Entrada de italianos no capital da Impresa apenas em fevereiro

Antes de ser efetivado o acordo que permitirá aos italianos da MFE entrarem no capital da empresa, terá de ser votada a alteração dos termos do empréstimo obrigacionista de 48 milhões da SIC, para que não obriguem a um reembolso antecipado.
Impresa só vai receber investimento da MFE a partir de fevereiro
Pedro Catarino
Pedro Barros Costa 09 de Janeiro de 2026 às 20:10

A Impresa, a Impreger ("holding" da família Balsemão), e os italianos da MediaForEurope (MFE) assinaram um aditamento ao acordo de investimento para que este seja efetivado apenas após a votação em assembleia-geral da alteração dos termos do empréstimo obrigacionista da SIC, em fevereiro, que deverá impedir o seu reembolso antecipado, anunciou empresa de media portuguesa esta sexta-feira.

“Considerando a convocatória da referida Assembleia Extraordinária de Obrigacionistas para ter lugar no dia 6 de fevereiro de 2026 ou, em segunda convocatória, no dia 23 de fevereiro de 2026, as partes acordaram o aditamento de modo que a efetivação do Investment Agreement ocorra após a votação da alteração proposta aos termos e condições (independentemente do seu resultado)”, refere em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

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Recorde-se que os obrigacionistas da SIC vão ser chamados a votar em assembleia-geral a alteração às condições de reembolso antecipado das obrigações emitidas pela empresa no ano passado. Em vez desta facilidade poder ser acionada caso a família deixasse de ter a maioria do capital - o que vai acontecer com a entrada da MFE -, só poderá ser exercida caso fiquem com menos de um terço.

A SIC pretende que nas “situações de reembolso antecipado por opção dos obrigacionistas” passe a ler-se: “os sucessores legais do Dr. Francisco José Pereira Pinto de Balsemão deixarem de deter, direta ou indiretamente, pelo menos, um terço do capital social e dos direitos de voto da SIC”.

Atualmente, o texto das condições refere que o reembolso é possível se "o Dr. Francisco José Pereira Pinto de Balsemão, ou os seus sucessores legais, deixar de deter, direta ou indiretamente, a maioria do capital social e dos direitos de voto da SIC.”

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Esta alteração procura impedir que os detentores destes títulos de dívida avancem com um pedido de reembolso destes títulos de dívida de retalho emitidos no ano passado. Inicialmente, a SIC pretendia 30 milhões de euros, mas acabou por emitir 48 milhões de euros em obrigações “verdes” com um cupão de 5,95%.

No comunicado desta sexta-feira, a Impresa recorda que a “implementação do Investment Agreement representaria uma situação de possível reembolso antecipado. Assim, será sujeita a deliberação dos obrigacionistas, em Assembleia Extraordinária, as alterações necessárias aos termos e condições (…), deixando de ser exigível o reembolso antecipado em consequência da transação".

A entrada da MFE no capital fica apenas sujeita a uma condição, assinala o comunicado: que o acordo de investimento não implique o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a Impresa, o que será determinado pela CMVM.    

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O investimento da MFE, através de um aumento de capital de 17,325 milhões de euros implica a emissão de 82,5 milhões de novas ações a um preço unitário de 21 cêntimos. Uma vez concretizada, a MFE passará a deter 32,934% do capital da Impresa, enquanto a Impreger, da família Balsemão, verá a sua participação reduzida para 33,738%. Mantém-se como maior acionista individual, mas sem a maioria do capital, detendo, contudo, mais de um terço.

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