Americana Lockheed Martin admite produção de componentes do F-35 em Portugal

Na corrida para substituir a frota nacional de F-16 estão também os suecos da SAAB, com os Gripen, e o consórcio europeu que inclui a Airbus e os seus Eurofighters Typhoon.
F-35
U.S. Central Command / Associated Press
Lusa 09:23

Os norte-americanos da Lockheed Martin admitem produzir em Portugal componentes do caça de quinta geração F-35, bem como fazer a sua manutenção, caso o Governo português escolha este avião para substituir os F-16.

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Nas instalações da Lockheed Martin, em Fort Worth, estado do Texas, a linha de produção do caça F-35, um dos mais avançados do mundo, estende-se por cerca de um quilómetro, com aproximadamente 200 aeronaves "estacionadas", entre as que já estão montadas, e as que ainda só têm asas.

A dimensão faz jus ao ditado repetido pelos locais de que "tudo é maior no Texas": alguns dos milhares de trabalhadores da empresa deslocam-se de bicicleta e a visita dos jornalistas portugueses convidados pela Lockheed Martin é feita num 'buggie' de golfe.

Entre estantes com milhares de peças, ou asas pintadas com primário verde antes do revestimento final, cada caça está numerado e identificado com uma bandeira referente ao seu destino: EUA, Alemanha, Canadá ou Coreia do Sul, por exemplo.

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É nesta linha de produção - de onde saem 156 caças ao ano - que a Lockheed Martin espera vir a projetar em breve uma bandeira portuguesa. Na corrida para substituir a frota nacional de F-16 estão também os suecos da SAAB, com os Gripen, e o consórcio europeu que inclui a Airbus e os seus Eurofighters Typhoon.

Enquanto o negócio não vê a luz do dia, a empresa norte-americana acena com a produção de componentes e a manutenção dos caças em Portugal: "É absolutamente possível", garantiu à imprensa portuguesa Robert Weitzman, diretor de Desenvolvimento de Negócios Internacionais do F-35.

"Não estamos a começar relações com a indústria portuguesa, estamos a dar-lhes seguimento", salientou, lembrando a colaboração em programas como os P-3, além dos F-16.

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A Lockheed Martin tem estado em contacto com a Força Aérea portuguesa, adiantaram os responsáveis, mas ainda sem qualquer diálogo oficial com o Governo , que deverá rever a Lei de Programação Militar (LPM) este ano e incluir neste planeamento os novos caças.

Além desta possível produção de componentes, os norte-americanos já identificaram 16 potenciais projetos de parceria em Portugal com empresas e universidades ou centros de investigação, em áreas como co-produção, colaboração tecnológica, exportação, integração de cadeias de fornecimento e projetos conjuntos de investigação e desenvolvimento.

"Este é um investimento a longo prazo, de décadas, e uma capacidade crítica de dissuasão. Não há melhor plataforma para ficar à frente das ameaças hoje em dia e nas próximas décadas", realçou Weitzman.

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Na pista de voo, Carlton "Puff" Wilson, piloto há 22 anos, está junto a um imponente F-35 modelo A, que parece saído do célebre filme 'Top Gun'.

O seu revestimento "stealth", em tom cinzento, salta logo à vista. Esta "pele furtiva" é aplicada à superfície da aeronave para torná-la quase indetetável por radares inimigos, permitindo superioridade operacional e maiores níveis de sobrevivência.

Se os suecos da SAAB argumentam que a diferença entre um caça de 4.ª geração, como os Gripen, e um de 5.ª, como o F-35, é meramente marketing, "Puff" rejeita e traça as diferenças, a começar pela "fusão de sensores", que permite agregar informações e apresentá-las ao piloto, inclusive através de uma projeção na viseira do capacete.

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"Não é possível integrar estas características em aviões de quarta geração. Não posso colocar cabos de fibra ótica num avião de quarta geração. Não posso implementar as características de 'design' furtivo num avião de quarta geração", sustentou.

Uma das diferenças notórias entre um Gripen-E e um F-35 é o posicionamento das armas: se num caça sueco é possível ver os mísseis encaixados nas asas, um F-35 tem as armas incorporadas internamente, ajudando à sua quase invisibilidade -- apesar de também ter a capacidade de as dispor externamente e entrar no chamado "modo besta".

A Lockheed tem utilizado o argumento da experiência no terreno como forma de convencer clientes como Portugal. Sobre os problemas que têm sido noticiados no que toca a atualização de 'software', num momento em que os F-35 estão em ação no conflito que opõe EUA e Israel ao Irão, os responsáveis afirmam que este é um "programa em melhoramento contínuo" e garantem "níveis elevados" de prontidão.

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* A agência Lusa viajou a convite da Lockheed Martin

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