Guerra na Ucrânia vai continuar até objetivos serem alcançados, avisa Kremlin

Seja pela via diplomática ou militar, a Rússia recusa-se a acabar o conflito na Ucrânia sem alcançar os seus objetivos. Negociações trilaterais, com mediação dos EUA, devem continuar nos próximas dias.
O Kremlin está determinado em alcançar os seus objetivos com a invasão da Ucrânia.
Mikhail Metzel / Sputnik / Kremlin Pool / Lusa - EPA
Ricardo Jesus Silva 11:51

No dia em que a invasão russa da Ucrânia completa quatro anos, Moscovo não deixa margem para dúvidas: o conflito no país europeu vai continuar até os objetivos da operação serem alcançados - seja por via militar ou diplomática. A garantia vem de Dmitry Peskov, o porta-voz do Kremlin, que avisa que a Rússia está envolvida num amplo confronto com o Oeste, acusando o bloco europeu e os EUA de quererem "destruir" o país. 

"Os últimos quatro anos foram extremamente significativos na vida da Rússia e permanecerão para sempre na memória das pessoas", explica Peskov, acrescentando que o período levou ao a um "consolidação notável" da sociedade russa. "Os objetivos [da invasão da Ucrânia] ainda não foram totalmente alcançados e é por isso que a operação militar continua", afiança, num dia em que o 

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Dirigindo-se aos eurodeputados, o líder da Ucrânia apelou aos Estados-membros para aprovarem o novo empréstimo de 90 mil milhões de euros ao seu país, além de ter apelado para que seja definida uma "data clara" para a adesão ao bloco europeu. Zelensky frisou ainda que o líder russo, Vladimir Putin, "é ele próprio a guerra", acusando qualquer pessoa que apoie o seu homólogo de estar "a escolher a guerra". 

Já Peskov discorda e garante que a Rússia está determinada com a paz. "A nossa posição é muito clara e consistente, agora tudo depende das ações do regime de Kiev", afirma, acrescentando que "muitos" objetivos da ofensiva sobre a Ucrânia já foram atingidos mas tantos outros ainda estão por alcançar. Tentando virar a narrativa a favor de Moscovo, o porta-voz do Kremlin ecoou ainda um relatório - infundado - dos serviços de inteligência que acusa o Reino Unido e França de se prepararem para armar Kiev com uma bomba nuclear. 

"É uma violação flagrante do direito internacional", acusou, referindo que a Rússia já pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e à Agência Internacional de Energia Atómica para abrirem uma investigação sobre este assunto. 

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Apesar de a retórica antagonizante entre as duas partes, as negociações para alcançar a paz na Ucrânia devem prosseguir nos próximos dias. Na abertura da reunião da "Coligação dos Voluntários" (Coalition of the Willing, em inglês) esta quarta-feira, Zelensky revelou que as conversações entre Moscovo e Kiev, com mediação de Washington, vão continuar "durante esta semana ou em dez dias". 

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