António Carlos Rodrigues: “Em três anos, as construtoras que não se industrializarem vão ter custos mais elevados”

O CEO do grupo Casais é o convidado do novo episódio do podcast Urbanidades, onde olha para a situação do setor da construção e para as novas tendências, para os problemas de mão de obra ou para os embates atuais com o Fisco, por causa do IVA da reabilitação.
António Carlos Rodrigues, CEO do grupo Casais, participa no podcast Urbanidades
Pedro Ferreira
Filomena Lança 17 de Março de 2026 às 20:45

Se a atual situação internacional já faz prever novas subidas de preços no imobiliário, puxadas pelo aumento dos custos na construção, quem não evoluir para uma cada vez maior aposta na industrialização corre o risco de ficar para trás. O aviso vem de António Carlos Rodrigues, CEO do grupo Casais, um dos maiores no setor da construção em Portugal e com grande aposta na industrialização. 

É “um desafio geral do mercado”, sublinha, reconhecendo, contudo, que há ainda todo um caminho a percorrer. , o gestor fala, por exemplo, da banca, “que tem ainda de adaptar muitos processos”, mas também da necessidade de mudança ao nível das políticas públicas, que começam a dar passos - por exemplo com os recentes concursos para residências para estudantes - mas onde há ainda também muito a mudar. 

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“Há vários projetos, [mas] não têm ainda a escala que eu acho que nós pretendemos e que o próprio Estado pretende, quando fala no número de casas por ano que pretende entregar”. lembra. E se com a construção industrializada se ganha em rapidez - “12 meses comparam com três anos”, exemplifica - também os custos são menores. 

Agora com a subida dos combustíveis, vamos entrar outra vez numa escalada de inflação, e uma das coisas que eu nunca vi descer foi salários, os salários vão sempre subir, e se vão subir o custo da construção vai subir automaticamente”, vaticina, sublinhando as vantagens da construção mais industrializada, em fábrica, que conjuga o betão armado e a madeira.

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O gestor fala também dos investimentos do grupo, da via verde para a construção, com a qual já trouxe para Portugal várias centenas de trabalhadores, ou do IVA da reabilitação e das “diferentes interpretações do Fisco” que estão a obrigar as empresas a devolver elevados valores em impostos, correndo algumas, mais pequenas, o risco de fechar, lamenta.

António Rodrigues fala sobre construção e desafios fiscais no Urbanidades
Pedro Ferreira

Em causa, recorde-se, está o facto de muitos promotores terem aplicado IVA a 6% nos seus projetos, considerando que se lhes aplicaria a taxa reduzida por estarem a trabalhar numa Área de Reabilitação Urbana (ARU) e, afinal, a AT considerar que não estavam preenchidos todos os requisitos, nomeadamente a existência de uma Operação de Reabilitação Urbana (ORU) aprovada. Esta diferença de entendimentos, já avalizada por um acórdão do Supremo Tribunal Administrativo que uniformizou jurisprudência, está a conduzir a muitas inspeções e liquidações adicionais para devolução da diferença da taxa reduzida, de 6%, para a taxa normal, de 23%

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 “É um problema dramático para muitas empresas que vai levar à falência de algumas” e “há investidores, pessoas individuais, que provavelmente vão ter de vender a casa porque náo têm agora liquidez para pagar ao Fisco”, remata o CEO do grupo Casais, que tem, também, uma empresa, mais dedicada à reabilitação urbana, a braços com liquidações adicionais.

Esta quarta-feira, .

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