"Cooperação multilateral" pode evitar pesadas perdas no PIB mundial, diz FMI
A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, defendeu esta quinta-feira que é "essencial" reavivar a globalização para acelerar o crescimento mundial e que, com a fragmentação das relações comerciais, o produto interno bruto (PIB) mundial pode perder "até 12%" nos próximos anos.
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"Reavivar a cooperação multilateral é essencial para o crescimento de longo prazo em todo o mundo", defendeu Kristalina Georgieva, na abertura do Fórum Económico de Bruxelas, sublinhando que, "embora os ganhos internos [do protecionismo económico] possam ser apetecíveis, a longo prazo todos perdem com a fragmentação mundial".
Kristalina Georgieva reconheceu que as interrupções nas cadeias de abastecimento durante a pandemia e a invasão russa da Ucrânia levaram os países a "procurarem reduzir as vulnerabilidades por meio de "reshoring" ou "friend-shoring"", mas que destacou que essa tendência contribuiu para criar "um mundo mais fragmentado com custos económicos reais".
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Um estudo do FMI indica que essa fragmentação pode custar "até 7% do PIB global a longo prazo", o que corresponde ao PIB anual da Alemanha e do Japão em conjunto, sinalizou a diretora-geral do FMI. Além disso, frisou que, se a esses dados for adicionado o custo da dissociação tecnológica com o arrefecimento das trocas comerciais, "alguns países podem ter perdas de até 12% do PIB".
"Não podemos ignorar esses custos", sublinhou Kristalina Georgieva, dizendo que "há um risco crescente de que o mundo se dividir em blocos económicos rivais", após "décadas de integração". E risco "está a aumentar num momento em que o crescimento mundial é fraco tendo em conta os padrões históricos – tanto no curto como no médio prazo", indicou.
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Kristalina Georgieva defendeu que, além do reforço das relações comerciais, é preciso que os países aumentem a produtividade e acelerem a transição climática para que o PIB mundial possa continua a crescer de uma forma mais sustentada.
Dando como exemplo o plano de transição climática da UE (o Green Deal), disse ainda que é preciso os países terem atenção aos apoios que estão a dar para não prejudicar ainda mais a globalização. "Se os incentivos forem muito generosos, podem ter custos orçamentais consideráveis, distorcer as decisões comerciais e de investimento e tornar a transição verde mais cara para todos", referiu.
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"Particularmente preocupante seria um cenário em que os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento fiquem para trás na adoção de tecnologias verdes – em detrimento das metas climáticas globais – por falta de investimentos que facilitem a difusão dessas tecnologias", acrescentou.
Crescimento económico mais fraco desde 1999
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As previsões do Fundo Monetário Internacional apontam para que o crescimento mundial continue "em torno de 3% nos próximos cinco anos", sendo esta "a previsão de médio prazo mais baixa desde 1990".
A diretora-geral do FMI insiste que, mesmo assim, os bancos centrais devem continuar a subir as taxas de juro até que "a teimosa inflação esteja firmemente sob controlo" e admite que esse "necessário aperto monetário" está já a pesar sobre o crescimento e expor algumas vulnerabilidades financeiras, como se viu com a queda do banco norte-americano SBV e das dificuldades do Crédit Suisse.
Para Kristalina Georgieva, a fragmentação geoeconómica pode "prejudicar ainda mais o já enfraquecido crescimento global" e, no caso da União Europeia, a maioria das economias avançadas enfrenta o "desafio duplo" de terem um crescimento mais lento e uma inflação ainda alta nos próximos anos.
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"Projetamos que o crescimento da UE caia de 3,7% no ano passado para 0,7% este ano, antes de recuperar modestamente. Ao mesmo tempo, esperamos que a inflação caia de mais de 9% no ano passado para 6% este ano", sinalizou, acrescentando que a maioria dos países europeus não deverão retomar a meta dos 2% de inflação "até 2025".
*A jornalista viajou até Bruxelas a convite da Comissão Europeia
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