Europa fecha com fortes ganhos impulsionada por recuo do petróleo. Crude afunda quase 15%
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) pararam a produção na refinaria de Ruwais como uma medida de prevenção, após um ataque com um drone ter provocado um incêndio no complexo industrial. Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta terça-feira.
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Petróleo tomba 15%. EUA escoltou petroleiro pelo estreito de Ormuz
Os preços do crude estão a cair de forma significativa esta tarde, sobretudo depois de o secretário norte-americano da energia, Chris Wright, ter dito que os EUA escoltaram um petroleiro através do Estreito de Ormuz.
O valor vai aliviando à medida que as grandes economias vão arranjando soluções e tomam medidas para mitigar o impacto da subida dos preços. Aliás, os líderes um pouco por todo o mundo dão garantias de que as intervenções políticas atenuariam o impacto da guerra no Irão sobre os preços da energia.
Esta tarde, o West Texas Intermediate, referência para os EUA, recua 14,57% para 80,96 dólares por barril. Já a referência para a Europa, o Brent, tomba 14,44% para 85 dólares por barril. No arranque da semana, ambas as referências aproximaram-se dos 120 dólares por barril.
O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, disse ter convocado uma reunião extraordinária do grupo para avaliar as condições de mercado, esta terça-feira. O G7 pediu à agência que preparasse cenários para a libertação de reservas de emergência, enquanto a crise no Médio Oriente abala os mercados.
Apesar das quedas de hoje, o crude valoriza mais de 40% desde o início do ano, já que o fecho do Estreito de Ormuz pelo Irão aumentou a pressão sobre os produtores para reduzirem a produção.
Europa fecha com fortes ganhos impulsionada por recuo dos preços do "ouro negro"
Os principais índices europeus encerraram a sessão desta terça-feira com fortes ganhos em toda a linha, à medida que a queda abrupta dos preços do crude, sobretudo movida por comentários do Presidente norte-americano, estão a retirar alguma pressão sobre a expectativa de que os bancos centrais voltem a adotar uma política monetária mais restritiva devido à rápida subida dos preços da energia nas últimas sessões.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – ganhou 1,88%, para os 606,12 pontos. Desde o arranque do mês de março que o “benchmark” do Velho Continente já perdeu mais de 4%.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX subiu 2,39%, o espanhol IBEX 35 pulou 3,05%, o italiano FTSEMIB valorizou 2,67%, o francês CAC-40 somou 1,79%, ao passo que o britânico FTSE 100 registou ganhos de 1,59% e o neerlandês AEX avançou 1,98%.
As ações europeias recuperaram terreno após uma sequência de três dias de perdas. Entre os setores, o dos recursos naturais (+4,23%) registou a maior subida, seguido da banca (+3,62%) e do tecnológico (+2,87%). Do lado das perdas, o setor alimentar (-0,32%) foi o único a cair.
O sentimento do mercado está a ganhar novo fulgor depois de Trump ter afirmado que as operações militares contra o Irão estão adiantadas e, embora tenha previsto que a guerra não terminaria esta semana, poderia ser resolvida “muito em breve”. O republicano também disse que os EUA poderiam vir a aliviar algumas sanções relacionadas com o petróleo e fornecer uma escolta naval a petroleiros através do Estreito de Ormuz, que continua a sofrer fortes disrupções devido ao conflito na região.
“Estamos completamente perplexos com a volatilidade dos preços do petróleo”, disse à Bloomberg Laurent Lamagnere, vice-presidente executivo da Alphavalue, em Paris. “É claro que há algum alívio no mercado [durante o dia de hoje], mas acreditamos que os preços do petróleo permanecerão elevados. O facto de Trump afirmar que a guerra pode terminar não significa que isso realmente aconteça”, alertou o mesmo especialista.
