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Economia portuguesa fecha 2025 com excedente externo de 2,7% do PIB

Excedente das contas externas atingiu 8,3 mil milhões de euros no conjunto do ano passado. Valor corresponde a menos 1,2 mil milhões do que o recorde de 2024. Diminuição é explicada pelo agravamento do défice da balança comercial de bens, num ano marcado pelas tarifas.

Excedente externo da economia portuguesa diminuiu para 8,3 mil milhões de euros em 2025.
Excedente externo da economia portuguesa diminuiu para 8,3 mil milhões de euros em 2025. Francisco Seco/AP
19 de Fevereiro de 2026 às 11:35

A economia portuguesa fechou o ano de 2025 com um excedente das contas externas de 8,3 mil milhões de euros, o equivalente a 2,7% do produto interno bruto (PIB). Os dados do Banco de Portugal (BdP), , revelam que o excedente externo português foi , devido sobretudo ao agravamento do défice comercial de bens num ano marcado por tarifas. 

Os dados do BdP revelam que, em 2025, a balança de bens e serviços apresentou um saldo positivo de 3,7 mil milhões de euros (1,2% do PIB). Esse excedente compara com um excedente de 6,4 mil milhões de euros (2,2% do PIB) registado no ano anterior. E, tal como tem sido habitual, foi o excedente da balança de serviços que permitiu mais do que compensar o défice estrutural da balança de bens. 

No que toca aos serviços, o excedente da balança aumentou 1,3 mil milhões face a 2024, para 33,1 mil milhões de euros. Em percentagem do PIB, o saldo da balança de serviços correspondeu a 10,8% da riqueza produzida no país em 2025. Esse aumento deveu-se "a um crescimento mais acentuado das exportações do que das importações", explica o BdP. As exportações de serviços cresceram 2,5 mil milhões de euros, ao passo que as importações aumentaram 1,3 mil milhões de euros. Para o aumento das exportações de serviços, contribuíram sobretudo as viagens e turismo. 

Em sentido inverso, o défice da balança de bens aumentou 4 mil milhões de euros. Em percentagem do PIB, passou de -8,8%, em 2024, para -9,6% em 2025. Essa deterioração do saldo comercial de bens "reflete simultaneamente o aumento das importações (+2,7 mil milhões de euros) e a diminuição das exportações (-1,2 mil milhões de euros)", diz o BdP.

O aumento das importações de bens é explicado sobretudo pelo aumento das importações de produtos alimentares, bebidas e tabaco, e de material de transporte. Já a redução das exportações "concentrou-se principalmente nos produtos petrolíferos refinados". É de notar que 2025 ficou marcado pela uma , e que levou várias empresas a adiarem exportações e importações.

A balança de rendimento primário – onde se incluem fundos europeus, dividendos e juros associados a investimentos em Portugal ou no exterior – manteve-se deficitária em 2025 e o défice praticamente não se alterou face ao ano anterior. Segundo a entidade liderada por Álvaro Santos Pereira, terá diminuído 37 milhões. Destacou-se, em sentido positivo, uma maior atribuição aos beneficiários finais de fundos europeus na forma de subsídios (+0,2 mil milhões), ao passo que os rendimentos de propriedade caíram (-0,3 mil milhões).

Já a balança de rendimento secundário – onde se registam as transferências correntes entre residentes e não residentes, como prémios de jogo, donativos públicos, multas e as remessas de emigrantes e imigrantes – manteve-se excedentária. Porém, esse excedente diminuiu ligeiramente (-44 milhões), o que é explicado, em parte, por uma "maior contribuição financeira paga por Portugal para o orçamento da União Europeia".

Em linha com os bons resultados da balança corrente – composta pela balança comercial e pela balança de rendimento primário e secundário –, os dados do BdP revelam ainda que o excedente da balança de capital aumentou 1,5 mil milhões de euros em relação a 2024, principalmente devido "a uma maior atribuição aos beneficiários finais de fundos europeus destinados a investimento (+1,2 mil milhões)", com destaque para o acréscimo de atribuições do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

O saldo da balança financeira de Portugal foi positivo em 9 mil milhões de euros em 2025. Para esse saldo positivo contribuíram o investimento de carteira (+10,5 mil milhões) e os ativos de reserva (+3,7 mil milhões). Pelo contrário, apresentaram saldos negativos os derivados financeiros (-1,1 mil milhões), o investimento direto (-1,8 mil milhões) e o outro investimento (-2,4 mil milhões).

(notícia atualizada às 11:56)

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