Portugal acelera caminho da neutralidade carbónica

Apesar de ver com bons olhos as conquistas do nosso país, a Associação Zero pede cautela, nomeadamente no que respeita aos crescentes pedidos de instalação de grandes centrais fotovoltaicas em espaços não ocupados pelo Homem.
22 de Março de 2021 às 12:51

"Portugal tem sido um dos países que mais têm apostado nas energias renováveis." Quem o garante é Filipa Alves, da Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, que lembra ter-se conseguido "uma produção muito significativa de eletricidade por esta via", antecipando, "em vários anos o abandono do carvão, o combustível fóssil mais poluente de todos, na produção de eletricidade, acelerando significativamente o caminho da neutralidade carbónica neste setor".

 

No entanto, esta responsável lembra que se estão a verificar "inúmeros pedidos de instalação de grandes centrais de painéis fotovoltaicos em espaços não ocupados pelo Homem". A Associação Zero pede cautelas acrescidas nestes casos, já que, a se concretizarem, "vão conduzir a uma transformação significativa da paisagem e a uma maior humanização da mesma". Ora, diz Filipa Alves que "esta questão não pode ser vista apenas a nível individual, nem local, mas tem de ser vista de uma forma estratégica e integrada a nível nacional". Até porque, cada vez é mais evidente "que a preservação das zonas naturais e a naturalização das zonas ocupadas pelo Homem são uma vantagem no combate e adaptação às alterações climáticas".

 

  

População está mais interessada

 

De qualquer forma, Filipa Alves refere que "as pessoas e organizações estão cada vez mais preocupadas e procuram estar cada vez mais informadas" em matéria de energias renováveis. A ideia é "dar o seu contributo para reduzir a emissão de gases com efeito de estufa" sabendo-se que "o investimento e a utilização de sistemas de energias renováveis são um importante contributo neste caminho urgente que precisamos de fazer".

 

No entanto, muitas vezes, ao nível da informação, as pessoas se deparam "com os problemas de perceber a legislação em vigor e como podem fazer o investimento em energias renováveis ao abrigo dessa legislação, bem como ter acesso a apoios que possam surgir".

 

Ainda assim, o Governo tem apostado neste campo, "tendo ajudado a criar condições de mercado para que já não seja necessário dar apoios tão significativos neste setor", recorda. No entanto, a responsável da Zero considera que "as medidas a tomar devem ir no sentido de apoiar mais a aplicação dos sistemas fotovoltaicos em espaços/edifícios já ocupados pelo Homem" e limitar "a instalação de mais centrais fotovoltaicas de grandes dimensões em terrenos por todo o país". É ainda necessário que a legislação existente para a constituição das comunidades de energia "se torne de fácil aplicação, para que os cidadãos sejam parte da solução", bem como a operacionalização da possibilidade do autoconsumo coletivo.

 

O caminho da UE

 

Em termos comunitários, Filipa Alves acredita que "o Green Deal veio aumentar a ambição climática para a União Europeia". No entanto, lembra que "esta nova meta de 55% de redução de emissões para a União Europeia não está ainda em linha com o objetivo do Acordo de Paris, de limitar o aumento de temperatura média global a 1,5 °C relativamente ao nível pré-industrial". Na verdade, "esta meta é ainda insuficiente, uma vez que para se cumprir o acordo exige-se uma redução de 65% das emissões em 2030".