Rússia e Ucrânia assinalam 40.º aniversário da tragédia nuclear de Chernobil
Centenas de pessoas assinalaram este domingo em Moscovo o 40.º aniversário do desastre de Chernobil e homenagearam a memória dos heróis que intervieram para conter a tragédia, nas palavras do chefe da agência nuclear russa Rosatom.
“Este acidente obrigou-nos a efetuar uma revisão completa dos nossos conceitos de segurança”, afirmou Alexei Likhachev, em declarações recolhidas pela agência alemã DPA e reproduzidas pela espanhola Europa Press (EP).
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Likhachev declarou que, “hoje em dia, a possibilidade de ocorrer um cenário como o de Chernobil nos reatores nucleares russos foi descartada”.
Prestou tributo ao “trabalho heroico” dos mais de 600 mil técnicos, militares, bombeiros e médicos que trabalharam para conter a explosão, ocorrida em 26 de abril de 1986, do reator número 4 da central soviética construída na Ucrânia.
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Em Kiev e noutras cidades ucranianas foram planeadas cerimónias que incluíram minutos de silêncio, exposições, concertos, projeções de filmes e ofertas florais para honrar as vítimas do desastre de 1986.
O acidente, considerado a pior catástrofe nuclear civil de sempre, ocorreu quando a Ucrânia integrava a União Soviética, de que se tornou independente em 1991, pouco antes do colapso do bloco político liderado pela Rússia.
Ao assinalar o aniversário da tragédia, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou hoje a Rússia de “terrorismo nuclear” por continuar a guerra que iniciou com a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022.
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Uma das cinco centrais nucleares da Ucrânia, a de Zaporijia (sul), a maior da Europa, está ocupada por tropas russas desde o início da guerra.
Zelensky denunciou que drones russos sobrevoam regularmente a central desativada de Chernobil e que um deles embateu na cúpula de proteção do reator em fevereiro de 2025.
A Rússia está “mais uma vez a levar o mundo ao limite de uma catástrofe provocada pelo homem”, acrescentou na mensagem alusiva ao aniversário de Chernobil, citado pela agência francesa AFP.
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O número de vítimas de Chernobil permanece desconhecido, com uma contagem oficial de 31 mortos divulgada na altura, mas as estimativas variam entre quatro mil e centenas de milhares, devido a doenças contraídas por exposição à radicação.
Os Estados Unidos também assinalaram o aniversário do desastre de Chernobil, com o Departamento de Estado a considerar que “mudou para sempre a forma como o mundo pensa a segurança nuclear”.
A catástrofe obrigou os Estados Unidos e parceiros a criar “padrões internacionais mais rigorosos e melhores protocolos de segurança para proteger as comunidades a nível global”, considerou a diplomacia norte-americana num comunicado.
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“A energia nuclear deve permanecer em mãos responsáveis e comprometidas com a transparência. Os Estados Unidos estão a liderar o caminho para garantir que a energia nuclear permaneça segura, protegida e fiável para o futuro”, acrescentou.
O Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), que junta instituições ambientalistas de Portugal e Espanha, aproveitou o aniversário de Chernobil para reafirmar que a energia nuclear não é solução para a crise energética.
O MIA referiu que a nuvem nuclear libertada há 40 anos “percorreu quase toda a Europa, incluindo a Espanha, e chegou até ao Japão”, e que a contaminação radioativa continua a afetar ecossistemas, cadeias alimentares e comunidades humanas.
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“Chernobil continua a lembrar-nos que não há energia nuclear segura. Há apenas riscos que, mais cedo ou mais tarde, se tornam realidade”, afirmou o movimento.
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