Investimento direto estrangeiro em Portugal diminui 35% para 8,5 mil milhões em 2025
O investimento direto estrangeiro em Portugal (IDE) diminuiu em 2025. Os dados divulgados esta sexta-feira pelo Banco de Portugal (BdP) revelam que os cidadãos estrangeiros transferiram um total de 8,5 mil milhões de euros para a economia nacional, um valor que corresponde a menos 35% face ao observado no ano anterior. É o valor mais baixo desde a pandemia de covid-19.
Os dados do BdP revelam que o investimento estrangeiro no capital de empresas e outras entidades nacionais totalizou 11,9 mil milhões de euros em 2025. Esse valor traduz um aumento de 9,3% face aos 10,9 mil milhões investidos por essa via no ano anterior. Dos 11,9 mil milhões agora registados, 3,9 mil milhões corresponderam a investimento imobiliário, que continua a ser uma das principais apostas entre cidadãos estrangeiros na hora de investir em Portugal. Em 2025, o IDE em imobiliário cresceu 10%.
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Em sentido contrário, o investimento em instrumentos de dívida foi negativo em 3,4 mil milhões de euros, o que significa que houve uma retirada de investimento em Portugal por esta via. Essa queda refletiu, em parte, "operações de reorganização de grupos económicos", esclarece o BdP. Em 2024, o total investido em instrumentos de dívida foi de 2,2 mil milhões de euros.
Os países europeus mantiveram-se os principais investidores em Portugal, numa perspetiva de contraparte imediata. No ano passado, investiram 5,8 mil milhões de euros no país, um valor que fica, contudo, abaixo dos 6,3 mil milhões registados em 2024. Na lista de maiores investidores europeus, destacaram-se o Luxemburgo (1,1 mil milhões), o Reino Unido (0,9 mil milhões) e a Alemanha (0,8 mil milhões).
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É de salientar, no entanto, que o Luxemburgo é um dos países que servem muitas vezes de intermediários no IDE. Isso significa que, no caso do Luxemburgo, o valor do investimento direto em Portugal, na perspetiva do investidor final, é inferior ao do investimento direto na ótica da contraparte imediata. Países, como a China, os Estados Unidos e França, usam esse e outros mercados como veículos para investir em Portugal.
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Isso explica que, para esses últimos, "o valor do investimento direto em Portugal, na perspetiva do investidor final, é superior ao do investimento direto na ótica da contraparte imediata". No final de 2024, Espanha era o país de residência dos detentores finais com maiores posições de investimento direto em Portugal. Seguiam-se Portugal (devido ao fenómeno de "round tripping", em que o investidor final coincide com país do investimento), França, Reino Unido e Luxemburgo.
Também as transações de investimento direto de Portugal no exterior (IPE) diminuíram em 2025. Os dados do BdP mostram que, no conjunto do ano, os portugueses investiram fora do país 6,7 mil milhões de euros, um valor que compara com 7,6 mil milhões observados em 2024. Ao todo, foram investidos 4,2 mil milhões de euros em capital de entidades não residentes e 2,5 mil milhões de euros em instrumentos de dívida noutros países.
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Destacou-se o investimento realizado em entidades residentes em países europeus (5,8 mil milhões), em particular, nos Países Baixos (2,3 mil milhões), em Espanha (1,7 mil milhões) e França (0,6 mil milhões), numa lógica de contraparte imediata.
No final de 2024, o stock de IDE era de 213,7 mil milhões, o que correspondia a cerca de 70% do PIB português. É menos uma décima do que o registado em 2024. Em sentido contrário, o stock de IPE era de 78,6 mil milhões, o que representava 26% do PIB nacional, também menos uma décima do que no ano anterior.
Em termos regionais, a Grande Lisboa era a região que concentrava o maior valor de IDE no final de 2025: 113,2 mil milhões de euros. Seguiam-se o Norte, com 37,2 mil milhões e o Algarve, com 21,7 mil milhões. Em conjunto, essas três regiões representavam "80,5% do total do stock de IDE em Portugal".
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(notícia atualizada às 12:32)
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