CIP e ISEG já admitem que PIB cresça apenas 1,5% neste ano
Os economistas do ISEG e a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) estão cada vez mais pessimistas quanto às perspetivas de crescimento deste ano, admitindo que o PIB não cresça mais do que 1,5% em termos reais neste ano. O valor fica muito aquém dos 2% de crescimento económico com que, no final de abril, o Ministério das Finanças atualizou o seu cenário macroeconómico.
A revisão em baixa das estimativas é feita no barómetro CIP/ISEG de maio, divulgado nesta quinta-feira, acompanhando de resto aquela que tem sido a tendência nas previsões de referência para o país. Embora mais divididos, os economistas do ISEG colocam agora as perspetivas de crescimento para este ano num intervalo de 1,5% a 1,8%, sendo o cenário central de uma subida de 1,7% do PIB (é essa também a mais recente previsão da Comissão Europeia).
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A conjuntura é de forte incerteza e os sinais que vão sendo dados no segundo trimestre deste ano são ambíguos o suficiente para deixarem o painel de economistas do barómetro CIP/ISEG cada vez mais dividido quanto às perspetivas de crescimento nacional em 2026, reconhece o barómetro. Mas o cenário de abrandamento surge cada vez mais consolidado em consequência do prolongamento do conflito no Irão. E poderá agravar-se.
“Há a expectativa de uma subida, já em junho, das taxas de juro diretoras do Banco Central Europeu (BCE), mesmo que venha a ser alcançado um acordo de paz no Médio Oriente”, lembra o diretor-geral da CIP, Rafael Campos Pereira. “A verificar-se este aumento das taxas de juro, ele agravará ainda mais o impacto negativo do choque energético na economia”, prevê.
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Depois de o primeiro trimestre ter sido marcado pela estagnação do PIB (os dados serão confirmados pelo Instituto Nacional de Estatística nesta sexta-feira), os indicadores relativos ao segundo trimestre estão a ser marcados por “ambiguidade”, admite o barómetro.
Mesmo sem subida de juros até aqui, a nova alta dos preços energéticos está a traduzir-se no afundamento da confiança dos consumidores, determinante para cerca de dois terços do PIB. Os últimos dados do índice de confiança das famílias portuguesas, de abril, colocam-no no ponto mais baixo desde novembro de 2023, assinala a publicação do ISEG, que também faz notar o abrandamento de pagamentos e levantamentos.
Por outro lado, porém, as vendas de ligeiros de passageiros estavam em abril a crescer 15,1% face ao ano anterior, e a confiança do setor do retalho surgiu a melhorar. Em março, o volume de negócios do sector acelerava, também com o contributo das vendas de combustíveis,
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No que toca aos indicadores avançados do investimento, também há alguns sinais positivos. O barómetro lembra que as vendas de cimento estão a crescer 17,9%, em termos homólogos, segundo sugere o índice do Banco de Portugal, e que o índice de produção na construção e obras públicas estava em março a crescer 6,2%, na maior subida desde o verão de 2023.
Estes fatores estão de resto a sustentar a manutenção de perspetivas mais positivas no indicador de tendência do ISEG, à espera de um reforço do ritmo de crescimento do investimento, que no primeiro trimestre já deverá ter permitido evitar a contração da economia.
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