A Indra Group apresentou em Portugal a IndraMind, a nova divisão do grupo que concentra capacidades de cibersegurança, ciberdefesa, inteligência artificial avançada e segurança integral, numa aposta que pretende responder ao agravamento das ameaças híbridas e reforçar a soberania tecnológica europeia.
O lançamento foi feito por Vasco Mendes de Almeida, CEO da Indra Group em Portugal e nos PALOP, durante o Portugal Digital Cyber eXperience, no Centro de Congressos do Estoril. A apresentação assinalou um novo passo na estratégia da empresa para os sistemas críticos, num contexto em que a segurança deixou de depender apenas da proteção física e passou a exigir capacidade de antecipação, coordenação e resposta em ambientes digitais e multidomínio.
A IndraMind surge como uma nova divisão estratégica da Indra Group, reunindo a experiência acumulada pela empresa em áreas como defesa, espaço, guerra eletrónica, inteligência artificial, plataformas autónomas, gestão massiva de dados e sistemas de comando e controlo. No centro desta estrutura está também uma plataforma com o mesmo nome, desenhada para apoiar a automatização de operações críticas e acelerar a tomada de decisão em cenários complexos.
Na apresentação, Vasco Mendes de Almeida sublinhou que a guerra híbrida deixou de ser um conceito teórico para se tornar uma realidade concreta. “As fronteiras já não são exclusivamente físicas, os ataques já são cada vez mais virtuais e a forma de conseguirmos dar resposta e termos impacto é, sem dúvida, recorrer à tecnologia”, afirmou.
É neste enquadramento que a IndraMind é posicionada como uma resposta integrada a um contexto internacional marcado pela incerteza, pela pressão sobre infraestruturas críticas e pela crescente interdependência entre segurança civil e defesa militar. A ambição da Indra Group passa por transformar o crescimento do volume de dados em capacidade efetiva de ação, combinando processamento em tempo real, autonomia operacional e resiliência tecnológica.
Três vetores centrais
Segundo Vasco Mendes de Almeida, a nova divisão assenta em três vetores centrais, superioridade cognitiva, operação autónoma e máxima ciber-resiliência. O objetivo é dar aos operadores e às organizações melhores condições para reagirem com rapidez e precisão a incidentes cada vez mais exigentes. “A velocidade humana já não é suficiente para dar resposta aos vários incidentes aos quais temos de reagir”, afirmou, defendendo o recurso a sistemas inteligentes para reforçar a capacidade humana de decisão, coordenação e antecipação.
A componente de ciber-resiliência surge como um dos pilares desta aposta. Mais do que proteger dados, a lógica passa por garantir que todo o sistema e as comunicações entre os seus diferentes elementos conseguem resistir, adaptar-se e recuperar perante incidentes, assegurando a continuidade operacional. Numa altura em que os riscos se distribuem entre o domínio físico e o digital, essa capacidade tornou-se determinante.
Para a Indra Group, a criação da IndraMind responde também a uma lacuna identificada no mercado. A empresa considera que continuam a ser escassos os operadores com capacidade para cobrir de forma integrada toda a cadeia de valor da segurança, desde a recolha e análise de informação até à proteção, coordenação e resposta em tempo real. “Não há nenhuma entidade que dê resposta à globalidade da cadeia de valor e é precisamente o que a IndraMind vem propor”, afirmou Vasco Mendes de Almeida.
A nova divisão agrega uma oferta que cruza satélites, radares, drones e sistemas anti-drone, computação distribuída, supercomputação, inteligência artificial e arquiteturas interoperáveis. A abordagem assenta em três princípios que a empresa considera estruturantes, inteligência artificial by design, ciber-resiliência by design e soberania tecnológica by design.
Ao longo da apresentação, a soberania tecnológica foi um dos temas centrais. Na visão da IndraMind, essa soberania não se limita à posse ou proteção dos dados. Estende-se também aos algoritmos, ao software, às infraestruturas e aos sistemas de comunicação que suportam missões críticas, numa lógica de maior autonomia estratégica e de menor dependência externa.
Essa visão ganha particular relevância em cenários de disrupção. Quando as comunicações terrestres falham, por exemplo, o recurso a satélites de baixa órbita pode permitir manter sistemas ativos e preservar a capacidade de resposta, reforçando a resiliência dos meios críticos.
Tecnologia de uso dual
A IndraMind foi apresentada como uma resposta com aplicação tanto no domínio civil como militar. Entre os exemplos referidos estiveram a vigilância de fronteiras, a proteção de infraestruturas críticas, a resposta a ataques com drones e a gestão de emergências como incêndios florestais, terramotos, cheias, inundações ou episódios de precipitação extrema.
Nestes cenários, a capacidade de articular diferentes entidades e partilhar uma visão operacional comum é vista como decisiva. A nova divisão pretende melhorar a coordenação entre administrações, forças de segurança, serviços de proteção civil e equipas de intervenção, reduzindo a fragmentação da informação e acelerando a tomada de decisão em situações em que cada minuto conta.
Com o lançamento da IndraMind em Portugal, a Indra Group reforça a sua aposta na inovação aplicada à proteção de cidadãos, territórios e infraestruturas críticas, físicas e digitais. Ao mesmo tempo, procura afirmar-se como um dos protagonistas europeus na transformação digital dos sistemas críticos, num momento em que a superioridade estratégica depende cada vez mais da capacidade de integrar inteligência, autonomia e resiliência.