Economia António Saraiva: Salário mínimo nos 600 euros “é luta partidária do PCP com o Bloco”

António Saraiva: Salário mínimo nos 600 euros “é luta partidária do PCP com o Bloco”

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal rejeita a subida do salário mínimo para os 600 euros já em Janeiro de 2018. António Saraiva entende que esta reivindicação do PCP tem como pano de fundo "uma luta partidária com o Bloco de Esquerda".
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João Maltez Rosário Lira 19 de novembro de 2017 às 12:00

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, vai à próxima reunião de concertação social, dia 24 Novembro, reafirmar que recusa o aumento do salário mínimo para 600 euros já em Janeiro de 2018. Foi essa a ideia que deixou clara na Conversa Capital desta semana, uma parceria do Negócios com a Antena 1.

O PCP defende que é ao Governo e não à concertação social que cabe fixar o salário mínimo para 600 euros e entende que não existem argumentos para que este não seja aumentado já em Janeiro. Tudo depende de vontade política, argumentam os dirigentes comunistas. António Saraiva vê, contudo, "nessa argumentação do PCP uma luta partidária com o Bloco de Esquerda".

Para o presidente da CIP, o partido liderado por Jerónimo de Sousa terá permitido, "numa guerra político-partidária, que o Bloco lhe ganhasse a batalha [pelo aumento] das pensões e quer agora condicionar" o partido de Catarina Martins, "dizendo que por eles [PCP] o salário mínimo já seria de 600 euros em 2018 e só não é porque o Bloco aceitou com o PS que fosse 580 euros".

António Saraiva admite, ainda assim, que a CIP vai "entrar na discussão de um novo acordo de concertação social, onde o salário mínimo será uma das variáveis". Contudo, adianta que os dirigentes da confederação vão "entrar menos receptivos do que no passado". Não que se mostre indisponível para aceitar que o salário mínimo venha a ser de 580 euros, mas porque, afirma, várias metas dos acordos de 2016 e de 2017 entre os parceiros sociais não foram respeitadas.

Entre as críticas que deixa está o modo de capitalização do Fundo de Compensação do Trabalho (FCT) – este mecanismo é alimentado por contribuições das empresas, e tem por propósito assegurar o pagamento até 50% do valor da compensação a que os trabalhadores – com contratos  assinados após 1 de Outubro de 2013 - venham a ter direito na sequência da cessação da relação contratual.

António Saraiva refere que o FCT está capitalizado em cerca de 150 milhões de euros, quando foram utilizados historicamente cerca de 40 milhões. "Estamos numa fase em que, felizmente, estamos a empregar e não a desempregar. Um fundo para aquilo que se destinava não precisa de estar tão fortemente capitalizado e é preciso encontrar uma forma de aliviar as empresas que estão carrear mensalmente para esse fundo 7 milhões de euros por mês", sublinha o presidente da Confederação Empresarial de Portugal.




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mais votado Anónimo Há 3 semanas

Os salários ou o custo do trabalho em Portugal são mais reduzidos do que noutras economias mais ricas e desenvolvidas do que a portuguesa, mas o que se passa é que aí as empresas gozam de economias de escala que as empresas portuguesas só atingiriam se se internacionalizassem. E o que é facto é que muito raramente isso acontece porque sindicatos e esquerda não deixam que se reúnam as condições para que tal aconteça. Por outro lado, e não menos importante, há que salientar que o sector empresarial dessas economias mais ricas e desenvolvidas tem uma muito maior alocação de capital com grande incorporação de tecnologia de ponta, económica e eficiente, que poupa enormemente em factor trabalho. Uma coisa é ter 200 assalariados a ganhar 1000 outra é ter 50 a ganhar 2000 para produzir o dobro do que se consegue produzir empregando os primeiros.

comentários mais recentes
pertinaz Há 3 semanas

A ESCUMALHA QUE NOS DESGOVERNA ODEIA QUEM LHES PAGA OS SALÁRIOS...

VÊEM OS IMPOSTOS COMO UMA PUNIÇÃO AOS EMPREENDEDORES...

Anónimo Há 3 semanas

A maior parte destes comentários não tem sentido nenhum. Quem está contra a iniciativa privada é porque está na função publica. Mas eles que tomem iniciativas, que criem negócios, serviços e empresas! Depois veremos como falam!!! Temos que ver e prevero futuro e não comer tudo no dia a dia.

Francisco Há 3 semanas

É isso .... Saraiva! pagar poucoxinho para pagar sempre. Homem de visão estratégica, assim como muitos empresários deste país.

28Outubro Há 3 semanas

Claro que o patronato não esta de acordo em aumentar o salário mínimo. Vai ficar com menos dinheiro na carteira, para fazer bons almoços e jantares, regados com boas castas.

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