Rio Tinto - Quem é a "gigante" que quer investir em Portugal?

Endividamento é a principal fraqueza da empresa que resistiu, por duas vezes, à investida da BHP Billiton.
Negócios 25 de Outubro de 2011 às 07:00

A origem do nome Rio Tinto, invulgar para uma empresa anglo-saxónica, remonta ao nascimento da empresa, em 1873, quando um consórcio internacional de investidores comprou ao Governo espanhol um complexo de minas milenar em Huelva, na Andaluzia. O local é ainda hoje atravessado por um rio de fluxo avermelhado, extremamente ácido e férrico.

Como a maioria das empresas do sector, a Rio Tinto cresceu à força de fusões e aquisições. Mas foi apanhada desprevenida pela crise financeira de 2008. A última grande aquisição, da canadiana Alcan, quase desequilibrou a empresa pela dívida assumida numa operação que custou 38 mil milhões de dólares.

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O elevado nível de endividamento deixou vulnerável a empresa atraiu os concorrentes. Rejeitou por duas vezes unir-se a outra gigante do sector, a BHP Billiton. Depois de duas iniciativas de fusão, que a Rio Tinto sacudiu por "subestimar substancialmente o valor da empresa", foi a BHP Billiton que acabou por desistir do negócio, temendo os riscos da aposta num contexto de crise financeira.

O excesso de dívida continua a ser apontado como a principal fraqueza da Rio Tinto e, segundo os analistas, o principal responsável pela quebra das acções nos últimos três meses. A par, claro, da deterioração das perspectivas económicas em alguns dos principais mercados onde a empresa opera: América do Norte e Europa.

O CEO, Tom Albanese, reconheceu há um mês que alguns clientes (sobretudo europeus) estão a adiar a entrega de encomendas. "É notório que alguns mercados têm vindo a enfraquecer", disse o responsável em entrevista ao "Financial Times". A "fraqueza" não atingiu o mercado chinês, salientou.

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Recentemente, o analista Robert Clifford, do Deutsche Bank, reviu em alta o preço-alvo das acções, mantendo recomendação de "compra", considerando que o mercado exagerou na reacção a esses riscos. "A Rio Tinto conseguirá dar a volta ao endividamento", afirmou o Deutsche Bank.

Outro banco de investimento, o Oriel Securities, acredita que a recente decisão pela Rio Tinto de colocar à venda 13 unidades de produção de alumínio na Austrália e na Europa pode render 7,5 mil milhões de dólares. "Se este valor for atingido, vemos um grande potencial de valorização no valor do grupo", escreve a Oriel, que também recomenda "comprar" os títulos.

Essa é a recomendação mais comum entre os 31 analistas consultados pela Bloomberg, sendo que 27 aconselham "comprar" os títulos e apenas um "vender". O preço-alvo médio é de 5.036 pence de libra, o que pressupõe um potencial de valorização de cerca de 59% face à cotação actual de 3.151 pence.

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