CIP pede empresas mais competitivas face a "oportunidade" do Mercosul
A CIP – Confederação Empresarial de Portugal não tem dúvidas de que o acordo histórico entre a União Europeia (UE) e o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), que cria a maior zona de comércio livre do mundo, abre "grandes perspetivas de crescimento económico nos dois lados do Atlântico", mas aponta ser "fundamental" que haja políticas públicas para permitir às empresas europeias investirem.
"A criação desta zona de comércio livre transcontinental dá uma indicação clara: é tempo de investir, de aumentar a competitividade das empresas portuguesas e europeias e de fazer subir o valor dos seus produtos", diz o presidente da CIP, Armindo Monteiro, para quem "é tempo de as políticas públicas dos países da UE se tornarem aliadas estratégicas das respetivas empresas na competição que estas vão ter de travar com as concorrentes latino-americanas".
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Para a CIP, "ao investimento das empresas europeias para tornarem os seus produtos e serviços mais competitivos devem corresponder políticas públicas da UE e dos seus estados para abrir novos mercados em que estes possam ser colocados" e o acordo comercial com o bloco do Mercosul "abre este caminho", mas "é necessário promover uma visão pró-negócios, pró-economia e pró-competitividade que precisa de ganhar escala e ser comum a todos os parceiros europeus", insiste Armindo Monteiro.
"É fundamental que os governos, o Conselho Europeu e a Comissão Europeia cumpram as promessas de reformas que fizeram, por forma a permitir que as empresas invistam e criem empregos", reforça, citado num comunicado enviado às redações, que acompanha um documento elaborado pela CIP sobre as oportunidades que o acordo traz para as empresas portuguesas.
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Para a organização, que representa mais de 150 mil empresas, cerca de 1,8 milhões de trabalhadores e 71% do PIB, "a diversificação comercial deve ser o foco essencial dos
governos e das empresas europeias nos próximos anos, utilizando todo o
potencial de crescimento que o acordo UE-Mercosul representa".
"O novo mercado parte de um valor relativamente baixo: as trocas da UE com a Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai representaram 111 mil milhões de euros em 2024", ou seja, cerca de 14 vezes menos do que as trocas com os EUA, como compara, mas "o potencial de crescimento da troca de produtos entre o espaço europeu e a América Latina é gigantesco". E "puxa" dos números: a soma dos mercados dos dois blocos representa um PIB combinado na ordem dos 20 biliões de euros, um universo de 700 milhões de consumidores e "passará a representar 25% das trocas globais".
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Para a CIP este acordo, que se fecha hoje ao fim de 26 anos de negociações, figura como uma "boa notícia para as empresas" do bloco dos 27, desde logo porque "representa uma oportunidade para reverter o arrefecimento genérico que se verificou nos mercados ao longo de 2025, o qual foi agravado pela pressão suplementar que a política tarifária dos Estados Unidos provocou um pouco por toda a parte".
"As dificuldades sentidas, quer pelos países da UE, quer pelos países do Mercosul, na relação comercial com os Estados Unidos desde que Donald Trump voltou à Casa Branca podem, a partir de 2026, ser compensadas pelo alargamento dos mercados para as empresas às geografias do outro lado do Atlântico", observa.
Fechando o ângulo em concreto ao que significa o acordo comercial para o país, a CIP recorda que Portugal tem com o bloco do Mercosul uma "relação desequilibrada" - exporta produtos no valor de 1.000 milhões de euros e importa 3.500 milhões de euros por ano - um cenário que "é necessário inverter".
Para a CIP, "as empresas portuguesas têm qualidades e instrumentos para aumentar o valor acrescentado das suas vendas, melhorando de forma substancial as quotas de mercado na América Latina", produzindo "um crescimento económico sustentável e inclusivo, o que as posiciona bem para a competição sem tarifas que vão passar a travar com as empresas do Mercosul".
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Além disso, lembra, as empresas portuguesas gozam de uma "vantagem relevante" face às suas homólogas europeias: o facto de cerca de 215 milhões dos 270 milhões de consumidores que representa o mercado do Mercosul estarem no Brasil e falarem português.
"Sendo a língua e a proximidade cultural uma vantagem relevante em qualquer negócio, neste caso permite também significativos benefícios adicionais na rotulagem, na comunicação, no marketing ou na publicidade", realça.
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À luz do acordo, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% das exportações da UE (incluindo automóveis) ao longo de um período de 15 anos, enquanto a UE cortará progressivamente as tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul num período que poderá ir até 10 anos.
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