O Serviço Móvel de Apoio ao Cuidador (SMAC), da Santa Casa da Misericórdia do Marco de Canaveses, venceu a mais recente edição do Prémio AGIR, promovido pela REN, recebendo 30 mil euros para expandir a intervenção junto de cuidadores informais.
No total, foram atribuídos 50 mil euros a três projetos focados na saúde mental, capacitação e inclusão social de pessoas que assumem, em exclusivo, o cuidado de familiares dependentes.
Num contexto de envelhecimento demográfico e aumento das situações de dependência, o papel do cuidador informal assume relevância crescente no sistema de saúde e na rede de apoio social.
Ainda assim, é uma função frequentemente exercida sem enquadramento técnico estruturado e com elevados níveis de desgaste físico e emocional.
O projeto vencedor aposta numa abordagem integrada, articulando intervenção comunitária, acompanhamento clínico e apoio social. “O Serviço Móvel de Apoio ao Cuidador consiste numa intervenção comunitária e social de apoio àqueles que cuidam de alguém frágil e que necessitam de acompanhamento ao nível da saúde e da sua situação social”, afirma Maria Amélia Ferreira, provedora da instituição.
“O impacto deste programa está direcionado para a criação de bem-estar e para a manutenção da saúde destes cuidadores, que muitas vezes entram em burnout e em situações de descompensação que não são benéficas nem para eles nem para aqueles que são cuidados”, acrescenta.
Com o prémio atribuído pela REN, a instituição prevê alargar o número de beneficiários e reforçar a intervenção domiciliária.
O apoio permitirá abranger 120 cuidadores e escalar a intervenção clínica, social e psicológica, através da aquisição de serviços especializados, visitas ao domicílio e ações de formação ao longo do ano.
Agostinho Marques, diretor clínico do Hospital da SCM de Marco de Canaveses, sublinha que o reconhecimento social do cuidador informal é relativamente recente: “Até há pouco tempo nem se falava deste conceito, mas temos verificado que, à medida que estes projetos foram sendo desenvolvidos, a comunidade e as instituições se envolveram cada vez mais. É um sinal positivo de que o tema começa a ganhar visibilidade.”
Apoios dirigidos e especializados
O segundo prémio, no valor de 15 mil euros, distinguiu o projeto EntreLaços – Cuidar com Saber, do Instituto Irmãs Hospitaleiras Sagrado Coração de Jesus, em Braga. A iniciativa resulta da experiência acumulada no apoio domiciliário a pessoas com doença mental grave, nomeadamente esquizofrenia, e respetivos cuidadores.
“O projeto nasce do contacto direto da nossa equipa com os cuidadores”, explica Ana Filipa Mota, coordenadora do projeto Entrelaços – Cuidar com Saber. “A maior parte encontra-se cansada, exausta e muitas vezes sozinha para lidar com comportamentos complexos, daí a necessidade de criar estratégias para resolver problemas. ”Segundo a responsável, o impacto é “profundamente humano”.
“Quando trabalhamos os cuidadores e os capacitamos, os resultados refletem-se no contacto com a pessoa com doença mental e no equilíbrio familiar. Sentem maior capacidade para desempenhar um papel que é, muitas vezes, difícil.”
O prémio permitirá implementar, durante 12 meses, um programa estruturado que abrangerá 20 cuidadores, acompanhado por uma equipa multidisciplinar especializada em saúde mental. O plano inclui 12 sessões de psicoeducação em grupo, quatro sessões conjuntas entre cuidadores e pessoas com esquizofrenia para aplicação prática de estratégias, 40 atendimentos individuais e a criação de um grupo de ajuda mútua para encontros regulares com apoio técnico.
Formação e capacitação
O terceiro projeto distinguido foi o Colmeia, da cooperativa LongeVidade, em Gondomar, que recebeu 5 mil euros. A iniciativa centra-se na formação e capacitação, combinando formatos presencial e online e envolvendo parceiros locais.
“O projeto Colmeia valoriza e apoia cuidadores informais, oferecendo a oportunidade de desenvolver novas competências através de um programa de formação e capacitação. Cuidar implica afeto, tempo, mas também conhecimento”, afirma Ana Sofia Costa, diretora da cooperativa.
A iniciativa prevê beneficiar diretamente 30 cuidadores informais e 30 pessoas cuidadas, com o envolvimento de três instituições de apoio domiciliário e cinco entidades comerciais locais, promovendo uma lógica de comunidade e proximidade.
Ao distinguir estes três projetos, o Prémio AGIR reforça o investimento da REN em iniciativas de base comunitária com impacto direto na saúde, na coesão social e na capacitação de cuidadores informais, promovendo respostas estruturadas e com potencial de replicação noutras regiões do país.