Existem cada vez mais organizações a apostar em frotas sustentáveis, tendência que fica a dever-se a um contexto empresarial que se encontra hoje mais orientado para a sustentabilidade e para a eficiência. O aumento constante das vendas de veículos elétricos e híbridos é a prova deste crescimento – de janeiro a fevereiro, 76,1 por cento dos veículos ligeiros de passageiros matriculados novos eram movidos a energias alternativas, dados da ACAP –, para o qual as frotas empresariais estão a dar “um grande contributo”. Tudo indica, mais do que os particulares. “A fiscalidade atualmente em vigor continua a ser mais favorável às empresas, e isso tem tido um papel muito relevante na aceleração da eletrificação e da adoção de híbridos. A própria ACAP tem sublinhado que os incentivos e benefícios fiscais à mobilidade elétrica são atrativos para as empresas e que as suas frotas têm contribuído fortemente para o aumento da circulação de veículos mais verdes, ao contrário do que sucede com o cidadão comum, que continua a dispor de apoios muito limitados. Também a Comissão Europeia tem salientado o peso determinante das frotas empresariais”, explica Helder Pedro, secretário-geral da ACAP.
Mesmo com os incentivos, as empresas e as organizações em Portugal que têm o objetivo de apostar na descarbonização das suas frotas continuam a ter muitos desafios pela frente. Seja o custo total da transição, a previsibilidade regulatória ou a capacidade de a infraestrutura de carregamento acompanhar o crescimento do mercado. “Em Portugal, continua a ser essencial reforçar a rede de carregamento, sobretudo fora dos grandes centros urbanos, aumentar a oferta de carregamento rápido e ultrarrápido, simplificar a instalação de carregadores em edifícios residenciais e comerciais e garantir uma manutenção eficaz dos postos existentes”, recorda Helder Pedro e prossegue: “Para muitas empresas, a decisão de descarbonizar depende não apenas do preço de aquisição, mas também da confiança operacional: saber onde carregar, com que rapidez, com que fiabilidade e com que estabilidade regulamentar.” O secretário-geral refere também que “falta aprofundar a coerência fiscal da transição”. Nesse sentido, Helder Pedro informa que “a ACAP defende o reforço dos incentivos financeiros, a revisão da fiscalidade automóvel, mais benefícios fiscais para as empresas que invistam em frotas elétricas e vantagens mais claras ao nível da tributação autónoma”. Ao mesmo tempo, acrescenta, é importante corrigir distorções que “continuam a penalizar a renovação do parque e a favorecer soluções mais poluentes, como sucede com a fiscalidade demasiado permissiva sobre a entrada de usados a gasóleo”. “Em resumo, o que falta é uma política fiscal mais estável, mais previsível e mais claramente orientada para premiar quem investe em descarbonização”, sublinha.
Eletrificação: eficiência, resiliência e menos volatilidade
Questionado se o conflito no Médio Oriente pode levar empresas e organizações a olharem de outra forma para a adoção de frotas de veículos elétricos, o responsável da ACAP responde que “sempre que há instabilidade geopolítica com impacto nos mercados energéticos, aumenta a perceção de risco associada à dependência dos combustíveis fósseis”.
O conflito com o Irão provocou perturbações graves no abastecimento e uma forte subida dos preços do petróleo e dos combustíveis, reacendendo o debate sobre segurança energética e redução da dependência do petróleo. “A Comissão Europeia já vinha, aliás, enquadrando a transição automóvel num contexto geopolítico cada vez mais volátil e de excessiva dependência de combustíveis fósseis”, relembra. “Dito isto, creio que a resposta das empresas seja estratégica. Em momentos de maior incerteza internacional, a eletrificação passa a ser vista não apenas como uma opção ambiental, mas também como uma decisão de eficiência, resiliência e menor exposição à volatilidade externa”, conclui.
Um pacote para fazer a diferença
A ACAP defende diversas medidas para mais empresas em Portugal transitarem para as frotas sustentáveis. A saber:
. Reforço e alargamento do Sistema de Abate de Veículos em Fim de Vida, para acelerar a renovação do parque automóvel;
. Expansão e modernização da rede de carregamento;
. Simplificação da instalação de carregadores privados;
. A garantia de que a transição não fica limitada às áreas metropolitanas;
. Revisão da fiscalidade automóvel;
. Mais benefícios fiscais para empresas que avancem com frotas sustentáveis;
. Alargamento de benefícios fiscais aos particulares, possibilitando a dedução em sede de IRS associada à aquisição de veículos de baixas emissões.