"Temos de tomar decisões". Costa quer medidas para contornar subida nos custos da energia

De acordo com o antigo primeiro-ministro português, ainda antes da atual crise energética provocada pela situação no Médio Oriente, o Conselho Europeu já tinha "identificado que é preciso reduzir o custo da energia" na UE. O presidente do Conselho Europeu diz ainda que será inevitável falar com a Rússia.
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Foto: Markus Lenhardt / Lusa - EPA António Costa, presidente do Conselho Europeu Foto: Markus Lenhardt / Lusa - EPA António Costa, presidente do Conselho Europeu Foto: Markus Lenhardt / Lusa - EPA António Costa, presidente do Conselho Europeu
Negócios com Lusa 07:21

O presidente do Conselho Europeu confia que os líderes da União Europeia (UE), reunidos no final da semana, vão aprovar medidas de apoio face aos elevados preços da energia, considerando que esta crise surge num "momento dramático e desafiante".

"Esta crise representa um momento dramático e desafiante para a ordem internacional baseada em regras e, evidentemente, tem um enorme impacto nos custos da energia. Por isso, apelamos à Comissão Europeia para que apresente um conjunto de medidas temporárias e específicas destinadas a fazer face a este aumento dos custos da energia", afirmou António Costa.

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Em entrevista à Lusa e a outras agências noticiosas no âmbito do projeto Redação Europeia (European Newsroom) nas vésperas de uma cimeira europeia marcada para quinta e sexta-feira sobre competitividade económica, incluindo na energia, o presidente do Conselho Europeu vincou: "Sem dúvida, temos de tomar decisões. É por isso que precisamos de nos reunir [pois] é na reunião que vamos tomar decisões".

O encontro europeu de alto nível surge cerca de três semanas após o início da ofensiva militar levada a cabo por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irão e consequente resposta iraniana.

"Esta situação recorda-nos que estamos no caminho certo ao investir na transição energética porque não podemos depender da energia importada e precisamos de desenvolver energia produzida internamente, seja a partir de fontes renováveis ou nucleares, mas precisamos de ser independentes e reforçar a nossa autonomia estratégica", acrescentou.

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De acordo com o antigo primeiro-ministro português, ainda antes da atual crise energética provocada pela situação no Médio Oriente, o Conselho Europeu já tinha "identificado que é preciso reduzir o custo da energia" na UE.

"A melhor forma de o fazer é investir cada vez mais em energia produzida internamente. Quando se olha para o mapa dos custos da energia na Europa, fica claro que as regiões com preços mais baixos são aquelas onde a energia produzida internamente é mais intensa, a Península Ibérica e os países nórdicos", exemplificou.

Além disso, a longo prazo, será necessário "analisar as diferentes componentes dos custos energéticos e tentar resolver esta questão", concluiu António Costa. As declarações do líder europeu surgem numa altura em que os preços da energia (gás e luz) sobem acentuadamente no espaço comunitário.

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Entre as opções em discussão na UE estão a possibilidade de limitar temporariamente o preço do gás, reduzir impostos e encargos nas faturas de energia e permitir apoios estatais a empresas e setores industriais mais afetados pelos custos elevados da energia.

O presidente do Conselho Europeu defende que, "no futuro", a União Europeia (UE) terá de "dialogar com a Rússia" para a paz na Ucrânia, mas vinca que isso não acontecerá já e não será relacionado com o fornecimento energético.

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"As nossas relações com a Rússia não constam da agenda, mas de qualquer forma acredito que, no futuro, teremos de dialogar com a Rússia. Não sobre energia, mas sobre a segurança europeia e a paz na Ucrânia", afirmou António Costa.

Estas declarações de António Costa surgem depois de, em entrevistas publicadas no passado fim de semana, o primeiro-ministro belga, Bart De Wever, ter defendido que as relações da UE com a Rússia podem ter de ser normalizadas e que o abastecimento de energia a preços mais baixos poderia ser restabelecido se tal diálogo melhorar.

"Neste momento, devemos evitar perturbar estes esforços liderados pelo Presidente [norte-americano, Donald] Trump para alcançar uma paz justa e duradoura na Ucrânia, mas é preciso estar preparado porque um dia o Presidente Trump poderá decidir não prosseguir com os seus esforços, ou um dia, infelizmente, poderá fracassar nos seus esforços", afirmou Costa.

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Nesse cenário, na opinião do líder do Conselho Europeu, a UE "terá de se preparar para continuar os esforços para tentar alcançar uma paz justa e duradoura na Ucrânia".

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