Economia "Papéis do Panamá" revela aumento da atividade relacionada com droga

"Papéis do Panamá" revela aumento da atividade relacionada com droga

A divulgação dos chamados "Papéis do Panamá" demonstra o aumento das actividades relacionadas com o narcotráfico na América Central e a existência de redes de branqueamento de capitais, segundo um relatório da ONU divulgado esta quinta-feira em Viena.
"Papéis do Panamá" revela aumento da atividade relacionada com droga
Lusa 02 de março de 2017 às 23:56

"A magnitude do aumento das actividades criminosas relacionadas com o tráfico de drogas nos países da América Central confirmou-se com a divulgação dos chamados 'Papéis do Panamá'", disse o Órgão Internacional de Controlo de Estupefacientes (INCB, sigla em inglês), no seu relatório sobre o mercado da droga em 2016.

 

O relatório refere que os documentos filtrados, provenientes da empresa de advogado Mossack Fonseca, levaram à descoberta em maio de uma "rede criminosa internacional dedicada a branquear o produto do narcotráfico".

 

O documento do INCB indica que as operações policiais "trouxeram à luz as redes internacionais existentes na América Central e no Caribe e os métodos que se utilizavam para o branqueamento do dinheiro provenientes de actividades criminosas, em particular o narcotráfico".

 

O organismo independente dentro da ONU sublinha que a agência antidroga dos Estados Unidos (DEA) detectou uma rede que adoptou um sistema de branqueamento baseado no contrabando de grandes quantidades de dinheiro e emissão de facturas falsas.

 

Também em relação à lavagem de dinheiro, o INCB refere o grande impacto que o narcotráfico tem no meio ambiente dos países da América Central e Caribe.

 

No relatório, o órgão denuncia a compra de superfícies florestais em zonas remotas que são transformadas em terras de cultivo, o "que permite aos grupos criminosos controlar o território nas regiões fronteiriças e realizar uma atividade que facilita o branqueamento de capitais".

 

O INCB destaca que a "desflorestação se intensificou nas zonas afectadas pelo tráfico de droga", não só para a construção de estradas e pistas de aterragem clandestinas, mas também através do pagamento de subornos para que os habitantes locais abandonem as suas terras.

 

Em relação à violência, o relatório indica que apesar do número de homicídios continuar a ser elevado em 2016, os números reduziram nos últimos anos, mas não em todos os países.

 

Nas Honduras, por exemplo, a taxa de homicídios caiu entre 2014 e 2015 de 68 para 75 mortos por cada 100.000 habitantes. Em El Salvador, pelo contrário, o número de homicídios aumentou 164% entre 2013 e 2015.

 

A região, segundo o relatório, continua a ser uma das principais rotas do tráfico de drogas dos países produtores, especialmente da Colômbia para os Estados Unidos, Canadá e Europa.

 

Em 2014, 87% da cocaína que entrou nos Estados Unidos foi através da América Central e do México e 13% através de Caribe, sobretudo Porto Rico e República Dominicana. 




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