Nowotny: "BCE não pode ser condicionado pelos mercados"
"Tenho que deixar muito claro: o BCE não pode e não será condicionado pelos mercados". O alerta é de Ewald Nowotny, presidente do Banco da Áustria e membro do conselho de Governadores do Banco Central Europeu.
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Em declarações aos jornalistas em Viena, citadas pela Bloomberg, Nowotny reconhece que os "mercados ficaram decepcionados" com a decisão do BCE anunciada na passada quinta-feira. Mas defende as medidas adoptadas, que foram as "correctas", e avisa que "o BCE tem a sua responsabilidade e a sua agenda".
O Banco Central Europeu anunciou, a 3 de Dezembro, um corte na taxa de depósitos para -0,3%, bem como a expansão e prolongamento do programa de compra de activos até Março de 2017. Um conjunto de medidas que têm como objectivo impulsionar a inflação para o objectivo de "perto mas abaixo de 2%".
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Os mercados estavam à espera de mais, tendo reagido com quedas acentuadas ao resultado da reunião. Nos últimos dias foram vários os responsáveis do banco central a fazer declarações no sentido de esclarecer o mercado que o BCE tem ainda espaço para implementar mais medidas.
Já na quarta-feira o mesmo Nowotny tinha afirmado que eram "absurdas" as expectativas de mais estímulos, tendo apontado o dedo aos analistas financeiros, que falharam na análise às palavras do BCE.
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Vítor Constâncio também culpou os mercados pela reacção exagerada. Para o vice-presidente do BCE, os investidores interpretaram mal as indicações do banco central, salientando que o objectivo sempre foi recalibrar e não apresentar um novo programa de expansão monetária. Até porque, defendeu, "as condições financeiras estão melhores do que em Outubro, quando primeiro anunciámos a reavaliação".
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Também na semana passada o presidente do BCE, Mario Draghi, afirmou que "não podem existir limites" às medidas que o BCE pode implementar, sinalizando que o banco central pode avançar com mais medidas caso a inflação permaneça em níveis reduzidos.
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