NATO justifica retirada de tropas com deceção dos EUA. Portugal apontado como exemplo de apoio

Os aliados europeus estão, de acordo com Mark Rutte, "a garantir que todos os acordos bilaterais básicos estão a ser implementados".
Mark Rutte, secretário-geral da NATO
Olivier Matthys / Lusa - EPA
Lusa 10:51

O secretário-geral da NATO justificou esta segunda-feira que a retirada de tropas da Alemanha, anunciada pelo Presidente norte-americano, mostra a "deceção" pela falta de apoio dos aliados na guerra contra o Irão, contrapondo com o apoio dado por Portugal.

"Tem havido alguma deceção do lado dos Estados Unidos em relação à reação ao que está a acontecer agora no Médio Oriente e à campanha de Israel e dos EUA contra o Irão", disse o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Mark Rutte.

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Falando à chegada da oitava cimeira da Comunidade Política Europeia, que decorre na capital da Arménia, em Erevan, Rutte apontou que "os líderes europeus ouviram a mensagem dos Estados Unidos com clareza".

"Todo o apoio logístico está a ser entregue [...] pela Roménia, Portugal, Grécia, Itália, Reino Unido e outros apoios", elencou, numa alusão à utilização de bases europeias, como a das Lajes, nos Açores.

Os aliados europeus estão, de acordo com Mark Rutte, "a garantir que todos os acordos bilaterais básicos estão a ser implementados".

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Por seu lado, outros países aliados como Espanha, rejeitaram que os Estados Unidos utilizassem as suas bases na guerra contra o Irão.

Também na chegada à cimeira da Comunidade Política Europeia, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, apontou que "o momento deste anúncio é uma surpresa", embora admitindo que "já se fala há muito tempo sobre a retirada das tropas dos Estados Unidos da Europa".

"Acho que isso mostra que temos de reforçar seriamente o pilar europeu na NATO e que temos de fazer muito mais. As tropas americanas não estão na Europa apenas para proteger os interesses europeus, mas também os interesses americanos", adiantou a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança.

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A capital da Arménia, Erevan, recebe hoje uma cimeira da CPE para debater a estabilidade do continente face às tensões geopolíticas mundiais sob o lema "Construir o futuro: unidade e estabilidade na Europa".

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, não participa por motivos de agenda, ao contrário do anteriormente previsto.

Da lista oficial de participantes, que são mais de 40, contam 14 dos 27 chefes de Estado e de Governo europeus, incluindo o Presidente francês, Emmanuel Macron, que impulsionou a criação da CPE.

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Presente está também o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o Vice-Presidente da Turquia, Cevdet Yilmaz, para quem foi feita uma exceção embora não sejam permitidas substituições de líderes.

A cimeira será, ainda assim, dominada pelo contexto internacional, dado que a UE quer manifestar o seu apoio contínuo à Ucrânia face à invasão russa e que o conflito no Médio Oriente continua a ter implicações, sobretudo ao nível energético.

Quanto ao Cáucaso do Sul, a estratégia da UE passa por dar apoio para reduzir a dependência destes países em relação à Rússia.

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A Comunidade Política Europeia é uma plataforma de diálogo e cooperação que junta países da UE e vários Estados vizinhos do continente, criada em 2022, em contexto de invasão russa da Ucrânia.

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