Economia OCDE defende plano para reestruturar malparado e a banca

OCDE defende plano para reestruturar malparado e a banca

Entre os principais entraves ao investimento e à retoma da economia está a situação do sistema financeiro. É preciso acelerar a redução de crédito malparado, eventualmente com a criação de bancos maus, e melhorando as leis de insolvência.
OCDE defende plano para reestruturar malparado e a banca
Bruno Simão/Negócios
Rui Peres Jorge 06 de fevereiro de 2017 às 10:30

A recuperação da economia portuguesa depende crucialmente da saúde do seu sistema financeiro pelo que seria vantajoso avançar com um plano abrangente que facilitasse os processos de insolvência, incentivasse os bancos a assumirem o malparado e estimulasse um mercado para estes créditos, incluindo a criação de bancos-maus. Estas são recomendações centrais no relatório de avaliação da situação económica nacional produzido pela OCDE, no âmbito das análises que faz aos seus Estados-membros a cada dois anos.

Portugal conseguiu sair da recessão com uma economia a funcionar de forma mais saudável, mas a "continuação do reequilíbrio da economia exigirá mais investimento", lê-se no documento publicado esta segunda-feira, 6 de Fevereiro, que refere logo de seguida algumas as medidas consideradas mais importantes pela OCDE: "Remover os empréstimos passados com problemas do balanço dos bancos, lidar com os entraves nos procedimentos de insolvência, e criar novas formas de financiamento desempenham um papel central nesta dimensão" de apoio à retoma.

Em mais detalhe, a OCDE propõe, por exemplo, uma penalização nos rácios de capital dos bancos que tenham crédito malparado antigo e a definição de metas concretas de redução do peso destes activos problemáticos nos seus balanços; defende também a criação de empresas especializadas na comercialização deste tipo de créditos – veículos muitas vezes conhecidos também como ‘bancos maus’ –; e sugere que Portugal esclareça e explore ao máximo os limites das regras europeias de intervenção em bancos sem accionar o "bail-in" de credores e os mecanismos de resolução. Como muito do crédito bancário foi concedido a empresas, o organismo acrescenta ainda ser essencial aperfeiçoar os mecanismos de insolvência de forma a permitir mais facilmente recuperar empresas ainda viáveis, e recuperar rapidamente os activos das inviáveis. 

Noutras frentes, mas também para acelerar a recuperação da economia, a OCDE defende melhorias na justiça e reformas administrativas que melhorem a concorrência. Custos salariais mais baixos também ajudariam ao investimento. O "think tank" dos governos das economias ricas defende ainda "uma avaliação sistemática das reformas" que possa fundamentar uma nova onda de reformas estruturais e evidencia a importância de Portugal apostar na educação e formação da muita mão-de-obra menos qualificada.


AS RECOMENDAÇÕES CHAVE DA OCDE

Políticas macroeconómicas


Manter o momento das reformas estruturais com permanente avaliação ex-ante e ex-post;


Continuar com uma consolidação orçamental gradual que garanta uma redução da dívida pública sem prejudicar a recuperação;


Reduzir as isenções fiscais e a despesa fiscal;


Aumentar os incentivos regulatórios para reduzir o crédito malparado, incluindo através de assunção de perdas e vendas de títulos;


Apoiar o desenvolvimento de um mercado para dívida "sob stress", nomeadamente através da criação de empresas de gestão de activos especializadas;

 

Políticas para melhorar o investimento


Melhorar as regras de insolvência através de:

- Reconsideração do tratamento privilegiado dos credores públicos [como o Fisco e a Segurança Social];

- Alargar as possibilidades de decisões por maioria simples entre credores;

- Reduzir os procedimentos de acordos fora dos tribunais;

 

Rever a regulamentação aplicada à gestão das terras e limitar o poder discricionário dos municípios sobre procedimentos de licenciamento;


Reduzir os requisitos de entrada para certas categorias profissionais;


Aumentar a capacidade dos tribunais e atribuir juízes especializados a tribunais especializados.

 

Políticas para melhorar as qualificações


Desempenhar uma avaliação profunda de todos os programas de formação vocacional;


Unificar os diferentes sistemas de educação vocacional;


Providenciar mais apoio e mais cedo a cada um dos estudantes que estejam em risco de chumbar;


Melhorar a formação dos professores e aplicar mais recursos na educação primária e pré-primária;




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mais votado TBrites Há 2 semanas

COMEÇA LOGO COM UMA MENTIRA!
"A recuperação da economia portuguesa depende crucialmente da saúde do seu sistema financeiro" isto é MENTIRA!

A recuperação da economia portuguesa depende crucialmente da saúde financeira dos Agregados Familiares, sendo que o que é necessário é tratar desta saúde e não da banca salafrária!

comentários mais recentes
Anónimo Há 2 semanas

Não tenho dúvida que houve muitos empréstimos com retorno. Se houver vontade política facilmente se descobre. Quem teve esses cargos, o que têm neste momento, a família directa, e o que tinham quando começaram.

Camponio da beira Há 2 semanas

Os grandes calotetes à banca foram (provavelmente) programadas por ambas as partes, se colocassem na cadeia os responsaveis, eram quinze dias até o dinheiro aparecer.Uma figura publica, pediu um emprestimo.O banco "esqueceu-se" de cobrar a mensalidade, mas logo que se soube,o dinheiro apareceu (todo

Johhny Há 2 semanas

Basicamente querem perdoar a dividas, certo ?
EU NÃO TENHO DIVIDAS E NÃO ADMITO QUE ISSO VENHA A ACONTECER ÀS MINHAS CUSTAS !

Anónimo Há 2 semanas

A Gorda Reverteu, o Tuga Paga!
Parabéns!

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