Entre os movimentos do mercado, a Prosus dispararam quase 10%, acompanhando o ganho no preço das ações da chinesa Tencent Holdings – da qual a Prosus é a maior acionista -,que lançou uma nova ferramenta de IA que pode ajudar a automatizar fluxos de trabalho. Por outro lado, a marca de chocolate Lindt & Spruengli tombou 10,29% depois de ter reduzido a sua previsão de vendas para 2026.
No que toca ás companhias aéreas, a Deutsche Lufthansa ganhou mais de 7% e a TUI valorizou cerca de 3%, uma vez que a queda do petróleo aumentou as esperanças de que o choque nos preços dos combustíveis seja menos grave do que se temia.
E à medida que a temporada de resultados continua pelo Velho Continente, a Volkswagen somou 2,82%, com analistas a reagirem ao anúncio de que o grupo irá distribuir um dividendo superior ao esperado.
Juros registam forte alívio com queda das cotações de crude
Os juros das dívidas soberanas dos países da Zona Euro terminaram a sessão descidas significativas esta terça-feira, após uma queda nos preços da energia ter aliviado as preocupações com a inflação e desencadear uma recuperação no mercado, depois de na última semana terem subido a pique.
O mercado coloca já em cima da mesa uma subida das taxas de juro pelo Banco Central Europeu este ano, mas acreditam que a autoridade monetária não reaja de forma imediata às implicações da guerra no Médio Oriente.
A Europa é vista como particularmente vulnerável a uma escalada da guerra no Médio Oriente, uma vez que a região importa quase todo o seu petróleo e a maior parte do seu gás natural, ficando mais exposta do que os EUA, que é um exportador líquido de energia.
Os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, recuaram em 6,1 pontos-base, para 3,224%. Em Espanha a "yield" da dívida com a mesma maturidade seguiu a mesma tendência e caiu 5,3 pontos, para 3,288%. Já os juros da dívida soberana da Itália cederam 8,5 pontos, para 3,523%.
Por sua vez, a rendibilidade da dívida francesa aliviou 6,2 pontos, para 3,442%, ao passo que os juros das "bunds" alemãs, referência para a região, cederam 2 pontos, para os 2,832%.
Fora da Zona Euro, os juros das "gilts" britânicas, também a dez anos, registaram o maior alívio, em 9,3 pontos-base, para 4,551%, já que foram os mais pressionados desde o início da guerra no Irão. Esta recuperação acontece numa altura em que os investidores voltaram a incorporar o risco de um corte nas taxas de juros do Reino Unido este ano.
Dólar desvaloriza com queda dos preços do "ouro negro"
O dólar segue a registar perdas nesta terça-feira, com o “rally” da “nota verde” nos últimos dias a parecer abrandar depois de o Presidente norte-americano dizer que a guerra contra o Irão está “praticamente concluída”, o que reverteu rapidamente a subida dos preços do petróleo, que caem mais de 8% esta tarde.
O índice do dólar DXY - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes - recua 0,54%, para os 98,639 pontos.
Já face ao iene, o dólar valoriza ligeiros 0,06%, para os 157,740 ienes.
Pela Europa, a libra - que ontem esteve perto de registar a sua maior queda intradiária em mais de um mês face ao dólar - parece agora estar a negociar de forma mais estável e soma 0,18%, para os 1,346 dólares. Nesta segunda-feira, os mercados aumentaram as suas apostas quanto a novas subidas dos juros e apontam para uma probabilidade superior a 50% de o Banco de Inglaterra aumentar as taxas diretoras ainda este ano. Ainda assim, a queda dos preços do crude parece estar a atenuar as preocupações dos “traders” quanto a subidas dos juros nos próximos tempos.
Ainda por cá, o euro perde 0,08%, para os 1,165 dólares.
Ouro ganha com dólar mais fraco e recuo do crude. Prata pula mais de 2%
O ouro está a negociar com ganhos esta tarde, impulsionado por uma "pausa" na valorização do dólar e pelo abrandamento das preocupações com a inflação, à medida que os preços do petróleo parecem estabilizar em torno dos 90 dólares por barril.
