Portas recorda "tempos difíceis" de 2011 depois do resgate  

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas recordou hoje que Portugal passou por "tempos difíceis" e "muito duros" com a crise económica de 2011, ultrapassando as dificuldades através da internacionalização das empresas e das exportações.
David Martins / Correio da Manhã 
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Lusa 21 de maio de 2018 às 17:27

"Nós sempre fomos capazes de, internacionalizando-nos, vencer dificuldades internas. A maneira como nós conseguimos superar os tempos difíceis, muito duros, a seguir ao 'bailout' que tivemos em 2011, como é que as empresas venceram: exportando e internacionalizando-se", recordou.

Paulo Portas, que falava no Centro de Ciência do Café, em Campo Maior (Portalegre), no decorrer do 12º. Encontro Nacional do Setor Torrefator, enalteceu o papel dos empresários portugueses que exportaram os seus produtos para mercados "não tradicionais", quando os seus principais clientes estavam em "recessão ou em estagnação".

"Os portugueses nunca se surpreenderam com culturas diferentes, nem nunca tiveram hostilidade a culturas diferentes, isto é um enorme activo da nossa herança como país e nação", enalteceu.

Para Paulo Portas, que falava sobre a temática da "geoestratégia do mundo", disse que o planeta está "cheio de perplexidades", mas também está "cheio de oportunidades", situação que, considera, "nunca surpreendeu" os portugueses.

No decorrer da sua extensa palestra, o agora vice-presidente da Câmara do Comércio e Industrial Portuguesa recordou ainda que a Ásia representa mais de um terço do comércio global, acrescentando que o risco político "migrou" para esse continente.

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As questões relacionadas com a Coreia do Norte e a Coreia do Sul também mereceram um "olhar" por parte do ex-governante, aguardando Paulo Portas com alguma "expectativa" a reunião entre o líder da Coreia do Norte e o presidente do Estados Unidos, Donald Trump.

"O conflito de titãs" entre a Arábia Saudita e o Irão mereceu igualmente o comentário de Paulo Portas, bem como as questões relacionadas com a globalização e imigração.

"Todos conhecem o `inverno demográfico' que a Europa está a viver. A taxa de fertilidade na Europa é 1.5/filhos por mãe, o mínimo para substituir as gerações é 2.01 e eu não percebo, que com este `inverno demográfico', há uma hostilidade tão grande à imigração na Europa", lamentou.

Nesse sentido, Paulo Portas considera que se está a "contribuir" para uma crise "muito séria" no modelo social europeu.

Presente também neste encontro, o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, revelou que "uma das grandes preocupações" do sector é a escassez de mão-de-obra em determinadas zonas do país, sendo este "um dos principais desafios" para combater nos próximos anos.

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"Nós tivemos nas escolas do Turismo de Portugal um programa em conjunto com a plataforma de apoio aos refugiados, porque acreditámos que temos ali uma mão-de-obra riquíssima com qualificações, nalguns casos muito acima da média, que fala idiomas de mercados que nós queremos atrair, mas infelizmente não conseguimos ter mais nas nossas escolas. Mais houvesse, mais formação nós dávamos", disse.

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