Empresas Mário Ferreira “embarga” hotel na escarpa de Gaia

Mário Ferreira “embarga” hotel na escarpa de Gaia

O “rei” do rio Douro colocou em “stand-by” a construção do “Wine Lodge”, o primeiro hotel em Portugal com uma entrada pela água ao estilo de Veneza. Diz-se “desgastado” por cinco chumbos de entidades da Cultura.
Mário Ferreira “embarga” hotel na escarpa de Gaia
Hotel “veneziano” previsto para a escarpa de Gaia está longe de sair do papel.
Rui Neves 30 de julho de 2017 às 22:00

Em Março do ano passado, Mário Ferreira, em entrevista ao Negócios, avançava que iria investir 15 milhões de euros na construção de um hotel de charme na escarpa da serra do Pilar, em Gaia, no lugar de uma antiga fábrica de cerâmica. "Espero arrancar com as obras ainda este Verão, para que o Wine Lodge Hotel possa entrar em funcionamento no final de 2017", afirmou então o empresário portuense.

Mais de uma dezena e meia de meses depois, as ruínas da fábrica do Sr. do Além continuam intactas. Inserido na zona especial de protecção do Mosteiro da Serra do Pilar, próximo da área consagrada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade, o projecto hoteleiro de Mário Ferreira chocou de frente com as entidades ligadas ao Ministério da Cultura, cujo parecer é vinculativo.



A "volumetria excessiva" da construção levou logo chumbo da Direcção Regional de Cultura do Norte, em Junho do ano passado, quando foi apresentada a primeira versão do projecto. O empresário discordou, mas aceitou preparar uma nova proposta. Mas a segunda versão acabou também por obter um parecer desfavorável, por despacho de Dezembro do director dos serviços dos Bens Culturais.

Foi então que o projecto seguiu para a Direcção-geral do Património Cultural para ser submetido a parecer da secção de Património Arquitectónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura, que também o viria a rejeitar no início deste ano. Após mais dois chumbos, Mário Ferreira diz-se farto e colocou o Wine Lodge em "stand-by".

"Estamos desgastados por ao fim de cinco diferentes alterações do projecto e, depois da quinta, ainda não se ver a luz ao fundo do túnel", desabafou, em declarações ao Negócios. "Assim sendo, e pelo contínuo desgaste de pedidos e mais pedidos, achámos que seria mais interessante e produtivo ocupar o tempo e o dinheiro disponível em projectos de mais imediata concretização", afirmou o empresário.

Lamentando ter "ali alguns milhões de euros investidos e parados", decidiu retirar este projecto do seu "‘pipeline’ principal", pois "deixou de ser prioritário". Sem colocar em causa "o interesse estratégico que aquela propriedade poderá vir a ter no futuro", ressalvou que "é preciso fazer um intervalo".

De acordo com o projecto de Mário Ferreira para a escarpa da serra do Pilar, o Wine Lodge seria o primeiro hotel de Portugal com uma entrada pela água (via rio Douro), como em Veneza. Um cinco estrelas com 85 quartos, que criaria 80 empregos, e um complexo residencial com uma dúzia de apartamentos. O empresário está a desenvolver dois hotéis de cinco estrelas, no Porto e em Gaia. 




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mais votado Anónimo Há 2 semanas

Apresentou 5 projetos, todos chumbados???!!! Não seria mais fácil os organismos que decidem informarem no primeiro pedido o que poderia ser construido para evitar todo este desgaste??? Isto acontece com um tubarão com poder de influência, imagine-se o pequeno investidor. Este país está feito para o trabalhador por conta de outrem, de preferência que trabalhe para o Estado. Para quem quer criar riqueza é um calvário.

comentários mais recentes
saraiva14 Há 5 dias

Acho bem que seja rejeitado! Há melhores sítios para construir hóteis! Depois, quando houver cheias ou derrocadas, aqui d'el Rei que ninguém nos acode!

Anónimo Há 5 dias

Nós cidadãos, temos de acreditar na bondade das instituições criadas pela República . Quem nos defende da voracidade empreendedora ?

Anónimo Há 6 dias

Quer investir? Quer trabalhar? Tem dinheiro para investir? Alvo a abater! pelas filosofias atuais presentes nalguns comentários! Como dizem devia ser ajudado e informado do que poderia construir e em que moldes. Assim perde tempo, empata dinheiro, mas isso para os organismos não interessa.

Ciifrão Há 1 semana

Portugal é um país de faz-de-conta, existe a Lei e a interpretação da lei, essa coisa ambígua e volátil sem limites para a criatividade dos intervenientes.

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