A esta hora, o metal amarelo soma 1,45%, para os 5.212,790 dólares por onça.
O recuo dos preços do petróleo - que chega depois de terem disparado para os 120 dólares por barril pela primeira vez desde meados de 2022 - está a conter a preocupação dos mercados quanto a uma eventual subida das taxas diretoras. Nesta linha, o ouro tende a ter um melhor desempenho num ambiente de taxas diretoras mais baixas, por não render juros.
E apesar de o Presidente dos EUA ter dito que a guerra contra o Irão estava “praticamente concluída”, a procura pelo metal amarelo enquanto ativo-refúgio também segue a impulsionar os preços do ouro, já que no terreno não parece haver sinais de que o fim da guerra esteja para breve.
Noutros pontos, os “traders” aguardam agora pela divulgação do índice de preços no consumidor dos EUA referente a fevereiro, assim como o indicador de inflação preferido da Reserva Federal (Fed) norte-americana, o índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) durante esta semana. Estes dados serão seguidos com atenção já que poderão dar uma maior clareza sobre qual poderá ser a decisão de política monetária da Fed na próxima semana, com a reunião do banco central dos EUA agendada para os dias 17 e 18 de março.
No que toca à prata, o metal precioso negoceia com ganhos de 2,31%, para os 88,967 dólares por onça.
Petróleo recua mais de 8%. Cortes no abastecimento limitam quedas
Os preços do petróleo continuam a desvalorizar e cedem mais de 8% esta tarde, após terem atingido o valor mais alto em mais de três anos na sessão de ontem. O crude iniciou uma tendência de quedas depois de o Presidente norte-americano ter dito que a guerra contra o Irão poderá terminar em breve.
O West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – cai 8,09%, para os 87,10 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – desvaloriza 8,55% para os 90,50 dólares por barril.
Apesar das quedas, os cortes no abastecimento pela Arábia Saudita e outros produtores da região continuam a alimentar preocupações quanto a grandes interrupções no abastecimento global. Na mais recente perturbação, a gigante petrolífera estatal de Abu Dhabi, ADNOC, encerrou a sua refinaria de Ruwais, depois de um incêndio ter deflagrado numa instalação dentro do complexo na sequência de um ataque com drones.
Ainda durante o dia de hoje, espera-se que os ministros da Energia do G7 discutam medidas para conter a subida dos preços da energia devido à guerra no Irão, enquanto um grupo de líderes da União Europeia fará o mesmo no final do dia. Entretanto, Trump estará a considerar aliviar as sanções petrolíferas à Rússia e libertar reservas de crude de emergência como parte de um pacote de opções destinadas a conter a subida dos preços.
Produção numa das maiores centrais petrolíferas parada
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) pararam a produção na refinaria de Ruwais como uma medida de prevenção, após um ataque com um drone ter provocado um incêndio no complexo industrial.
A central de Ruwais é uma das maiores do mundo na produção de petróleo. A informação é avançada pela agência de notícias financeiras Bloomberg.
A Empresa Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (ADNOC no acrónimo em ingês), responsável pela exploração do complexo de Ruwais, ainda estará a avaliar os danos causados pelo ataque de drone.
Em condições normais, a refinaria de Ruwais processa mais de 900 mil barris de petróleo por dia.
Esta não é a primeira vez que uma importante central de produção de produtos energéticos é diretamente afetado pelo escalar da guerra no Médio Oriente.
Esta terça-feira foi noticiado que quatro países do Médio Oriente já reduziram a produção em 6,8 milhões de barris de petróleo por dia, como resultado direto das diferentes consequências do conflito no Irão.
Wall Street acorda no vermelho apesar de queda dos preços do petróleo. Conflito no Irão ainda pressiona
Os principais índices norte-americanos arrancaram a sessão desta terça-feira em território negativo, com a queda nos preços do petróleo a não ser suficiente para sustentar a recuperação que se começou a desenhar na negociação anterior. Donald Trump, Presidente dos EUA, prometeu acabar com a guerra "muito em breve", mas resistem preocupações sobre a duração da mesma, bem como em torno do tempo necessário para devolver a produção e comércio de crude à normalidade.
