Dombrovskis recusa criar "novas dependências estratégicas" na UE após crise com gás russo
O vice-presidente da Comissão Europeia Valdis Dombrovskis defendeu esta quinta-feira que a União Europeia (UE) deve evitar "novas dependências estratégicas", como aconteceu com o gás russo. A medida é especialmente importante tendo em conta os investimentos na digitalização e na transição climática que a UE irá fazer nos próximos anos.
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"Estamos a reduzir a nossa dependência de combustíveis fósseis [da Rússia]. É importante que não criarmos outra dependência estratégica de matérias-primas necessárias para atingir uma economia mais verde e digital", disse o vice-presidente da Comissão Europeia, num debate sobre como pode a UE adaptar-se a uma economia em mudança, no Fórum Económico de Bruxelas.
Valdis Dombrovskis lembrou que a guerra da Ucrânia veio mostrar que estar excessivamente dependente de um país para obter matérias-primas não é positivo para a União Europeia e que é preciso "ter cadeias de abastecimento diversificadas e resilientes". "É isso que estamos a procurar fazer com a nossa estratégia para as matérias-primas essenciais".
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Com base nessa nova estratégia europeia, a UE "está à procura de acordos comerciais com parceiros confiáveis em todo o mundo".
Questionado sobre a China (da qual a UE está dependente na produção de painéis solares, por exemplo) enquanto parceiro estratégico nesta dupla transição europeia, Valdis Dombrovskis referiu que o executivo comunitário tem procurado "criar parcerias mutuamente benéficas" com o país, apesar de reconhecer que as relações comerciais podiam ser melhores.
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"A China é, em algumas áreas, um país com o qual podemos cooperar para enfrentar os desafios globais, especialmente os desafios climáticos. Noutras áreas, somos concorrentes e, noutras ainda, rivais estratégicos dadas as diferenças no modelo social e político de referência", sintetizou.
Valdis Dombrovkis salientou ainda que a procura de novos parceiros comerciais para reduzir as dependências da UE em setores-chave terá sempre como base a garantia de que esses acordos comerciais não comprometem "a segurança económica da UE, nem a segurança a nível mundial".
*A jornalista viajou até Bruxelas a convite da Comissão Europeia
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