Nenhuma opção está fora da mesa para retaliar a Trump, garantem Bruxelas, Paris e Berlim
A Comissão Europeia, mas também as duas maiores capitais da União - Paris e Berlim -, não excluem qualquer possibilidade de resposta à novas ameaças de imposição de tarifas feitas pela Administração dos Estados Unidos, desta vez associadas à intenção de anexação da Gronelândia por parte do Presidente norte-americano, Donald Trump.
“Temos ferramentas à nossa disposição. Neste momento nenhuma opção é excluída”, indicou nesta segunda-feira o comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, à entrada para a reunião do Eurogrupo, em cuja agenda a escalada de tensão económica e geopolítica com o parceiro transatlântico ganhou centralidade. Os 21 da moeda única tinham na agenda inicial a discussão do pacote de outono do Semestre Europeu e a eleição do próximo vice-presidente do Banco Central Europeu, cargo para o qual concorre o português Mário Centeno.
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Agora, porém, trata-se de encontrar uma “resposta urgente” à ameaça dos Estados Unidos, indicou Dombrovskis, estando em cima da mesa a possibilidade de reativação do pacote anti-tarifas de 93 mil milhões de euros equacionado antes do acordo comercial com Administração Trump do verão passado, mas também uma eventual ativação do Instrumento Anti-Coerção da UE, com a possibilidade de imposição de limites a investidores externos.
“Há consultas intensas em permanência e no final desta semana haverá cimeira europeia extraordinária”, lembrou o comissário europeu sobre o Conselho Europeu extraordinário marcado para quinta-feira. “São desenvolvimentos recentes aos quais temos agora de dar resposta urgente”, disse.
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Nas consultas, a UE tentará evitar a ameaça de novas tarifas que pende sobre oito países europeus envolvidos em missão militar na Gronelândia: Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unidos, Países Baixos e Finlândia. Donald Trump anunciou nas redes sociais que enfrentarão 10% de tarifas adicionais a partir de 1 de fevereiro. A 1 de junho, a intenção é subir as sobretaxas para 25%, até que os EUA tenham a “aquisição total e completa da Gronelândia”.
“Temos de nos recordar que a parceria transatlântica de comércio e investimento é a maior do mundo e, por conseguinte, há muito a perder do ponto de vista económico tanto para a Europa mas também para os Estados Unidos, as suas empresas e os seus trabalhadores. Portanto, temos de trabalhar para encontrar uma solução construtiva para avançar no respeito pelo direito internacional e também atendendo à nossas relações económicas e geopolíticas”, defendeu Dombrovskis, que não pôs de parte coordenação com o Canadá. “Certamente, temos também de trabalhar com os nossos parceiros internacionais”
Antes da reunião do Eurogrupo, estiveram reunidos os ministros das Finanças de França e Alemanha, Roland Lescure e Lars Klingbeil, respetivamente, que garantiram união das principais capitais da UE nas decisões finais de retaliação, caso estas sejam necessárias. “Estamos ambos convencidos de que este é um momento muito europeu e de que devemos mesmo trabalhar juntos no que toca a decisões na Europa”, indicou Klingbeil. “É mesmo necessário que os nossos dois países trabalhem juntos nesta situação”, reforçou.
O ministro das Finanças francês indicou também que nenhuma opção está excluída. “Temos de mostrar que estamos disponíveis para usar todos os instrumentos à nossa disposição, sejam tarifas, acordos comerciais ou medidas anticoerção”, disse nas declarações à imprensa antes do encontro dos ministros do euro. Até lá, juntou Lescure, “todos os minutos, horas, dias serão usados para que isto não aconteça”.
Nas declarações antes da reunião - nas quais antecipou também uma eleição “muito difícil” de Mário Centeno para a vice-presidência do Banco Central Europeu - o ministro português Miranda Sarmento defendeu igualmente que a Europa terá de se mostrar forte na resposta aos Estados Unidos e assegurou que Portugal alinhará com a decisão da maioria. “Portugal estará sempre do lado do compromisso, da solução europeia”, afirmou, lembrando ainda que “os choques externos negativos têm sempre impacto” na economia nacional.
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