Portugal volta a emitir dívida em moeda chinesa. Faz colocação privada de 249 milhões

Depois das “panda bonds” em 2019, o país recorreu agora a títulos de dívida de médio prazo — Euro Medium Term Notes (EMTN) — em renminbi “offshore”.
Pedro Cabeços é o presidente do IGCP.
João Cortesão / Medialivre
Leonor Mateus Ferreira 12:39

Portugal voltou a financiar-se em moeda chinesa. No início do mês realizou uma colocação privada do equivalente a 249 milhões de euros em renminbi “offshore” (CNH), segundo anunciou esta quinta-feira a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública — IGCP. A taxa de juro foi fixada em 1,765%.

“No dia 9 de abril de 2026, o IGCP realizou a sua primeira emissão em CNH, numa colocação privada com um prazo de 8 anos e um montante de CNH 1.990 milhões, o equivalente a EUR 249 milhões”, indica o comunicado do instituto liderado por Pedro Cabeços, explicando que a operação reforça a “diversificação da oferta de instrumentos de dívida por parte de Portugal”.

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A moeda chinesa “offshore” é negociada fora da China continental (tipicamente em praças como Hong Kong, Londres ou Singapura) pelo que este tipo de ativo destina-se a investidores com exposição ao renminbi, mas não necessariamente na China. A opção foi escolhida depois de, em 2019,

A emissão das chamadas obrigações Dim Sum — com origem em Hong Kong — foi realizada ao abrigo do novo programa Euro Medium Term Notes (EMTN) — ou seja, títulos de dívida a médio prazo — de 15 mil milhões de euros da República Portuguesa e complementa outras emissões de EMTN com colocação privada já realizadas este ano.

Até ao momento foram emitidos 599 milhões de euros de EMTN em 2026. Além da emissão em renminbi “offshore”, a 18 de fevereiro, o país colocou 150 milhões de euros a 12 anos, com taxa de juro fixa de 3,4% nos primeiros dois anos e, nos seguintes, com taxa de juro variável determinada por Euribor a seis meses acrescida de um prémio de 0,50% (com um mínimo de 2,15% e um máximo de 3,65%).

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A 1 de abril, emitiu 100 milhões a três anos com taxa de juro variável determinada pela Euribor a três meses (com um mínimo de 1,75%). E a 15 de abril, colocou ainda 100 milhões com maturidade de sete anos e opção de reembolso antecipado por parte da República ao fim do terceiro ano, com uma taxa de juro fixa de 3,095%.

“De forma a alinhar o perfil de risco das emissões com o das restantes fontes de financiamento da República foram simultaneamente realizadas operações de cobertura (de taxa de juro e taxa de câmbio) que permitiram que o custo ”all-in” de cada uma das quatro emissões fosse fixado numa taxa de juro inferior à taxa de juro das Obrigações do Tesouro transacionadas em mercado secundário (para as respetivas maturidades)”, explica ainda o IGCP.

No total do ano, em EMTN, considerando a agência que este programa “complementa” a estratégia de financiamento da República, “ao permitir o acesso a mercados alternativos, diversificar as fontes de financiamento e atrair novos investidores a um custo favorável”.

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