Governo quer "ganhos reais de produtividade" para apoiar subidas salariais

Maria do Rosário Palma Ramalho salientou que para o salário médio "continuar a ser revisto em alta, de forma sustentável, Portugal deve transitar de um modelo exclusivamente focado em incentivos fiscais para um modelo que concilie incentivos fiscais com ganhos reais de produtividade".
Maria Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.
João Cortesão
Lusa 17:41

O Governo alertou este domingo para a baixa produtividade por hora em Portugal, que em 2025 ficou 28% abaixo da média europeia, apesar da subida do salário médio bruto, que cresceu 5,6%, acima do esperado.

A remuneração bruta total mensal média subiu 5,6% em 2025, para 1.694 euros, contra 1.604 euros um ano antes, indicam dados do INE, divulgados no passado dia 13.

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O Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) alertou que a produtividade por hora de trabalho em Portugal está 28% abaixo da média da UE e os salários "35% abaixo do mesmo referencial", de acordo com um comunicado.

Citada no documento, a ministra, Maria do Rosário Palma Ramalho, salientou que para o salário médio "continuar a ser revisto em alta, de forma sustentável, Portugal deve transitar de um modelo exclusivamente focado em incentivos fiscais para um modelo que concilie incentivos fiscais com ganhos reais de produtividade".

O MTSSS registou que o aumento ficou acima das metas estabelecidas no Acordo Tripartido sobre Valorização Salarial e Crescimento Económico 2025-2028, apontando que são mais 0,9 pontos percentuais face ao objetivo traçado.

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O Ministério argumentou que após "um longo período de compressão acelerada da grelha salarial -- entre 2015 e 2023 --, o rácio entre salário médio e o mínimo dá os primeiros sinais de estabilização".

Este impulso de 5,6% no salário médio, quando o salário mínimo subiu 6,1% para 870 euros, foi justificado pelo Ministério com a "nova direção" do acordo tripartido assinado em outubro por Governo e parceiros sociais e pela "valorização salarial negociada por diversos grupos profissionais".

O Ministério destacou ainda que o crescimento salarial foi liderado pelo setor privado de bens e serviços transacionáveis, com uma subida de 6,3%.

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"Este diferencial demonstra que o tecido empresarial, em particular os setores exportadores da economia portuguesa, está a mobilizar os instrumentos criados pelo executivo", referiu o MTSSS.

De acordo com os dados do INE, a remuneração bruta mensal média por trabalhador do setor público em 2025 foi de 2.386 euros e a do setor privado 1.563 euros, apresentando subidas respetivas de 6,3% e 5,4% face a 2024.

Em termos reais, a remuneração bruta total mensal média subiu 3,2% em 2025, o que o Ministério atribuiu à política de rendimentos do executivo e "consolida a trajetória iniciada em 2024".

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