Negócio fechado. Altice vende francesa SFR por 20,4 mil milhões a concorrentes
Um consórcio de empresas francesas de telecomunicações, liderado pela Bouygues, chegou a acordo para adquirir a SFR, de Patrick Drahi, num negócio que avalia a segunda maior operadora móvel do país em 20,4 mil milhões de euros.
A Bouygues Telecom, a Orange e o Grupo Free–Iliad assinaram um memorando de entendimento com a Altice France para adquirir a SFR e dividir os seus ativos e clientes. O negócio está sujeito ainda a aprovação dos reguladores europeus, mas o consórcio espera fechar a documentação no segundo semestre deste ano, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2027.
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A concretizar-se, a venda eliminará um dos principais operadores móveis do mercado francês, uma vez que a Bouygues, a Iliad e a Orange pretendem dividir os ativos e clientes da SFR, reduzindo o número de quatro para três grandes empresas. Desde meados de abril que Drahi estava em negociações exclusivas com o consórcio.
O negócio será também um teste à regulação europeia. Os grupos europeus de telecomunicações têm, desde há vários anos, vindo a pressionar para que as regras de fusão da União Europeia sejam flexibilizadas, argumentando que a concorrência intensa limita a sua capacidade de gerar receita para investir em novas infraestruturas, tais como o 5G, redes de fibra ótica e centros de dados.
O acordo deve ser submetido a uma análise aprofundada pelas autoridades da concorrência para avaliar “as suas consequências no mercado, a diversidade da oferta, bem como o equilíbrio concorrencial», afirmou este domingo o ministro francês da Economia, Roland Lescure, em comunicado. “Acompanharemos esta operação com grande atenção, para garantir que as questões essenciais são plenamente tidas em conta: a preservação duradoura do emprego, o impacto nos preços para os consumidores e a manutenção dos investimentos de longo prazo nas redes por parte das operadoras.”
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Nos termos do acordo, a Bouygues pagará 42% do valor da SFR, ficando com a unidade das empresas, a MVNO Prixtel e a rede móvel da SFR em zonas de menor densidade do país, entre outros ativos. A Iliad, que pagará 31%, ficará com os 6 milhões de clientes RED da SFR, bem como parte do negócio de pequenas empresas. A Orange, que pagará 27%, ficará com parte da unidade business-to-consumer da SFR, bem como com os 4,9 milhões de clientes MVNO das marcas Régio, Syma e Coriolis (baixo custo).
O consórcio tem estado em negociações com Drahi há meses, depois de o milionário ter rejeitado ofertas anteriores. Drahi recusou uma oferta de 17 mil milhões de euros em outubro, insistindo num valor acima dos 20 mil milhões de euros. O objetivo do empresário é angariar fundos para reduzir o endividamento do grupo de telecomunicações, após anos de aquisições financiadas por dívida.
O grupo Altice está presente em Portugal através da MEO.
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