Seguros de saúde ficaram mais caros nos últimos dois anos
Ofertas base de quase todas as seguradoras com maior expressão no mercado sofreram um aumento no valor do prémio mensal. No caso mais extremo o preço mais que duplicou.
Subscrever um seguro de saúde está mais caro do que há dois anos. O Negócios pediu às seguradoras que enviassem as suas propostas base para várias simulações, no sistema de assistência em rede. E comparou com os dados fornecidos em Maio de 2010. Quase todas as companhias cobram agora mais, com os aumentos a variarem entre os 9% e os 140%. Só no caso da Médis o prémio desceu.
Foram pedidas as ofertas mais baratas a sete das seguradoras com maior expressão no mercado nacional. Seis responderam. Em regra, o valor exigido nas ofertas base é maior do que no exercício realizado em Maio de 2010, para as mesmas condições.
No caso de um agregado familiar composto por dois adultos de 36 e 38 anos, e duas crianças de dois e quatro anos, o valor dos prémios pagos mensalmente aumentou em média 34% nas companhias que apresentaram propostas mais caras.
Já nas simulações para segurados individuais, com 36 e 45 anos, o valor exigido é agora 50,5% e 34,8% superior, respectivamente. De notar que em alguns casos foram acrescentadas coberturas.
A Médis é a única que escapa a esta tendência de aumento, registando mesmo uma descida no valor dos prémios cobrados em qualquer uma das três simulações solicitadas. Neste caso, os valores pagos pelos segurados diminuíram entre 65% e 69%, desde Maio de 2010.
Com os novos preços, uma família de dois adultos e duas crianças, que queira subscrever um seguro de saúde em rede vai pagar, em média, 46,09 euros por mês. A proposta mais barata é de 33,43 euros.
Já um segurado de 36 anos terá de gastar, em média, 16,87 euros, por mês. A oferta começa nos 11 euros. A última simulação, relativa a um adulto de 45 anos, apresenta um prémio médio de 18,69 euros mensais. O prémio exigido no produto mais em conta é também de 11 euros.
Mais de dois milhões de portugueses já dispõe de seguro
Os últimos anos têm sido marcados por uma forte expansão no que se refere à oferta de seguros de saúde no mercado nacional. Uma realidade que coincide com as dificuldades em aceder em tempo útil aos cuidados do Serviço Nacional de Saúde. E que explica o crescimento do número médio de pessoas seguras.
Os dados mais recentes disponibilizados pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS) referem-se ao final de 2010 e demonstram que, face ao ano anterior, o número de pessoas seguras aumentou de 8,5% para 2,15 milhões. Esta tendência foi verificada em todas as coberturas, com o pagamento de um subsídio diário a registar o maior crescimento, entre 2009 e 2010: 18,3%. Já as coberturas de internamento hospitalar e ambulatório, que são as mais habituais, assistiram a avanços na ordem dos 10%.
Os mesmos dados revelam, ainda, que o prémio médio por pessoa segura diminuiu 1,3%, entre 2009 e 2010, para os 248,34 euros. Contudo, estes números são anteriores ao período de acentuada austeridade e quebra de rendimentos por parte dos portugueses. Uma conjuntura que, em 2011, poderá ter tido impacto na evolução do número de segurados e de prémios pagos.
"Ainda que possa vir a existir alguma ‘desaceleração’ da venda dos seguros de saúde, face à actual crise, julgamos que com a aposta das seguradoras em soluções de seguros com ofertas mais específicas, mas igualmente necessárias, que se traduzem em prémios mais acessíveis, este mercado terá espaço para continuar a crescer", explicou ao Negócios fonte da Allianz Portugal. A mesma fonte acredita que o prémio médio "terá tendência para baixar, pela diversificação das ofertas e não por existir uma baixa generalizada dos preços".