Ensino Superior 2017 Chegou a vez das engenharias

Chegou a vez das engenharias

185,30 foi a média mais alta de entrada na universidade em 2016. Irá subir este ano? Esta é a questão que se coloca entre os estudantes.
Chegou a vez das engenharias

"Ser engenheiro é seguramente a única profissão que permite materializar os sonhos e a capacidade inventiva do ser humano", salienta o Bastonário da Ordem dos Engenheiros, Carlos Mineiro Aires ao Negócios em Rede. "Ao olharmos para tudo o que nos rodeia e que utilizamos no dia-a-dia, facilmente percebemos a presença da tecnologia e da engenharia."

 

Depois de anos a fio de domínio da Medicina, a Engenharia inverteu o ciclo em 2016. Os três primeiros lugares da primeira fase do concurso nacional de acesso foram ocupados por três cursos de Engenharia: Engenharia Aeroespacial e Engenharia Física e Tecnológica, ambos do Instituto Superior Técnico (média de 185,30) e Engenharia e Gestão Industrial, na FEUP (184,80). Outras Engenharias que, no ano passado, ficaram à frente de cursos de Medicina foram Bioengenharia (FEUP), em sétimo lugar, e Engenharia Biomédica, no Técnico, em décimo lugar.

 

Outra surpresa no concurso do ano passado foi a ascensão da Matemática Aplicada e Computação. Esta licenciatura, também do Técnico, registou o oitavo score (180.5). Há dois anos ocupara um pálido lugar entre as melhores médias: 28.ª, atrás de todos os cursos de Medicina.

 

A escassas duas semanas do início do concurso nacional de acesso ao superior público, a grande expectativa entre os estudantes é se as notas vão subir ou descer - algumas décimas, note-se! – em relação ao ano passado. Sobretudo a Engenharia e Gestão Industrial, um curso com um plano curricular muito completo, onde se aprende sobre duas áreas que se complementam, a Engenharia e a Gestão. De referir que as notas de entrada em Gestão também continuaram a subir em 2016/17. A Nova SBE, com 173,0 ocupou o primeiro lugar da tabela do concurso nacional de acesso, tendo a Faculdade de Economia da Universidade do Porto registado o segundo melhor resultado: 170,3.

 

As Engenharias parecem estar, finalmente, a impor-se na captação dos alunos com as médias mais altas, embora cursos como Engenharia Civil ou Engenharia Florestal continuem praticamente às moscas. Um outro indicador corrobora a tendência: o rácio entre as vagas iniciais e os candidatos que indicaram um dado por instituição/curso como 1.ª opção na 1ª fase de candidaturas.

 

Segundo este "índice de satisfação da procura", elaborado pela Direcção-Geral do Ensino Superior, no grupo dos cursos que mais alunos deixaram de fora, no ano passado, figuram alguns cursos de Engenharia. Em concreto, para as 70 vagas de Engenharia e Gestão Industrial da FEUP foram a jogo 348 estudantes. Porém, só 20,11% dos candidatos que conseguiram a ficha verde. Com um índice de procura superior só mesmo o curso de Criminologia e Justiça Criminal, da Universidade do Minho, que ocupou o topo da tabela. As 20 vagas foram disputadas por 254 alunos, o que perfaz um índice de satisfação de apenas 7,87%.

 

Entre as instituições que mais alunos deixaram de fora na primeira fase do concurso do ano passado, destaque para dois cursos em dois estabelecimentos de ensino politécnico: Tecnologia da Comunicação Multimédia, do Instituto Politécnico do Porto, e Fisioterapia da Escola Superior da Saúde de Lisboa, do Instituto Politécnico da capital.

 

Apesar do abaixamento das médias, no top 15 dos cursos com média mais alta em 2016 figuram os nove cursos de Medicina ministrados em Portugal. Este ano, como será?




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