Empresas Morreu Belmiro de Azevedo

Morreu Belmiro de Azevedo

Belmiro de Azevedo morreu esta quarta-feira, aos 79 anos, no Porto. Deixa atrás de si um percurso singular na história do empresariado português que marcou o século XX no país.
Miguel Baltazar - Fotografia ,Paulo Duarte - fotografia,Pedro Elias - Fotografia e Pedro Aperta - Fotografia
Paulo Zacarias Gomes 29 de novembro de 2017 às 15:56
O líder histórico da Sonae, Belmiro de Azevedo, morreu esta quarta-feira aos 79 anos, avançou a RTP. Segundo a televisão pública, o empresário morreu no hospital da CUF, no Porto, onde estava internado desde segunda-feira passada.

Afastado formalmente da vida da empresa desde 2015, quando anunciou a decisão de não se recandidatar a novos cargos na administração, começara em 2007 a passagem do testemunho ao filho Paulo Azevedo, quando este assumiu o cargo de chairman executivo e Belmiro ficou como presidente do conselho de administração. Em 2013 é outro membro da família que lhe sucede na presidência da Sonae Capital, a filha Cláudia Azevedo.

Belmiro Mendes de Azevedo nasceu a 17 de Fevereiro de 1938 em Tuías, Marco de Canaveses. Começou a vida profissional na têxtil Efanor, em Matosinhos. É a empresa com este mesmo nome que, ainda hoje, detém a maioria do capital da Sonae.

Em 1965 chega à direcção de Investigação e Desenvolvimento na Sociedade Nacional de Estratificados (Sonae), uma empresa fundada em 1959 e que acabaria por tornar-se na marca emblema do seu grupo. Dois anos depois, chega a director-geral da empresa, passando a partir daí a sua história a confundir-se com o percurso do seu líder, ao longo de 50 anos.

"A minha primeira tarefa na Sonae" foi "destruir para voltar a construir," recordaria ao fim de meio século na sessão de comemoração do aniversário da sua presença no grupo. Aquilo que, em 1965 via na empresa "não servia para a Sonae", constata. Propôs ao dono, Pinto de Magalhães, uma "gestão completamente profissional".

A carregar o vídeo ...

Uma visão que viria a implementar - com o 25 de Abril ficou definitivamente ao leme da empresa - mas que lhe valeu alguns amargos de boca junto da família do proprietário, recordou na ocasião.

Nos anos 80 do século passado, Belmiro de Azevedo estende a actividade da empresa a outros ramos, desde logo com a colocação em bolsa da Sonae Investimentos, em 1983. Entre 1980 e 1989, entra nas áreas da construção (Contacto), da restauração (Ibersol) e na hotelaria, abrindo em 1986 o Sheraton no Porto. 

Em 1991, cria a Fundação Belmiro de Azevedo, que fica com as funções de mecenato do grupo, em áreas como a educação e a cultura e a que está ligado o seu filho mais velho, Nuno Azevedo.

Em 1987 leva sete empresas do grupo ao mercado de capitais. Dois anos depois dá-se a primeira entrada na área da comunicação social, com a Rádio Nova. No ano seguinte, 1990, seria lançado o jornal Público. Daí às telecomunicações bastaram oito anos, com a criação da Optimus, a quem foi atribuída uma das três licenças da rede móvel. 

Seria nesta área, a das telecomunicações, que travaria uma das mais mediáticas batalhas da sua vida empresarial, com o lançamento da OPA da Sonaecom sobre a PT e a PT Multimedia, em 2006, um ano antes da passagem de testemunho a Paulo Azevedo. Uma operação que ficaria pelo caminho, com acusações de interferência política no desfecho negativo da oferta.

A OPA falhada, juntamente com a saída do mercado brasileiro - onde a aposta na distribuição também não correu bem - foram apontadas em 2015 pelo próprio como "exemplos que deixaram cicatrizes" mas com os quais, defendeu, a empresa "soube aprender".

Outra das áreas - talvez a mais simbólica - em que a empresa se evidenciou foi no retalho, com a inauguração em 1985 do primeiro hipermercado da insígnia Continente, em Matosinhos. Hoje tem mais de 260 lojas a nível nacional, segundo dados do site da empresa.

Hoje o grupo está presente em 90 países, em áreas que vão do retalho alimentar, electrónico e de vestuário, até à gestão de activos imobiliários, às telecomunicações, aos serviços financeiros e à gestão dos centros comerciais. Em Julho passado, a revista Exame colocava Belmiro de Azevedo como o quarto homem mais rico do país, com uma fortuna avaliada em 1.311 milhões de euros. Na lista da Forbes, detém a 1.376.ª fortuna a nível mundial.

Licenciado em Engenharia pela Universidade do Porto, Belmiro de Azevedo passou ainda pela Harvard Business School com o "Program for Management Development". Detinha ainda três pós-graduações em gestão financeira, gestão estratégica e estratégia global. 

Há dois anos, na sessão comemorativa de meio século da sua entrada na Sonae, concluía sobre o percurso da empresa que liderou ao longo de décadas: "O saldo é claramente positivo. (...) 50 anos depois, uma empresa que estava praticamente falida prepara-se para ser efectivamente a maior e mais importante ‘long-living company’ da história portuguesa".


(Notícia actualizada às 17:23 com mais informação)



A sua opinião26
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado fernandolucas Há 1 semana

Deixa-nos um dos melhores gestores do período democrático. Não faltam exemplos de boas decisões tomadas e os resultados do Grupo, no período da sua liderança, falam por ele. Concorde-se ou discorde-se dele, ninguém está dispensado de respeitar a sua memória.

comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

O Tipo das golpadas na bolsa foi pró DIABO , que espere por mim durante mto tempo , A ultima do " empresario " ranhoso foi a do AC da SONAIND...s´p nessa roubou 35M€ aos pq investidores. Que vá para el carajo ,

Yur Há 1 semana

Como é possivel tanto comentario a exprimir felicidade com a morte de um Homem.
Ainda por cima alguèm que criou dezenas de milhares de postos de trabalho. Criou um império sim. Será que as dezenas ou centenas de milhares de pessoas a quem ele deu emprego, estavam melhores sem o emprego
Deviamos era ter orgulho de Portugueses assim!
Esta esquerda raivosa é mesmo perigosa

RE: LEGRU Há 1 semana

Parabens pelo comentario mais lucido que aqui foi escritos hoje.
Infelizmente nestes forums, pulula já há muitos meses um "ser" que odeia tudo o que não se coaduna com a cartilha marxista, e que escreve dezenas de posts ofensivos por dia contra quem se atreve a discordar da sua ideologia

Legru Há 1 semana

Fico triste quando, sistematicamente, se insulta a memória de um Homem que contribuiu e muito para o desenvolvimento do país, para a criação de emprego e modernização do país. Quanto ao asneiramento que alguns aqui produziram, deverá ter origem de foro psiquiátrico que terá a ver com inveja, impotência, ou outro qualquer tipo de trauma que, normalmente, os homens de sucesso provocam nos falhados.

ver mais comentários
Saber mais e Alertas
pub