Depois de ter pulado quase 1% na sessão de segunda-feira, o S&P 500 está agora a recuar 0,26% para 6.779,05 pontos. Já o industrial Dow Jones perde 0,34% para 47.578,12 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite negoceia na linha d'água, com perdas de 0,04% para 22.682,48 pontos.
"Embora os investidores tenham recebido bem a queda repentina nos preços do petróleo, o cenário geopolítico continua longe de ser estável, deixando os mercados vulneráveis a mais volatilidade", explica Fawad Razaqzada, da Forex.com, à Bloomberg. "Nesse contexto, a nossa previsão de curto prazo para o petróleo bruto continua cautelosa. Ainda podemos ver mais volatilidade, já que o Irão promete lutar", acrescenta.
Esta terça-feira, o Pentágono informou que está a conduzir o dia mais intenso em termos de ataques contra o Irão e que não vai parar até o país do Médio Oriente sair derrotado do conflito - uma tónica bastante mais agressiva do que a utilizada no dia anterior por Trump. Já o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, voltou a reforçar que negociações com os EUA "não estão na agenda".
O CEO da Saudi Aramco, a maior petrolífera do mundo, deixou um aviso: o impacto da guerra no mercado global de crude será "catastrófico" caso o conflito se estenda muito no tempo. "Embora já tenhamos enfrentado perturbações no passado, esta é, de longe, a maior crise que a indústria de petróleo e gás da região já enfrentou", referiu.
Entre as principais movimentações de mercado, a Kohl’s dispara 12,53%, apesar de a retalhista online ter registado vendas no quarto trimestre que ficaram aquém do esperado pelos analistas, ao fixaram-se nos 4,97 mil milhões de dólares. No entanto, os lucros da empresa conseguiram surpreender, com o resultado líquido por ação a ultrapassar os 1,07 dólares.
Por sua vez, a Vertex Pharmaceuticals acelera 7,91%, após a empresa de biotecnologia ter informado que o seu medicamento para tratar uma condição crónica que leva a falhas nos rins conseguiu cumprir os objetivos.
Taxa Euribor a 12 meses em máximos de janeiro de 2025
A taxa Euribor subiu esta terça-feira a três, a seis e a 12 meses em relação a segunda-feira, no prazo mais longo para um máximo desde janeiro de 2025.
Com estas alterações, a taxa a três meses, que avançou para 2,138%, continuou abaixo das taxas a seis (2,295%) e a 12 meses (2,552%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, subiu, ao ser fixada em 2,295%, mais 0,117 pontos do que na segunda-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a janeiro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,93% do ‘stock’ de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,78% e 24,98%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor avançou para 2,552%, mais 0,185 pontos e um novo máximo desde janeiro de 2025.
No mesmo sentido, a Euribor a três meses subiu ao ser fixada em 2,138%, mais 0,060 pontos do que na segunda-feira.
Europa aplaude fim da guerra no Irão "muito em breve". Lufthansa dispara 8%
As principais praças europeias estão a negociar com ganhos avultados esta terça-feira, revertendo por completo a queda registada na sessão anterior e impulsionadas pela promessa de Donald Trump, Presidente dos EUA, de terminar a guerra no Irão "muito em breve".
A esta hora, o Stoxx 600 - "benchmark" para a negociação europeia - segue a valorizar 2,29% para 608,53 pontos, com a banca, as companhias aéreas e as mineiras a registarem a maior recuperação entre os vários setores que compõe o índice.
