Bolsas europeias sem rumo à espera de mais negociações e do BCE
Juros da dívida agravam-se na Zona Euro em semana repleta de decisões de política monetária
Dólar perde terreno com proposta do Irão para reabrir Ormuz
Ouro recua em semana de decisão da Fed sobre taxas de juro
Petróleo avança com impasse nas negociações entre EUA e Irão
Wall Street dividida em arranque de semana de resultados das "sete magníficas" e reunião da Fed
Taxa Euribor sobe três, a seis e a 12 meses
Europa negoceia no verde à espera de resposta dos EUA a plano do Irão. Nordex dispara 11%
Juros agravam-se em toda a linha na Zona Euro em semana de reunião do BCE
Dólar cai com investidores à espera da Fed e cancelamento de negociação entre EUA e Irão
Ouro avança com dólar mais fraco em semana de decisão da Fed
Petróleo avança após negociações diretas entre Washington e Teerão caírem por terra
Ásia fecha em alta e com novos recordes. Tecnológicas e negociações EUA-Irão impulsionam
Bolsas europeias sem rumo à espera de mais negociações e do BCE
As bolsas europeias terminaram a sessão sem tendência definida, numa altura em que os investidores avaliam uma agenda repleta de resultados trimestrais de algumas gigantes do bloco, decisões sobre taxas de juro - incluindo do Banco Central Europeu na quinta-feira - e o impasse nas negociações de paz entre os EUA e o Irão.
Segundo o site Axios, o Irão propôs a reabertura do estreito, mas apenas se os EUA pararem com o bloqueio naval às embarcações que saem e entram dos portos iranianos. O Irão recusa-se a negociar enquanto estiver a ser ameaçado pela ofensiva norte-americana e israelita, o que levou Donald Trump a cancelar a viagem dos seus enviados ao Paquistão para negociar.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – perdeu 0,3%, para os 608,84 pontos, pressionado pelos setores de viagens e lazer, tecnológicas e petróleo e gás, que caíram todos mais de 1%.
Os analistas explicam que o foco dos investidores se voltou novamente para os EUA, que parecem estar mais protegidos dos choques da guerra com o Irão graças aos lucros das empresas tecnológicas impulsionados pela IA e ao seu próprio abastecimento abundante de petróleo. O Stoxx Europe 600 subiu 2,8% este ano, o que contrasta com uma subida de 4,5% no S&P 500.
“A recente força do dólar impulsionou os retornos do mercado norte-americano à frente da Europa”, disse Joachim Klement, diretor de estratégia da Panmure Liberum, à Bloomberg. “Assim que a situação no Irão se acalmar novamente, o dólar vai enfraquecer, devolvendo a vantagem aos mercados europeus", considerou.
Esta segunda-feira marcou o início da semana mais movimentada desta época de resultados na Europa. "Até agora, os resultados financeiros não conseguiram substituir o Irão como principal tema das movimentações, mas, por baixo da superfície, podemos ver que as ações estão cada vez mais a libertar-se dos fatores relacionados com a guerra", afirmou Klement.
"Quaisquer sinais de progresso no Médio Oriente reduziriam o risco de efeitos de segunda ordem mais duradouros nos produtos relacionados com o petróleo", afirmou Stephan Kemper, estratega-chefe de investimentos da BNP Paribas Wealth Management. "Nesse sentido, o mercado e a economia estão a ficar sem tempo", acrescentou.
Entre os principais movimentos empresariais, a fabricante de turbinas eólicas Nordex registou uma subida de 5,7% após divulgar lucros que superaram as expectativas dos analistas. A Entain registou uma queda de 5,4%, na sequência da notícia de que um dos principais acionistas da empresa de jogos, a Eminence Capital, está a encerrar as suas atividades.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX recuou 0,19%, o italiano FTSEMIB ganhou 0,04%, o francês CAC-40 desvalorizou 0,19%, o espanhol IBEX ganhou 0,01%, ao passo que o neerlandês AEX tombou 1,15% e o britânico FTSE 100 registou perdas de 0,56%.
