“Semáforo” do Porto lança o primeiro “marketplace” do mundo para daltónicos
Albert Uderzo, um dos “pais” da banda desenhada de Astérix e Obélix, desenhava a lápis e não usava cores. Porquê? “Sou daltónico, não poderia colori-los”, justificava-se.
Há aproximadamente 350 milhões de daltónicos no mundo. A perturbação visual que impede a diferenciação de todas ou de algumas cores afeta um em cada 12 homens; do lado das mulheres, apenas uma em cada 200.
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Com 90% da informação no mundo a usar a cor como fator prioritário de comunicação, conclui-se que 90% dos daltónicos precisam de ajuda para comprar roupas, por exemplo, criando ainda dificuldades de integração, perda de oportunidades, constrangimento e "bullying". Situações que afetam a autoestima e a vida destas pessoas.
Foi a pensar nisto que Miguel Neiva, nascido no Porto em 1969, criou o ColorADD, um sistema de identificação de cores para daltónicos, um código pioneiro e universal que permite a inclusão de quem sofre deste problema.
Designer de Comunicação, com mestrado em Design e Marketing, Neiva demorou quase uma década a desenvolver este alfabeto cromático, estando desde 2008 totalmente dedicado à implementação mundial do ColorADD.
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Trata-se de um sistema aprovado pela comunidade científica internacional, utilizando símbolos gráficos que, combinados entre si, criam uma linguagem que permite ao daltónico identificar as cores em qualquer ecossistema em que estejam inseridos, independentemente do idioma.
Funcionando a partir da combinação dos símbolos que representam as três cores primárias (azul, vermelho e amarelo), permite criar uma ampla paleta de cores - o azul é representado por um triângulo que aponta para baixo, e o vermelho por um triângulo que aponta para cima.
Já o amarelo, surge como uma barra inclinada. O branco e o preto são representados por um quadrado sólido ou "vazio", que permitem criar os tons claros e os tons escuros.
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A soma das cores primárias cria uma nova cor. Se juntarmos o vermelho com o amarelo, por exemplo, criamos a cor laranja. Se conjugarmos o símbolo do azul com o símbolo do branco, criamos o azul claro. E assim por diante. Até os tons de cinza e as cores metalizadas podem ser representadas.
Presente em quase uma centena de países, o ColorADDjá recebeu vários prémios nacionais e internacionais, tendo sido até considerado pela revista Galilei, da editora brasileira Globo, como “uma das 40 ideias para melhor o mundo”.
21 janeiro de 2025: a ColorADD anuncia o lançamento do primeiro “marketplace” do mundo exclusivamente dedicado a produtos e soluções que incorporam este código.
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“Com um crescimento que se prevê contínuo e sustentado, o ‘marketplace’ ColorADD nasceu em projeto piloto a nível ibérico, agora disponível para toda a Europa, para reunir, num único ecossistema, uma gama de produtos com implementação do código, que se prevê expandir para todo o mundo até 2030. Desde artigos escolares, hospitalares e de segurança, até moda, sinalética, entre outros”, avança, em comunicado.
“O ‘marketplace’ ColorADD é um marco significativo no caminho rumo a uma sociedade mais inclusiva. Acreditamos que a acessibilidade não deve ser uma opção, mas sim um valor intrínseco à inovação e à responsabilidade social”, afirma Miguel Neiva.
“Ao longo dos anos, e com cada vez maior frequência, a organização ColorADD recebe diariamente dezenas de contactos de todo o mundo a solicitar informações e contactos das marcas e organizações que disponibilizam produtos que permitem este nível de acessibilidade às pessoas com daltonismo. Por isso, o desenvolvimento ‘on going’ desta oferta que agora é lançada é algo em que a organização se empenhará diariamente para que cada vez mais e melhor se possa responder a uma necessidade real”, enfatiza André Macedo Teixeira, general manager ColorADD, responsável pelo projeto piloto.
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(Notícia atualizada às 10:12)
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