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Criação da Comissão de Inquérito é um "acto de profunda hipocrisia política"

A comissão de inquérito ao caso PT/TVI é "um acto de profunda hipocrisia política, que apenas pretende instrumentalizar a Assembleia da República", afirma José Sócrates, em entrevista ao Jornal de Notícias, publicada hoje.

Lusa 20 de Março de 2010 às 14:31
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A comissão de inquérito ao caso PT/TVI é "um acto de profunda hipocrisia política, que apenas pretende instrumentalizar a Assembleia da República", afirma José Sócrates, em entrevista ao Jornal de Notícias, publicada hoje. Na mesma entrevista - cuja segunda parte será publicada amanhã -, o primeiro-ministro escusa-se a dizer de que forma responderá perante a comissão de inquérito, caso seja convocado.

Mantendo que "o Governo nunca foi informado, que nunca deu orientações, fosse a quem fosse, para proceder empresarialmente de um modo ou de outro", José Sócrates classifica a criação de uma comissão de inquérito à alegada actuação do Governo na tentativa de compra da TVI pela Portugal Telecom (PT) como "um acto de profunda hipocrisia política".

"Não pretendem apurar nada, mas manter uma suspeição e instrumentalizar a AR [Assembleia da República] no ataque pessoal e político contra mim. (…) Não andam à procura de esclarecimentos, o que querem é um palco para me atacarem", acusa.

Assumindo referir-se "em particular, ao PSD", José Sócrates considera que "alguns políticos passaram o limite da consideração e respeito que em democracia é devido aos adversários". E realça a "actuação muito insólita" de uma comissão de inquérito "feita com base numa coligação entre o BE e o PSD".

O primeiro-ministro não esclarece, na entrevista, o que fará se for convocado pela comissão de inquérito, recusando-se a "antecipar cenários".

"Eu respondo perante a grande comissão, que é o Parlamento na sua plenitude. Vou lá de 15 em 15 dias e não deixarei de responder a todas as perguntas e de criticar o comportamento de alguns", limita-se a dizer.

Além disso, acrescenta, o presidente da PT, Henrique Granadeiro, o presidente da comissão executiva da PT, Zeinal Bava, e o ex-administrador da PT Rui Pedro Soares esclareceram o que havia a esclarecer na comissão de ética: que "nunca" informaram o Governo sobre a intenção de comprar a Media Capital.

"Ninguém melhor do que os próprios administradores sabe como as coisas se passaram. Não percebo a quem os deputados querem fazer mais perguntas", vinca, reafirmando que "o Governo nunca foi informado e nunca deu orientações a ninguém para uma acção empresarial no domínio da comunicação social".

"A tese delirante do controlo da comunicação social pressupõe que o Governo deu orientações a alguém para agir de determinada forma. Ora isso não é verdade", garante.

Na entrevista, José Sócrates reafirma ainda "a ideia de uma cooperação institucional" com o Presidente da República.

Reconhecendo que pensa "de forma diferente" de Cavaco Silva nalgumas matérias - estatuto dos Açores, lei da paridade, lei do divórcio, interrupção voluntária da gravidez, enumera -, sublinha que o primeiro-ministro e o Presidente da República têm "perfeita consciência dos deveres de cada um" e "respeito pelas suas esferas de competências".

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