Juros da dívida agravam-se na Zona Euro em semana repleta de decisões de política monetária
Os juros da dívida soberana dos países da Zona Euro registaram subidas esta segunda-feira, que marca a entrada na nona semana de guerra no Médio Oriente, enquanto os investidores continuam a vender as obrigações dos países do bloco.
Os principais bancos centrais do mundo podem dar aos investidores novos motivos para vender títulos nesta semana marcada por decisões sobre taxas de juros pelos bancos centrais: Banco Central Europeu, Reserva Federal dos EUA, Banco do Japão e Banco de Inglaterra, que se veem obrigados a enfrentar o risco de um choque de subida de inflação impulsionado pela guerra.
Trata-se de uma semana rara em que todos os bancos centrais do G7 se reúnem, definindo em conjunto a política monetária de cerca de metade da economia mundial. Embora os investidores esperem que todos mantenham as taxas, os mercados estarão atentos a sinais de que as autoridades, incluindo o presidente da Fed, Jerome Powell, e a presidente do BCE, Christine Lagarde, estão preocupadas com a ameaça inflacionista decorrente da maior disrupção já registada no abastecimento de petróleo, decorrente do conflito entre EUA, Israel e Irão.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, agravaram-se em 3,9 pontos-base, para os 3,031%%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade subiu 4,9 pontos-base, para 3,684%. Já em Itália, os juros aceleraram 5,2 pontos para os 3,827%.
Pela Península Ibérica, a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos aumentou 4,2 pontos base para 3,434%, com a “yield” das obrigações espanholas a somar 4,6 pontos para 3,488%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, dispararam 6,1 pontos, para 4,971%. Nos EUA, os juros dos Treasuries sobem 2,7 pontos para 4,328%.
Dólar perde terreno com proposta do Irão para reabrir Ormuz
O dólar norte-americano está a desvalorizar face às principais divisas, em reação do mercado à notícia do Axios de que o Irão propôs a reabertura do estreito de Ormuz, mas com a condição de os EUA acabarem com o bloqueio naval às embarcações que saem e entram dos portos iranianos. Apesar de os investidores estarem animados com a possível passagem por este canal marítimo, a euforia não é a mesma de há duas semanas - quando a mesma condição estava em cima da mesa, mas em menos de 24 horas desapareceu.
Além disso, a esperança dos investidores por um acordo de cessar-fogo duradouro entre as duas partes começa a desaparecer. O ponto de discórdia estará no programa nuclear iraniano, com o país a recusar ceder nesse ponto. Qualquer acordo que deixe o programa nuclear iraniano praticamente inalterado poderá ser politicamente prejudicial para o presidente dos EUA.
O euro sobe 0,1% para 1,1733 dólares dos EUA e, face à divisa nipónica, o dólar desce 0,08% para 159,28 ienes e a libra ganha 0,14% para 1,3551 dólares. Já o índice do dólar da DXY perde 0,17% para 98,363 pontos.
Os investidores esperam também uma semana repleta de decisões dos bancos centrais sobre taxas de juro: Banco Central Europeu, Banco de Inglaterra e Reserva Federal dos EUA. A expectativa geral é de que a Fed mantenha as taxas de juros esta semana, o que deverá dar alguma força à "nota verde".
O dólar beneficiou com o conflito em março, devido ao aumento da procura por ativos-refúgio, mas perdeu a maior parte desses ganhos devido às expectativas de um acordo de paz em abril. Nos últimos dias, a moeda estabilizou após o impasse nas negociações entre EUA e Irão.
Já o euro valorizou para 1,18 dólares após o anúncio do cessar-fogo no início de abril. Os EUA estão menos expostos ao impacto negativo da subida dos preços do petróleo do que a Zona Euro e o Japão - ambos fortemente dependentes das importações de petróleo. Embora os mercados acreditem que o BCE esteja inclinado a adotar uma postura mais restritiva para lidar com o choque energético, espera-se que os responsáveis mantenham também as taxas de juros na reunião desta semana.
As expectativas para o Banco do Japão são as mesmas, mas os investidores antecipam que sinalize prontidão para aumentar os juros em junho .
Ouro recua em semana de decisão da Fed sobre taxas de juro
Os preços do ouro estão a descer nos mercados internacionais esta segunda-feira que marca a entrada na nona semana de guerra entre EUA e Irão e em semana de decisão da Reserva Federal para as taxas de juro.
