Juros caem na Europa ao som de Daft Punk
Os custos associados às dívidas públicas da generalidade dos países da Zona Euro inverteram a toada de agravamento que se registava esta terça-feira já depois de um membro do Banco Central Europeu ter dado garantias quanto ao papel da autoridade monetária no controlo dos juros da dívida, uma garantia feita a partir de um refrão do agora extinto duo de música eletrónica Daft Punk.
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Fabio Panetta, que tem assento na comissão executiva do BCE, defendeu que a instituição liderada por Christine Lagarde, que tem uma reunião agendada para dentro de menos de uma semana para discutir o futuro da política monetária no espaço da moeda única, deve reforçar o programa de compra de ativos através do qual, no contexto da pandemia, tem assegurado a manutenção de juros baixos na Zona Euro.
Panetta sustentou que o BCE não só deve reforçar o programa de compras como esgotar todo o montante previsto no pacote de aquisição de dívida atualmente em vigor.
O italiano tentou ainda transmitir uma mensagem tranquilizadora para os mercados receosos da reflação (subida da inflação acompanhada de retoma económica), garantindo que o recente aumento da inflação, em parte justificado pelo agravamento das "yields", correspondente essencialmente a um fenómeno temporário e não de longo prazo, sobretudo numa fase em que os riscos de curto prazo cresceram devido à demora nos processos de vacinação contra a covid-19 e à imposição de confinamentos em diversos países.
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Fabio Panetta resumiu então aquilo que deve ser a ação do BCE recorrendo a um título/refrão de uma faixa conhecida do duo francês de música eletrónica Daft Punk, que recentemente anunciou o fim de uma parceria iniciada no começos dos anos 1990.
"Harder, better, faster, stronger", citou. Numa tradução livre, Panetta disse que o BCE deve agir de forma "mais sólida, melhor, mais rápido e com mais força".
Na sequência destas declarações, a maior parte dos juros que seguiam em alta na área do euro inverteu para a queda. A "yield" associada à dívida pública portuguesa com prazo a 10 anos recua 0,5 pontos base para 0,211%, enquanto as taxas de juro referentes aos títulos soberanos de Espanha e da Alemanha caem respetivamente 0,05 e 1,8 pontos base para 0,317% e para -0,355% na mesma maturidade.
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Em sentido oposto, a "yield" relativa às obrigações soberanas da Itália com vencimento a 10 anos avança 1,7 pontos base para 0,673%; no entanto estes títulos apresentam a particularidade de estarem a corrigir face ao forte ciclo de descidas que levaram a taxa de juro transalpina para mínimos de sempre devido à confiança resultante da ida de Mario Draghi para a chefia do governo do país.
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