Marcelo diz ter entrado no "deserto eterno" antes de ser condecorado por Seguro
O Presidente da República cessante, Marcelo Rebelo de Sousa, agradeceu esta segunda-feira aos jornalistas a "paciência ao longo de dez anos" e recusou prestar declarações, afirmando que entrou no prometido "deserto eterno".
Marcelo Rebelo de Sousa foi abordado pela comunicação social à entrada para o Palácio Nacional da Ajuda, onde chegou hoje pelas 17:35 para ser condecorado pelo novo Presidente da República, António José Seguro, com o grande-colar da Ordem da Liberdade.
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À chegada, recusou prestar declarações, afirmando que já estava no prometido "deserto eterno" -- expressão que utilizou em dezembro para descrever o seu futuro após cessar funções como chefe de Estado.
No fim da cerimónia e dos cumprimentos, cerca das 18:10, Marcelo Rebelo de Sousa acedeu a tirar uma 'selfie' com alguns jornalistas que o esperavam no exterior do palácio. "'Selfie', sim, mas sem palavrinhas", avisou.
Enquanto caminhava para o carro, repetiu que não iria dizer "nada, nada, nada, nada", remetendo-se ao silêncio, com uma exceção para agradecer aos jornalistas: "Obrigado pela vossa paciência ao longo de dez anos".
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Questionado se era a última palavra, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: "Sim, é a última palavra".
Pouco depois, o recém-empossado Presidente da República, António José Seguro, condecorou Marcelo Rebelo de Sousa, o seu antecessor, com o grande-colar da Ordem da Liberdade, seguindo uma tradição iniciada por Jorge Sampaio.
Numa breve cerimónia sem discursos, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, Seguro impôs as insígnias a Marcelo Rebelo de Sousa, que cessou hoje funções ao fim de dez anos como chefe de Estado.
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No fim da cerimónia, o novo Presidente da República e o cessante deram um aperto de mão e um abraço. Depois, Marcelo Rebelo de Sousa, António José Seguro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e o primeiro-ministro, Luís Montenegro, posaram juntos perante os fotógrafos.
Assistiram à cerimónia elementos das casas Civil e Militar de Marcelo Rebelo de Sousa, entre outros convidados. O Presidente cessante deu um forte abraço ao chefe da sua Casa Civil, Fernando Frutuoso de Melo.
Entre os presentes estava também a antiga presidente do PSD Manuela Ferreira Leite, na qualidade de chanceler das ordens nacionais.
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Hoje, no seu discurso de posse, na Assembleia da República, o novo Presidente da República dirigiu a Marcelo Rebelo de Sousa uma "palavra de gratidão pela sua dedicação a Portugal e à defesa do interesse nacional".
"Qualquer que seja o balanço que cada um faz dos seus mandatos, ninguém pode negar-lhe o amor a Portugal. Fica a gratidão e, julgo que também posso dizer, o afeto, de um país que sentiu sempre a sua presença nos momentos mais importantes, dos últimos dez anos", acrescentou.
António José Seguro referiu que, "também com estes fundamentos" decidiu condecorar Marcelo Rebelo de Sousa com "o grau mais alto da Ordem da Liberdade, o grande-colar da Ordem da Liberdade".
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Segundo o portal das ordens honoríficas portuguesas na Internet, o grande-colar da Ordem da Liberdade "é concedido pelo Presidente da República a chefes de Estado estrangeiros" e pode também ser atribuído "a antigos chefes de Estado e a pessoas cujos feitos, de natureza extraordinária e especial relevância para Portugal, os tornem merecedores dessa distinção".
No dia em que tomou posse, o antigo Presidente Jorge Sampaio condecorou o seu antecessor, Mário Soares, com o grande-colar da Ordem da Liberdade, e o mesmo fizeram depois os presidentes Aníbal Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa em relação aos seus antecessores.
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