As preocupações com a inflação continuam elevadas, à medida que o choque energético persiste, decorrente do bloqueio do estreito de Ormuz, fechado há praticamente dois meses. Segundo o site Axios, o Irão propôs a reabertura do estreito, mas apenas se os EUA pararem com o bloqueio naval às embarcações que saem e entram dos portos iranianos. O Irão recusa-se a negociar enquanto estiver a ser ameaçado pela ofensiva norte-americana e israelita, o que levou Donald Trump a cancelar a viagem dos seus enviados ao Paquistão para negociar.
O banco central norte-americano anuncia esta semana a sua decisão sobre taxas de juro, com o mercado à espera que a Fed as deixe inalteradas por mais tempo, naquela que deverá ser a última reunião com Jerome Powell na liderança do banco central. Neste contexto, o metal amarelo recua 0,65% para 4.678,81 dólares por onça.
O ouro encontra-se "numa zona neutra do ponto de vista técnico", afirmou Nicky Shiels, diretor de investigação e estratégia de metais da MKS PAMP, numa nota citada pela Bloomberg. "A convicção é fraca, as grandes alocações permanecem à margem, o mercado físico apresenta resultados mistos e 'perdido' é provavelmente a palavra mais honesta para descrever a situação atual do mercado", acrescentou.
"A roleta das notícias sobre o “cessar-fogo sim/cessar-fogo não” tem condicionado o mercado", disse Shiels. "Com o ouro a comportar-se agora como um ativo de risco - negativamente correlacionado com o petróleo, vagamente positivamente correlacionado com as ações, mas um indicador pouco fiável para ambos - há pouca vontade de comprá-lo abaixo dos 5.000 dólares".
Petróleo avança com impasse nas negociações entre EUA e Irão
Os preços do "ouro negro" estão a ganhar terreno nos mercados internacionais, na nona semana de guerra no Médio Oriente, numa altura em que o estreito de Ormuz continua praticamente intransitável e os esforços para negociações entre os EUA e o Irão estão estagnados.
Esta manhã, o site Axios avançou que o Irão propôs reabrir este canal marítimo vital por onde passa 20% do crude consumido a nível mundial, mas sob a condição de os EUA acabarem com o bloqueio naval que têm em curso aos navios que se destinam ou têm origem nos portos iranianos.
O West Texas Intermediate (WTI), referência para os EUA, soma 1,93% para 96,22 dólares por barril, enquanto o Brent, referência para a Europa, ganha 2,29% para 107,74 dólares por barril.
Também durante o fim de semana, o presidente Donald Trump cancelou a viagem dos seus enviados ao Paquistão, onde as negociações estão a ser mediadas, enquanto Teerão afirmou que não vai negociar enquanto estiver a ser ameaçado. Espera-se que Trump realize hoje uma reunião com a sua equipa de topo de segurança nacional e política externa para discutir o impasse.
"O mundo está a viver de barris emprestados e de tempo ganho até que o estreito de Ormuz reabra", afirmou Bjarne Schieldrop, analista-chefe de matérias-primas da SEB, à Bloomberg. "Os sinais de alarme vão soar alto se o estreito não reabrir durante o mês de maio e uma recessão global é garantida se não reabrir a tempo", alertou.
Quanto mais tempo o estreito de Ormuz continuar fechado, mais o consumo terá de ser reajustado em baixa, de modo a acompanhar uma queda de pelo menos 10% na oferta, segundo os operadores do mercado citados pela agência financeira. Uma perda de 1.000 milhões de barris já está praticamente garantida - mais do dobro das reservas de emergência que os governos libertaram após o conflito.
A chamada "destruição da procura", com o corte por parte das companhias aéreas no número de voos previstos, deverá alastrar-se.
Wall Street dividida em arranque de semana de resultados das "sete magníficas" e reunião da Fed
Os principais índices norte-americanos negoceiam divididos, com o S&P 500 e Nasdaq Composite a manterem-se perto de máximos históricos no arranque de uma semana que contará com a apresentação de resultados trimestrais de algumas das maiores cotadas norte-americanas e com a decisão de política monetária da Reserva Federal (Fed). No meio de tudo isto, os investidores mantêm-se ainda atentos a desenvolvimentos no Médio Oriente, depois de Donald Trump ter cancelado a viagem dos enviados especiais dos Estados Unidos (EUA) para negociações que se esperava terem tido lugar durante o fim de semana no Paquistão.
