Associação nacional de Municípios leva limpeza das florestas a Marcelo
A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), reúne-se segunda-feira, 12 de Fevereiro com o Presidente da República e um dos temas sobre a mesa deverá se o da limpeza das chamadas faixas de combustível, para prevenção de incêndios e onde os municípios têm novas e muito contestadas obrigações.
PUB
A reunião com Marcelo tinha sido pedida para a apresentação de cumprimentos do novo conselho directivo, mas surge precisamente no meio da polémica da limpeza das florestas que as câmaras terão de fazer se os proprietários privados não cumprirem a sua parte. As regras constam da lei do Orçamento do Estado (OE), mas os municípios alegam que na altura não foram ouvidos e que não têm condições para cumprir. Eduardo Cabrita mostrou já alguma abertura para suavizar as regras, mas a ANMP anunciou esta terça-feira que quer uma audição com António Costa para falar directamente com o primeiro-ministro sobre o problema.
No dia seguinte o secretário de Estado das Autarquias Locais, Carlos Miguel, foi ao Parlamento para prestar esclarecimentos sobre o assunto e anunciou que o Governo está disponível para dividir com os municípios eventuais prejuízos que estes venham a ter com a limpeza dos terrenos florestais, nomeadamente por não conseguirem depois ressarcir-se junto dos respectivos proprietários privados. A ANMP não quis sequer comentar as declarações de Carlos Miguel, insistindo em que a próxima discussão do assunto teria de ser mesmo com António Costa.
PUB
Ontem, o primeiro-ministro aflorou o tema. Numa deslocação a Tondela, para apresentação da empreitada de reconstrução de habitações afectadas pelos incêndios, António Costa alertou que, se não houver um envolvimento de toda a sociedade na limpeza dos terrenos, "vai ser impossível" fazer o trabalho necessário para evitar os incêndios florestais no próximo Verão. "Ou este é um esforço que envolve toda a sociedade, cada um dos proprietários, ou então é um esforço que não pode ser assegurado só pelos presidentes de junta de freguesia, pelos presidentes de câmara, pelos ministros ou pelo primeiro-ministro.", frisou, citado pela Lusa.
A lei do OE prevê que os privados têm de limpar os terrenos até 31 de Março e que, caso o não façam as câmaras têm depois até 31 de Maio para se lhes substituir, podendo recorrer a empréstimos de um fundo de 50 milhões de euros (que depois terão de pagar). Podem depois exigir aos privados a devolução dos custos, mas a ANMP defende que há várias dificuldades. Numa circular enviada às câmaras, sublinha que "os Municípios querem ser parte da solução, e não do problema, mas o Estado Central e as entidades na sua dependência não podem colocar-se à margem deste processo como se nada fosse da sua responsabilidade". E avisa que o que está previsto no OE "não é exequível, quer pelos prazos estabelecidos, quer pela falta de cadastro da propriedade rústica, quer pela ausência de recursos para execução das tarefas exigidas".
PUB
Tão simples quanto isto
Que melhor patrão senão o Estado?
Mais lidas
O Negócios recomenda