A queda nos preços do petróleo e dos gás natural registada esta terça-feira, face à expectativa de que o conflito não se vai estender no tempo, está a aliviar os receios dos investidores em relação a uma possível crise energética no mundo - que afetaria a Europa em particular, devido à sua dependência de energia externa. O mercado, que na segunda-feira chegou a ver o Banco Central Europeu (BCE) a subir os juros duas vezes este ano, está agora apenas a considerar um aperto da política monetária - e nem esse é certo.
Com o conflito a entrar no décimo primeiro dia, os investidores aproveitam para respirar de alívio com a perspetiva do conflito acabar no curto prazo. No entanto, ainda existem várias questões em relação ao futuro do mercado petrolífero. Mesmo que a guerra acabe nas próximas semanas, ainda vai demorar algum tempo até à produção estabilizar e o Estreito de Ormuz voltar a registar o tráfego visto antes do conflito.
"Estamos completamente perplexos com a volatilidade dos preços do petróleo",começa por afirmar Laurent Lamagnere, vice-presidente executivo da Alphavalue, citado pela Bloomberg. "É claro que há algum alívio esta manhã no mercado, mas acreditamos que os preços do petróleo permanecerão altos. Mesmo que Trump diga que a guerra pode acabar, não significa que vai realmente chegar ao fim", acrescenta.
Entre as principais movimentações de mercado, as companhias aéreas EasyJet, Lufthansa e Air France-KLM avançam entre 3% e 8%. Por sua vez, a energética Equinor perde mais de 3%, depois de ter sido uma das principais beneficiárias da escalada dos preços da energia com o conflito no Médio Oriente.
Já entre as empresas que apresentaram resultados esta semana, a Lindt & Spruengli afunda 9,38%, apesar de até ter registado um crescimento nas vendas em todas as geografias em que atua em 2025. No entanto, as previsões para este ano estão a desapontar os investidores.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX ganha 2,62%, o espanhol IBEX 35 acelera 3,20%, o italiano FTSEMIB valoriza 2,87%, o neerlandês AEX sobe 1,93%, enquanto o francês CAC-40 salta 1,89%, ao passo que o britânico FTSE 100 regista ganhos de 1,8%.
Juros afundam na Zona Euro. Subida nas taxas de juro deixa de ser certa
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a afundar esta terça-feira, com a exceção da Alemanha que regista quedas mais modestas, num dia em que os mercados estão a reagir à promessa de Donald Trump de acabar com a guerra no Irão "muito em breve". O estalar do conflito no Médio Oriente levou os preços do petróleo e do gás natural a dispararem para máximos de 2022, deixando os investidores apreensivos em relação a uma nova crise energética no mundo - com especial impacto na Europa.
O mercado ajustou as expectativas em termos de política monetária e chegou a incorporar nos preços uma subida de 25 pontos-base nas taxas de juro, pondo ainda em cima da mesa um possível segundo aumento. No entanto, agora que o conflito pode vir a terminar no curto prazo, os investidores já só estão a avaliar apenas um aperto na política monetária - e nem esse já é certo.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a região, caem 1,9 pontos-base para 2,833%, enquanto a "yield" das obrigações francesas e das italianas com a mesma maturidade cedem 6,6 pontos para 3,438% e 8,3 pontos para 3,525%, respetivamente.
Pela Península Ibérica, mantêm-se os grandes alívios, com os juros da dívida soberana portuguesa a dez anos a caírem 6,2 pontos-base para 3,223%, enquanto os juros das obrigações espanholas com a mesma maturidade deslizam 5,7 pontos para 3,284%.
Fora da Zona Euro, os alívios são ainda mais expressivos, com os juros das "Gilts" britânicas na maturidade de referência a afundarem 9,4 pontos-base para 4,550%. Depois de terem chegado a ver um aumento nas taxas de juro no horizonte, os investidores veem agora a possibilidade de o Banco de Inglaterra voltar a flexibilizar a política monetária.
