Miguel Lopes - WeDo 31 de Maio de 2005 às 18:24

Os novos desafios de Controlo Operacional nas Instituições Financeiras

Recentemente, um banco europeu de referência foi sentenciado a pagar com juros, aos seus clientes, os arredondamentos por excesso que fez no cálculo das prestações dos empréstimos à habitação.

Este tipo de situações, e outras, levam as entidades supervisoras a reforçar e garantir, junto das instituições financeiras, um maior controlo operacional, atenuando o risco de perda de receita e de falhas na qualidade de serviço. Estas podem resultar da inadequação e/ou falhas dos processos internos (pessoas e sistemas) ou eventos externos.

A maturidade dos mercados financeiros europeus exige às diversas instituições um foco acentuado num desempenho superior e numa organização de excelência, através da captura de sinergias entre as diferentes unidades de negócio, da modernização tecnológica e da melhoria dos processos administrativos e de tomada de decisão.

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Efectivamente, as instituições financeiras têm vindo a reforçar um conjunto de mecanismos para garantir o controlo de processos e a garantia de receitas. Embora tradicionalmente suportados por métodos de validação manuais, auditorias periódicas e uma abordagem qualitativa, hoje estão a conduzir um conjunto de iniciativas que visam a automatização dos mecanismos de controlo sobre os seus principais processos de negócio, reforçando cada vez mais uma abordagem quantitativa.

O actual desafio é a implementação de uma infra-estrutura centralizada de controlo, actuando ao nível de Controlo de Processos, Gestão de Risco Operacional, Garantia de Receitas e Qualidade de Serviço. Esta infra-estrutura deverá monitorar ‘end-to-end’ os processos mais críticos, apresentando indicadores e alarmes de risco. Deve também permitir gerir as respectivas actividades de prevenção e mitigação, com base em dados actualizados e históricos, de forma integrada, centralizada e atempada.

Este modelo de controlo passa, em primeiro lugar, pela capacidade de obtenção de dados, quase em tempo real, a partir de múltiplos sistemas, permitindo a sua agregação por diversas dimensões (origem, cliente, tipo de produto/serviço, etc...).

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Em segundo lugar, passa pela verificação contínua de coerência entre processos e sistemas aplicando regras de negócio (validações intra e inter processos, validações entre sistemas e validações de dados históricos), produzindo e apresentando indicadores estatísticos e alarmes com informação sobre as incoerências e falhas detectadas. Deve permitir a apresentação e distribuição de relatórios globais e detalhados pelas diferentes áreas dentro da instituição, nomeadamente Gestão de Risco, Auditoria, Sistemas de Informação, Regulação, etc.

Em terceiro lugar, este modelo de controlo passa pela análise das situações detectadas, pela criação de uma base de dados histórica de falhas e perdas e pela gestão dos problemas detectados através de um workflow.

Os benefícios resultantes desta abordagem são claros e significativos:

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1) A optimização da alocação de capital, minimizando as necessidades de reservas para cobrir o risco operacional e permitindo a sua utilização em actividades geradoras de retorno financeiro;

2) A melhoria dos níveis de responsabilização, permitindo monitorar e medir os principais pontos de risco;

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3) A protecção contra perdas de receita no mercado;

4) A melhoria global do desempenho do negócio e da eficiência operacional da organização.

As instituições financeiras têm, cada vez mais, ao seu alcance os meios necessários para responder ao importante desafio de aperfeiçoar e melhorar os seus mecanismos de controlo operacional.

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