Finanças Públicas Factura com endividamento em mínimos. Nova dívida custa 1,9%

Factura com endividamento em mínimos. Nova dívida custa 1,9%

Os encargos com a nova dívida continuam a baixar. Até Agosto, a dívida emitida custou, em média, 1,9%, o que representa um mínimo desde, pelo menos, 2010.
Tiago Varzim 25 de setembro de 2018 às 13:37
Portugal continuou a reduzir a factura do serviço da dívida até Agosto. A dívida pública emitida pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) este ano custa, em média, 1,9% aos cofres do Estado. Esta taxa de juro é a mais baixa desde, pelo menos, 2010.

O saldo da dívida directa do Estado fixou-se nos 245,8 mil milhões de euros em Agosto, segundo o boletim mensal publicado pelo IGCP esta terça-feira, 25 de Setembro, o que representa uma subida de 0,5% face ao mês anterior. Este aumento justifica-se pela realização de dois leilões de Bilhetes do Tesouro (BT) que somaram mil milhões de euros à dívida.

A dívida subiu, mas o custo da dívida emitida baixou. Incluído na nova dívida estão os Bilhetes do Tesouro, mas também as Obrigações do Tesouro (OT) e as Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV). A redução do custo acontece não só porque os investidores pedem um juro menor para financiar o Estado português mas também porque os particulares têm aderido às obrigações para o retalho mesmo com uma recompensa menor.

Este ano, até Agosto, o custo médio da dívida emitida foi de 1,9%. Esta taxa é a mais baixa, pelo menos, dos últimos oito anos. E é quase metade do custo (3,6%) da dívida emitida em 2014, ano em que Portugal fez a "saída limpa" do programa de assistência económica e financeira.



Esta redução da factura deverá contribuir para a queda do custo total do stock da dívida. O objectivo do IGCP para 2018 é baixar esse custo de 3% em 2017 para 2,8%.

A diminuição do custo do endividamento em Portugal prende-se com a política monetária do Banco Central Europeu (BCE), nomeadamente do programa de compra de dívida pública (PSPP) cujos montantes vão diminuir até ao final deste ano, terminando em Janeiro. Após esse período, o BCE mantém-se no mercado para reinvestir os montantes que atingirem a maturidade.

Além disso, desde Setembro do ano passado que as agências de rating têm melhorado a notação financeira da República. A primeira foi a Standard and Poor's, seguida da Fitch, que se juntaram à DBRS, a agência que manteve a dívida portuguesa no nível de investimento. Das três grandes, falta a Moody's retirar Portugal do "lixo".

Acresce que para a queda do custo total da dívida têm sido determinantes os reembolsos antecipados ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Os empréstimos do FMI são mais caros do que a restante dívida e, por isso, a sua substituição por dívida nova gera poupanças relevantes. Segundo o boletim mensal, Portugal tem ainda de pagar 4,6 mil milhões de euros ao Fundo de um total de 26,3 mil milhões de euros que pediu emprestado.



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