança social e do ensino. Olhamos hoje para Alemanha e vemos que valeu a pena, resultando em décadas de prosperidade e deixando-a preparada para o futuro. Esse debate, que tomou conta da sociedade civil, foi diariamente promovido pelos media.

O debate não pode continuar a ser centrado no comentário, nem mesmo sobre os problemas e a resolução dos mesmos. Enquanto assim for, estamos sempre a olhar para trás: o debate tem de ser centrado nas oportunidades que temos e que nem sabemos que temos. Primeiro, temos de ser capazes de sonhar e imaginar aquilo que podemos fazer com o nosso potencial e aí, como é lógico, surgem os problemas e a sua solução. Mas a dinâmica deve ser sempre a de olhar para o futuro e pensar no modelo de país que queremos, para sermos mais felizes.



No âmbito do 20º aniversário do Negócios, pedimos um artigo a várias personalidades sobre ideias para o futuro de Portugal.  
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