Pedro Oliveira: País é hoje "competitivo para atividades tecnológicas exportáveis"
Desde 2012, Portugal tem estado a exportar mais serviços tecnológicos do que importa, sendo este um indicador que permite aferir a capacidade e competitividade internacional tecnológica do país. No ano passado, as exportações portuguesas de tecnologia e know-how superaram as importações em 3,1 mil milhões de euros, segundo dados do Banco de Portugal (BdP), sendo esse o maior excedente registado até à data.
Ao Negócios, o dean da Nova School of Business and Economics (Nova SBE), Pedro Oliveira, refere que o país tem estado a dar cartas nas trocas de serviços tecnológicos devido à sua mão de obra qualificada, boa capacidade linguística e custos "ainda competitivos". Isso explica, segundo o economista e especialista em inovação, porque é que, nos últimos anos, várias multinacionais tecnológicas como a Google, a Microsoft ou a Bosch instalaram em Portugal parte da sua produção de serviços tecnológicos, ajudando ao excedente tecnológico nacional.
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Apesar de as multinacionais terem um peso significativo nas exportações portuguesas de serviços de tecnologia, Pedro Oliveira destaca que Portugal "conseguiu integrar-se nas cadeias internacionais de serviços tecnológicos" e deve procurar subir na cadeia de valor para manter essas multinacionais no país.
O que explica o crescimento das exportações portuguesas de serviços de tecnologia?
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São sobretudo três fatores. Primeiro, Portugal conseguiu afirmar-se como um local competitivo para atividades tecnológicas exportáveis, como desenvolvimento de software, serviços informáticos, engenharia e investigação e desenvolvimento. Existe talento qualificado, boa capacidade linguística e custos ainda competitivos no contexto europeu. Segundo, houve uma expansão significativa de centros tecnológicos e de serviços globais em Portugal. Muitas multinacionais instalaram equipas de engenharia, IT [tecnologias de informação, sigla em inglês] ou análise de dados que prestam serviços para clientes ou para outras unidades do grupo noutros países. Isso conta diretamente como exportação de serviços. Por fim, o ecossistema tecnológico português amadureceu. Hoje não dependemos apenas de startups, mas também de empresas portuguesas e multinacionais que operam em redes internacionais de produção de tecnologia.
Esse crescimento é sustentável ou depende muito de multinacionais instaladas em Portugal?
Uma parte importante das exportações está associada a multinacionais com centros tecnológicos no país. No entanto, isso não deve ser visto apenas como uma fragilidade. Significa que Portugal conseguiu integrar-se nas cadeias internacionais de serviços tecnológicos. A sustentabilidade dependerá sobretudo da capacidade de subir na cadeia de valor. Se Portugal conseguir concentrar atividades como desenvolvimento de produto, análise de dados, cibersegurança ou investigação e desenvolvimento, essas funções tendem a permanecer no país.
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Que fatores permitiram que Portugal passasse a exportar mais serviços tecnológicos do que importa?
Serviços tecnológicos, como software, programação ou engenharia digital, podem ser produzidos localmente e vendidos globalmente sem necessidade de importar tecnologia no mesmo volume. Além disso, estes serviços dependem sobretudo de capital humano qualificado e menos de bens físicos. Isso facilita a criação de excedentes nas exportações quando existe talento e capacidade empresarial para servir mercados internacionais.
Até que ponto a digitalização acelerada pela pandemia contribuiu para estes números?
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A digitalização das empresas e das organizações públicas avançou rapidamente durante a pandemia e tornou-se mais normal trabalhar com equipas distribuídas internacionalmente. Isso reduziu a desvantagem geográfica. Equipas tecnológicas baseadas no país passaram a poder prestar serviços para empresas em todo o mundo com maior facilidade.
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