André  Veríssimo
André Veríssimo 06 de abril de 2017 às 09:32

A ciência de ser bom a Ciências

Estamos num tempo em que a produção de conhecimento é um factor cada vez mais crucial na competitividade dos países.
A notícia de que o número de publicações de investigadores portugueses triplicou numa década, colocando Portugal no 11.º lugar na produção científica por milhão de habitantes, foi recebida com júbilo. Mas estaremos mesmo a ir no bom caminho?

"É mais um indicador dos resultados da actividade de investigação que revela que o sistema científico continua com uma dinâmica positiva e que Portugal continua a recuperar a bom ritmo do seu atraso histórico", avalia Maria de Lurdes Rodrigues no Diário de Notícias.

José Ferreira Gomes, que foi secretário de Estado do Ensino Superior no Governo anterior, considera no Observador que "seria anacrónico continuar a avaliar a saúde da ciência portuguesa apenas pelo número de artigos publicados. Este é um indicador inicial de actividade, mas nunca um objectivo. Infelizmente, no nosso caso, o indicador é bom, mas o objectivo está muito longe de atingido. Os nossos trabalhos têm ainda pouco impacto e há um enorme atraso na capacidade de valorizar o trabalho científico produzido." Para José Ferreira Gomes, "o retorno do investimento que o país tem feito na formação doutoral depende de criarmos condições para que a maioria dos novos doutores ponha o seu saber e competências a render no sector privado".

Maria de Lurdes Rodrigues tem uma visão diferente. "A exigência de que toda a ciência seja aplicada, útil e rendível, orientada apenas para resolver problemas das empresas, é uma armadilha que conduz ao dispêndio de recursos sem garantia de retorno científico ou económico."

António Coutinho escreveu este fim-de-semana no Expresso que "mais do que em outras áreas, a investigação científica e tecnológica exige políticas a médio e longo prazo, e não se compadece com 'novos rumos' a cada mudança de Governo, frequentemente ditados por razões ideológicas ou de pura politiquice". Nem a investigação científica, nem tudo o resto.


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