Neste contexto, o S&P 500 ganha ligeiros 0,01%, para os 7.165,51 pontos. O Nasdaq Composite cede 0,19%, para os 24.789,34 pontos. Já o Dow Jones, por sua vez, valoriza 0,14% para os 49.299,57 pontos.
Segundo informação avançada pela agência de notícias Axios, depois de o encontro entre representantes das duas partes no Paquistão ter sido cancelado, Teerão deu a entender – numa carta enviada à Administração norte-americana - que aceitaria um acordo provisório para reabrir o estreito de Ormuz em troca do levantamento, por parte dos EUA, do bloqueio aos portos iranianos.
Ainda assim, os EUA ainda não terão respondido à proposta apresentada, sendo ainda incerto qual será o rumo da guerra iniciada há dois meses, fator que está a impulsionar os preços do crude nesta segunda-feira.
O S&P 500 já subiu quase 10% este mês, na sequência de uma forte recuperação das fabricantes de chips e de resultados robustos por parte de cotadas, ajudando o índice de referência a recuperar todas as perdas que vinha a registr desde o estalar da guerra no golfo Pérsico.
E numa semana que se antecipa como uma das mais movimentadas do ano até agora, quatro das “sete magníficas” — Alphabet, Microsoft, Amazon.com e Meta Platforms — vão divulgar os seus resultados na quarta-feira, seguidos pela Apple um dia depois. Representando cerca de um quarto da capitalização de mercado do S&P 500, estas empresas darão aos investidores uma indicação clara sobre se a recuperação que se tem vivido entre os índices bolsistas norte-americanos é sustentável.
“Os mercados procuram uma nova narrativa e, por agora, estão a voltar a apostar no boom da IA”, disse à Bloomberg Joachim Klement, da Panmure Liberum. No entanto, acrescenta, “a maioria dos investidores parece estar a agir sob o peso da incerteza e continua a avaliar as repercussões da guerra no Irão. Isto poderá significar que em breve surgirá um novo cenário macroeconómico”.
Na quarta-feira, também a Reserva Federal anunciará a sua decisão sobre as taxas de juro, sendo esperado que a autoridade de política monetária mantenha os juros diretores inalterados.
Noutro dos eventos que marcará a semana, está agendada para quarta-feira a votação da Comissão Bancária do Senado sobre a nomeação de Kevin Warsh para o cargo de presidente da Fed. Espera-se que Warsh seja confirmado como sucessor de Jerome Powell, cujo mandato termina a 15 de maio, depois de o senador republicano Thom Tillis ter anunciado que iria retirar o seu bloqueio à nomeação.
Entre os movimentos do mercado, o grupo norte-americano Organon segue a disparar mais de17%, depois de a farmacêutica indiana Sun Pharma ter anunciado que concluiu um acordo para adquirir a empresa americana, especializada em saúde das mulheres, por um montante avaliado em 11.750 milhões de dólares (cerca de 10.000 milhões de euros). O maior laboratório farmacêutico indiano comprará a totalidade das ações da Organon ao preço de 14 dólares por ação, no âmbito de uma transação totalmente em dinheiro, indicaram as duas empresas num comunicado conjunto.
Quanto às “big tech”, a Apple cai 1,34%, a Nvidia ganha 0,64%, a Alphabet sobe 0,54%, a Amazon perde 0,55%, a Microsoft desvaloriza 0,99% e a Meta avança 0,38%.
Taxa Euribor sobe três, a seis e a 12 meses
A taxa Euribor subiu hoje a três, a seis e a 12 meses em relação a sexta-feira, numa semana mais curta e durante a qual se realiza a reunião de política monetária do BCE.