Dólar tropeça nas promessas de Trump de acabar com a guerra no curto prazo
O dólar está a negociar em território negativo esta terça-feira, encaminhando-se para a terceira sessão no vermelho, pressionado pela promessa de Donald Trump de terminar a guerra no Irão "muito em breve". O estalar do conflito no Médio Oriente devolveu à "nota verde" o estatuto de ativo de refúgio predileto dos investidores, ultrapassando mesmo o ouro, com o mercado a antecipar uma pausa prolongada no corte de juros por parte da Reserva Federal (Fed) norte-americano - que pode agora sofrer revisões.
A esta hora, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da moeda face aos seus principais rivais - cede 0,60% para 98,5810 pontos, tendo acelerado quase 1% desde que os EUA e Israel atacaram o Irão há onze dias. O euro acelera 0,13% para 1,1651 dólares, enquanto a libra ganha 0,25% para 1,3471 dólares. Já a "nota verde" cede 0,18% para 157,38 ienes, depois de a economia japonesa ter crescido muito acima do esperado no quarto trimestre do ano passado.
"Os mercados tiveram uma recuperação provisória devido aos preços mais baixos do petróleo, levando a um dólar americano mais fraco", explica David Forrester, estratega sénior do Credit Agricole, citado pela Bloomberg. No entanto, "o sentimento dos investidores vai permanecer frágil até que existam sinais mais claros de que a guerra está a chegar ao fim e/ou que o Estreito de Ormuz está a reabrir", acrescenta.
Desde que o conflito estalou no Médio Oriente, o tráfego neste ponto crítico do comércio global afundou quase na totalidade. Apesar de o Irão não ter fechado o estreito, o país atacou por diversas vezes petroleiros que estavam a utilizar a passagem, levando os EUA a prometerem a escolta da Marinha norte-americana às embarcações, com o objetivo de ajudar a conter a escalada nos preços do crude.
Ouro apaga perdas da sessão anterior com conflito a encaminhar-se para o fim
O preço do ouro está a valorizar esta segunda-feira, impulsionado pela promessa de Donald Trump, Presidente dos EUA, de que a guerra no Irão estaria próxima do fim. Embora o metal precioso tenda a beneficiar de um aumento das tensões geopolíticas, os impactos do conflito nos preços da energia levaram os investidores a apostar numa pausa prolongada do corte nas taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed) norte-americana - o que é um fator de pressão para a matéria-prima.
A esta hora, o ouro avança 0,78% para 5.179,27 dólares por onça, tendo chegado a crescer quase 1% e apagando por completo as perdas registadas na sessão anterior. Na terça-feira, e apesar de as hostilidades continuarem em força, o líder norte-americano referiu que o conflito acabaria "muito em breve" e anunciou uma série de medidas para conter os preços do petróleo - incluindo o alívio de sanções e a escolta de petroleiros no estreito de Hormuz por navios da Marinha norte-americana.
"Vimos o ouro a desempenhar o papel que normalmente desempenha em eventos de alto risco", explica Suki Cooper, diretora global de "commodities" da Standard Chartered Plc, numa entrevista à Bloomberg. "Inicialmente, um prémio de risco geopolítico pode fazer com que os preços do ouro subam, mas, quando há pressão para cobrir perdas, o ouro tende a ser um dos primeiros candidatos que os investidores consideram - especialmente quando tem tido um bom desempenho", acrescenta.
Mesmo com todos os avanços e recuos registados este ano, que levaram o ouro a máximo históricos acima dos 5.600 dólares, o metal precioso continua com um saldo positivo em 2026. Há uma série de fatores que continuam a dar força aos preços da matéria-prima, incluindo as tensões comerciais entre os EUA e vários países, além das ameaças à independência da Fed. Mesmo assim, desde que o conflito estalou no Médio Oriente, o volume de ouro em fundos negociados em bolsa (ETF) diminiu em mais de 30 toneladas - a maior queda em mais de dois anos, indica a Bloomberg.
