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PME expostas ao risco de ciberataques em Portugal

As microempresas e as PME estão entre os principais alvos de ciberataques. Com menos recursos de proteção e resposta, enfrentam um risco crescente que reforça a necessidade de investir em cibersegurança

28 de Abril de 2026 às 09:18
Empresas portuguesas enfrentam risco crescente de ciberataques
Empresas portuguesas enfrentam risco crescente de ciberataques Getty Images

Os ciberataques nas PME em Portugal deixaram há muito de ser um risco distante. À medida que os negócios se tornam mais digitais, as pequenas e médias empresas estão cada vez mais expostas a ameaças que exploram falhas tecnológicas e erro humano, reforçando a importância de uma abordagem estruturada à cibersegurança

Segundo o mais recente relatório do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), em 2024 foram registados 2.758 incidentes de cibersegurança analisados pelo CERT.PT, um aumento de 36% face a 2023. Neste âmbito, a exposição das empresas aos ciberataques é já muito importante. De acordo com o Hiscox Cyber Readiness Report 2025, mais de metade das PME portuguesas sofreu pelo menos um ciberataque no último ano, em muitos casos com repetição de incidentes na mesma empresa. 

Phishing é a principal ameaça

Entre os vários tipos de ciberameaças, o phishing continua a destacar-se. Segundo o CERT.PT, este tipo de ataque representa uma parte muito significativa das ocorrências, cerca de 84% na perceção dos especialistas, e registou um crescimento de 13% em 2024. Neste tipo de ataques, os e-mails, SMS ou mensagens via WhatsApp simulam ter origem em entidades credíveis como bancos, serviços da administração pública central ou local, distribuição ou fornecedores, levando os colaboradores a clicar em ligações maliciosas, a partilhar credenciais ou a realizar pagamentos fraudulentos.

O phishing funciona muitas vezes como uma porta de entrada para ataques mais complexos, como o ransomware com roubo massivo de dados. O mesmo relatório do CNCS confirma que a engenharia social continua a ser um dos métodos mais eficazes para comprometer a segurança das empresas, explorando a confiança e a falta de formação dos utilizadores.

Malware e ransomware agravam impacto

Outra ameaça recorrente para as empresas é o malware. Este pode resultar do acesso a sites comprometidos ou da abertura de ficheiros infetados e pode levar à instalação de programas maliciosos que roubam informação ou criam acessos indevidos aos sistemas das empresas. Em muitos casos, estes ataques mantêm-se ocultos durante longos períodos, aumentando a exposição e o risco de acesso a dados sensíveis.

Também o ransomware continua a representar um dos cenários mais críticos para uma PME. Ao encriptar sistemas e bloquear o acesso à informação essencial da organização, este tipo de ataque pode paralisar a atividade das empresas, com impacto na perda de faturação e com graves danos reputacionais.

Redes continuam vulneráveis

As falhas na segurança das redes e sistemas são também uma porta de entrada relevante para os ciberataques. As redes Wi-Fi inseguras, os sistemas e aplicações mal configurados ou os ataques DDoS que sobrecarregam plataformas até à indisponibilidade têm grande impacto nos negócios digitais, em especial nas áreas do comércio eletrónico e dos serviços online. Em 2024, os tempos médios de indisponibilidade das comunicações associados a ataques DDoS rondaram as oito horas, segundo o CNCS.

A este risco soma-se a fraude telefónica, designada por vishing, com recurso a técnicas de spoofing que permitem falsificar números e simular chamadas de instituições financeiras, autoridades ou empresas, na tentativa de obtenção de dados confidenciais das vítimas. Trata-se de uma ameaça em crescimento, com potencial de fraude elevado.

Resposta exige prevenção e capacidade de reação

Perante este panorama, a resposta das empresas deve passar por uma abordagem integrada à cibersegurança, combinando prevenção, deteção e capacidade de resposta.

No combate ao phishing, as soluções de permitem filtrar spam, vírus e ligações maliciosas, assegurando comunicações seguras, sem necessidade de infraestruturas complexas. Em complemento, uma s e equipamentos, que inclua suporte técnico de uma equipa especializada, capaz de monitorizar e detetar ameaças antecipadamente, permite uma resposta mais rápida a incidentes.

No caso do ransomware, a mitigação deste problema exige uma abordagem integrada que comece logo na e que combine com processos robustos de atualização contínua de sistemas e de proteção de endpoints, EDR, antivírus e antimalware, autenticação forte, segmentação de rede e formação dos utilizadores. As firewalls de nova geração podem apoiar na deteção de malware e no isolamento de segmentos comprometidos, mas não são suficientes por si só. Já as soluções de disaster recovery, baseadas em cópias de segurança seguras e isoladas, permitem a recuperação de sistemas e dados sem necessidade de pagamento de resgates.

Finalmente, ao nível das redes, serviços como proteção , redes VPN e redes privadas contribuem para assegurar a continuidade das operações e das comunicações entre colaboradores e sistemas. Na frente da fraude telefónica, é importante apostar num serviço que permita e reforçar a confiança nas comunicações empresariais.

Tecnologia não dispensa formação

No entanto, e a par do investimento tecnológico, a formação dos colaboradores continua a ser decisiva para evitar os ciberataques. A disponibilização de programas de sensibilização e formação atualizados aos colaboradores ajuda a reduzir o erro humano, que permanece um dos principais vetores de ataque às empresas. Num cenário de ameaças cada vez mais automatizadas e sofisticadas, a cibersegurança deixou de ser apenas uma questão técnica. Para as PME, tornou-se um fator de resiliência e competitividade. Proteger o negócio no plano digital é hoje uma condição essencial para operar.

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