Com as alterações de hoje, a taxa a três meses, que avançou para 2,170%, continuou abaixo das taxas a seis (2,465%) e a 12 meses (2,763%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou hoje, ao ser fixada em 2,465%, mais 0,006 pontos do que na sexta-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a fevereiro indicam que a Euribor a seis meses representava 39,18% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,73% e 24,79%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também subiu hoje, para 2,763%, mais 0,028 pontos do que na sessão anterior.
No mesmo sentido, a Euribor a três meses avançou hoje, ao ser fixada em 2,170%, mais 0,007 pontos.
Em março, a média mensal da Euribor subiu nos três prazos, mas de forma mais acentuada nos dois mais longos.
A média mensal da Euribor em março avançou 0,098 pontos para 2,109% a três meses. Já a seis e a 12 meses, a média da Euribor subiu 0,178 pontos para 2,322% e 0,344 pontos para 2,565%.
A próxima reunião de política monetária do BCE (Banco Central Europeu), a segunda depois do início da guerra contra o Irão, realiza-se em 29 e 30 de abril em Frankfurt, Alemanha.
Na primeira reunião desde o início da guerra, em 19 de março, o BCE manteve as taxas diretoras, pela sexta reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções das mesmas desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Europa negoceia no verde à espera de resposta dos EUA a plano do Irão. Nordex dispara 11%
Os principais índices europeus negoceiam com ganhos em toda a linha, à exceção da bolsa de Amesterdão, depois de terem arrancado a sessão com uma maioria de perdas, à medida que os investidores centram atenções no Médio Oriente para tentar perceber se os Estados Unidos (EUA) estarão dispostos a aceitar um plano enviado pelo Irão a mediadores paquistaneses que contempla, inclusive, a reabertura do estreito de Ormuz.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – avança 0,05%, para os 610,95 pontos, depois de no conjunto da semana ter cedido mais de 2,50%.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX avança 0,38%, o italiano FTSEMIB ganha 0,09%, o francês CAC-40 valoriza 0,25%, o espanhol IBEX soma 0,33%, ao passo que o neerlandês AEX cai 0,32% e o britânico FTSE 100 regista ligeiros ganhos de 0,04%.
Esta segunda-feira marca o início do período mais movimentada da época de resultados do primeiro trimestre na Europa. E “até agora, os resultados financeiros não conseguiram substituir o Irão como principal tema de destaque, mas, por baixo da superfície, podemos ver que as ações estão cada vez mais a libertar-se dos fatores relacionados com a guerra”, disse à Bloomberg Joachim Klement, da Panmure Liberum.
O índice de referência da região está agora atrás dos seus pares globais, com os preços mais elevados da energia a pesarem sobre o crescimento económico do Velho Continente e a pressionar o apetite dos investidores por ativos de risco.
Nesta medida, no conjunto deste ano, o “benchmark” Stoxx 600 subiu cerca de 3% até agora, em comparação com um aumento de 4,7% no norte-americano S&P 500. “A recente força do dólar impulsionou os retornos do mercado norte-americano para além dos europeus”, sublinhou Klement. “Assim que a situação no Irão se acalmar novamente, o dólar enfraquecerá, devolvendo a vantagem aos mercados europeus”, resumiu o mesmo especialista.
Entre os setores, o do petróleo e gás (+0,81%) lidera as subidas – acompanhando a valorização dos preços do crude nos mercados internacionais -, seguido pelo do aeroespaço e defesa (+0,52%) e do retalho (+0,54%). Entre as perdas, destaca-se o setor das seguradoras (-0,46% e o tecnológico (-0,45%).
Já quanto aos movimentos do mercado, a fabricante alemã de turbinas eólicas Nordex segue a disparar mais de 11%, após ter divulgado lucros referentes ao primeiro trimestre que superaram as expectativas dos mercados.
Juros agravam-se em toda a linha na Zona Euro em semana de reunião do BCE
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro negoceiam com agravamentos em toda a linha, influenciados por uma nova subida dos preços do crude nos mercados internacionais, numa semana em que se espera que tanto o Banco Central Europeu (BCE) como o Banco de Inglaterra mantenham os juros inalterados nos atuais níveis devido à incerteza sobre o impacto da guerra no golfo Pérsico nas respetivas economias.
Neste contexto, os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, agravam-se em 1,6 pontos-base, para 3,408%. Em Espanha, a "yield" da dívida com a mesma maturidade avança 2 pontos-base, para os 3,462%.