Petróleo e gás afundam mais de 10% com Trump a prometer terminar guerra "muito em breve"
O preço do petróleo no mercado europeu chegou a cair abaixo dos 90 dólares por barril esta terça-feira, enquanto o gás natural liquefeito (GNL) afundou mais de 16%, após a promessa de Donald Trump, Presidente dos EUA, de terminar a guerra no Irão "muito em breve". Após dez dias de conflito, o líder norte-americano acalmou os investidores ao dizer que a ofensiva no Médio Oriente até estava adiantada face ao cronograma inicial, introduzindo ainda algumas medidas para conter os avanços do crude.
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Países do Médio Oriente cortam até 6,8 milhões de barris por dia na produção de petróleo
Quatro países da região do Médio Oriente já reduziram a produção petrolífera até 6,8 milhões de barris por dia. A informação é avançada pela agência de notícias financeiras Bloomberg, que cita uma fonte familiarizada com o processo.
O Kuwait terá reduzido a produção diária em 500 mil barris por dia, enquanto os Emirados Árabes Unidos reduziram a produção entre 500 mil e 800 mil barris por dia.
Os maiores cortes vêm da Árabia Saudita, que terá reduzido a produção entre dois milhões a 2,5 milhões de barris por dia, enquanto o Iraque já terá cortado a produção em até 2,9 milhões barris por dia.
Os cortes na produção acontecem numa altura em que os sistemas de armazenamento dos países começam a ficar cheios, devido à falta de escoamento através do Estreito de Ormuz.
Os números são avançados nesta terça-feira, num dia em que os preços do crude estão a reduzir de forma significativa, em reação à promessa do Presidente dos EUA de que o conflito irá terminar muito em breve.
Ásia celebra fim "muito em breve" do conflito. Europa aponta para ganhos de mais de 1%
Donald Trump, Presidente dos EUA, quer terminar a guerra no Irão "muito em breve" e as perspetivas de um conflito com resolução no curto prazo estão a ser suficientes para devolver o otimismo aos mercados. As principais praças asiáticas celebraram a promessa e corrigiram das perdas avultadas da sessão anterior - uma tendência que deve ser seguida pela Europa, depois de as expectativas de um crise energética terem provocado um "sell-off" mundial.
O MSCI Asia Pacific Index - "benchmark" para a negociação asiática - acelerou 3,1% esta terça-feira, com as ações tecnológicas a liderarem as valorizações. Já os futuros do Euro Stoxx 50 apontam para uma abertura em alta, com ganhos superiores a 1%, num dia em que os investidores devem reavaliar a subida nas taxas de juro que já tinham incorporado nos preços - agora que o petróleo voltou a negociar em torno dos 90 dólares.
Apesar de ter prometido que o conflito iria terminar "muito em breve", Donald Trump não antecipa que seja já esta semana. Nesta segunda-feira, uma série de países do Médio Oriente registaram ataques de drones e mísseis, a NATO intercetou um segundo míssil balístico do Irão que tinha a Turquia como alvo e Israel avançou com uma nova vaga de ataques contra Beirute e Teerão, naquele que foi o décimo dia de guerra.
"Trump ter dito que a guerra está quase no fim está a ser interpretado por muitos participantes do mercado como um sinal de que os EUA estão à procura de algum tipo de saída [do conflito]", explica Graeme Miller, diretor de investimentos da Mercer Super, à Bloomberg. "Alguns dos cenários mais extremos e negativos são agora menos prováveis", acrescenta, referindo-se, por exemplo, à chegada do petróleo aos 150 dólares por barril.
Neste contexto, as principais praças asiáticas conseguiram, em grande parte, reverter as perdas da sessão anterior, embora ainda estejam longe de negociar nos níveis registados antes do estalar do conflito. O sul-coreano Kospi liderou os ganhos diários, ao acelerar mais de 5% esta terça-feira, enquanto o chinês Hang Seng, de Hong Kong, cresceu 1,94%, o japonês Nikkei 225 saltou 2,88% e o australiano valorizou 1,09%.
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