Repsol recupera controlo de operações na Venezuela e quer triplicar produção

Acordo com Caracas prevê sistema de pagamento garantido para evitar falhas do passado, num contexto de alívio de sanções e pressão dos Estados Unidos para reforçar oferta global de petróleo.
Repsol recupera controlo de operações na Venezuela e quer triplicar produção
Marta Fernández / AP / EURPRARC
Patrícia Vicente Rua 10:57

A espanhola Repsol está prestes a recuperar o controlo operacional dos seus ativos petrolíferos na Venezuela, no âmbito de um novo acordo com o governo de Caracas que inclui planos para aumentar significativamente a produção.

Segundo avançou o Financial Times, a empresa prevê triplicar a produção no país no prazo de três anos, com uma meta intermédia de crescimento de cerca de 50% já nos próximos 12 meses.

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O acordo inclui ainda a criação de um mecanismo de pagamento "garantido", desenhado para evitar incumprimentos por parte da Venezuela — um risco que marcou a relação da petrolífera com o país nos últimos anos e que levou à acumulação de uma dívida estimada em 4,55 mil milhões de dólares por fornecimentos de petróleo e gás.

A Repsol, que opera na Venezuela desde 1993, já tinha assegurado em 2023 a continuidade das suas operações na Venezuela, mas viu esse enquadramento ser interrompido quando o Presidente norte-americano Donald Trump retirou as licenças que permitiam a várias empresas ocidentais operar no país, como forma de pressionar o regime de Nicolás Maduro.

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O novo entendimento surge num contexto de reposicionamento da política norte-americana, com Washington a aliviar algumas restrições e a incentivar o regresso de investimento estrangeiro no setor petrolífero venezuelano.

O acordo envolve também a estatal PDVSA e segue-se a um entendimento semelhante alcançado entre a Chevron e o governo venezuelano, que permitirá à empresa norte-americana expandir operações no país.

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Apesar de deter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela tem registado uma quebra acentuada da produção nas últimas décadas, penalizada por sanções internacionais, problemas de gestão e falta de investimento. A produção ronda atualmente 1 milhão de barris por dia, muito abaixo dos cerca de 3,5 milhões atingidos na década de 90.

A Administração norte-americana tem vindo a pressionar as petrolíferas ocidentais a investir até 100 mil milhões de dólares na Venezuela, numa tentativa de aumentar a oferta global de crude e travar a subida dos preços num contexto de tensões no Médio Oriente.

Ainda assim, o país continua a ser visto com cautela por parte do setor. O CEO da ExxonMobil, Darren Woods, afirmou recentemente que a Venezuela permanece "não investível".

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