Petróleo não pesava tão pouco nas importações desde 2010
Há cinco anos que o petróleo não tinha um peso tão pequeno no total das importações portuguesas. Entre Janeiro e Julho de 2015 representou 13,7% das mesmas.
As importações portuguesas de combustíveis e lubrificantes estão a cair 18,2% nos primeiros sete meses do ano. É a maior contracção desta categoria de produto desde 2009, o primeiro ano a seguir à crise financeira de 2008, que levou a uma desaceleração generalizada do comércio internacional. Antes disso nunca se verificou uma queda tão grande das importações de petróleo nos últimos 22 anos (período Janeiro a Julho).
Esta contracção tão significativa está a reflectir-se na compra de bens ao estrangeiro, mostram os dados publicados hoje, 9 de Setembro, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que mostram uma queda homóloga das importações de 1,1% em Julho, arrastadas pelas compras a países fora da União Europeia (-14,5%).
"As importações [extra-UE] diminuíram 14,5% (-13,4% no mês anterior), essencialmente devido aos Combustíveis minerais (em especial Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos) e em resultado do comportamento dos preços de importação de petróleo bruto (crude)", pode ler-se na publicação desta manhã do INE.
Ou seja, a manutenção do petróleo a preços muito baixos – e até com uma renovada tendência de descida – está a ajudar Portugal a gastar menos dinheiro na sua importação. Portugal exporta depois o produto refinado (gasóleo e gasolina), mas continua a comprar mais do que vende. Logo, petróleo mais barato beneficia a sua balança comercial.
A consequência é que o petróleo tem hoje o peso mais baixo na totalidade das nossas importações desde 2010, ano em que, entre Janeiro e Julho, representava também 13,7% do total de compras ao exterior.
Os dados do INE revelaram também um crescimento de 5,6% das exportações de bens em Julho, face ao mesmo mês de 2014. As importações caíram 1,1%.