Já os juros da dívida soberana italiana sobem 2,3 pontos, para 3,798%. Por sua vez, a rendibilidade da dívida francesa escala 2,2 pontos, para 3,657%, ao passo que os juros das "bunds" alemãs, referência para a região, sobem 1,6 pontos, para os 3,008%.
Já fora da Zona Euro, os juros das “gilts” britânicas, também a dez anos, avançam 2,8 pontos-base, para os 4,938%.
Dólar cai com investidores à espera da Fed e cancelamento de negociação entre EUA e Irão
O dólar está a registar ligeiras desvalorizações na sessão desta segunda-feira, com o cancelamento das negociações diretas entre Estados Unidos (EUA) e o Irão previstas para este fim de semana a deixarem os investidores de pé atrás quanto a uma possível resolução rápida do conflito, numa semana em que se aguarda por decisões de vários bancos centrais, incluindo o norte-americano, o do Japão, Zona Euro e Reino Unido.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – cede 0,21%, para os 98,325 pontos. O dólar beneficiou em março de uma maior procura enquanto ativo-refúgio, mas perdeu a maior parte desses ganhos com as esperanças de que um acordo de paz possa estar perto de ser alcançado.
Nesta medida, face à divisa nipónica, o dólar recua 0,16%, para os 159,450 ienes antes da reunião de política monetária do Banco do Japão prevista para o final da semana. E apesar da incerteza em torno da guerra no golfo Pérsico, o sentimento dos “traders” melhorou durante a noite depois de a Axios ter noticiado, citando fontes, que o Irão apresentou aos EUA uma nova proposta, através de mediadores paquistaneses, para reabrir o estreito de Ormuz e pôr fim à guerra, com as negociações nucleares adiadas para uma fase posterior.
Por cá, o euro soma 0,20%, para os 1,175 dólares. Já a libra avança 0,13%, para 1,355 dólares.
Pela maior economia mundial, espera-se que a Reserva Federal mantenha as taxas inalteradas no seu encontro desta semana. Os EUA estão menos expostos ao impacto adverso da subida dos preços do petróleo do que a Zona Euro e o Japão, que dependem fortemente das importações de crude.
E mesmo que os mercados considerem que o Banco Central Europeu está inclinado a adotar uma postura mais restritiva para fazer face ao choque energético, esperam que os responsáveis da autoridade de política monetária mantenham as taxas inalteradas na reunião desta semana.
Ouro avança com dólar mais fraco em semana de decisão da Fed
O ouro está a negociar de forma estável com ligeiras valorizações, à medida que os “traders” evitam fazer grandes apostas enquanto aguardam por esclarecimentos em relação às negociações de paz entre os EUA e o Irão, após terem sido suspensas as conversações planeadas para este fim de semana, ainda que Teerão tenha enviado, segundo a Axios, um plano à Administração norte-americana que prevê a reabertura do estreito de Ormuz.
A esta hora, o ouro sobe 0,15%, para os 4.716,560 dólares por onça. No que toca à prata, o metal precioso avança 1,76%, para os 76,06 dólares por onça. Na semana passada, o metal amarelo caiu 2,5%, quebrando uma sequência de quatro semanas de ganhos.
A apoiar o ouro está ainda um dólar mais fraco, que segue a perder terreno após o plano enviado por Teerão a mediadores paquistaneses.
Isto depois de Trump ter cancelado no sábado uma viagem de dois enviados dos EUA ao Paquistão, fator que foi visto como um revés para as perspetivas de paz na região do Médio Oriente.
Preços mais elevados do petróleo, que segue a valorizar esta manhã, estão também a alimentar preocupações quanto à escalada da inflação, aumentando a probabilidade de taxas de juro mais elevadas. E embora o ouro seja considerado uma proteção contra a inflação, taxas de juro mais altas prejudicam a procura pelo metal amarelo enquanto ativo-refúgio.
Os investidores aguardam agora pela decisão da Reserva Federal dos EUA na quarta-feira para perceberem qual será o rumo seguido pela autoridade de política monetária e quais as perspetivas apresentadas para o futuro próximo.
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