PT2030: Após escapar à "guilhotina", Governo espera "caminho tão ou mais longo" este ano
O Governo prevê que, depois de ter passado na "regra da guilhotina" em 2025, o país terá este ano um caminho "tão ou mais longo" para garantir os níveis de execução do Portugal 2030 definidos para este ano. Em causa está a necessidade de assegurar novamente o cumprimento da "regra da guilhotina", que prevê o corte no financiamento dos programas do PT2030 que não cumpram um patamar mínimo de execução anual.
"Cumprir com a regra do N+3 em 2026 significa que temos pela frente um caminho tão ou mais longo do que tivemos em 2025. Em 2026, temos mais 3 mil milhões de execução pela frente e já não temos o efeito da reprogramação. Até porque a reprogramação tem um efeito perverso em que se já contou, agora é preciso obra para encher", afirmou o secretário de Estado do Planeamento, Hélder Reis, numa audição no Parlamento a pedido do PS e PSD.
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A chamada "regra da guilhotina" ou "N+3" obriga a que todos os Estados-membros cumpram uma execução, em cada programa operacional enquadrado no atual quadro comunitário de apoio (2021-2027), que divida a sua dotação total por sete (o número de anos de programação dos quadros comunitários). Essa regra começou a aplicar-se em 2025 e vai aplicar-se nos próximos anos, pressionando os Governos a acelerarem a execução dos programas.
Hélder Reis sublinhou que, em 2025, a regra da "guilhotina" foi cumprida graças à reprogramação do PT2030. "Não tendo feito a reprogramação – que permitiu a elegibilidade de um conjunto de áreas que possibilitou considerar como concretizada execução que ainda não está executada, no caso da habitação, resiliência hídrica, STEP [que financia projetos destinados a apoiar a competitividade europeia] e RESTORE [que mobilizada apoios para responder a catástrofes naturais] –, o país perdia mais de 750 milhões de euros", advertiu.
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Com a reprogramação do PT2030, Portugal ficou 830 milhões de euros acima da execução conjunta que os programas do atual quadro comunitário tinham de assegurar, adiantou o secretário de Estado, embora o que conta para Bruxelas seja o que cada programa, em termos individuais, consegue. Isso significa que a reprogramação do PT2030 acabou por ir mais longe do que era necessário. Hélder Reis avançou ainda que o Algarve 2030 foi o programa que atingiu a meta "mais tarde".
Na reprogramação do PT2030 proposta pelo Governo português e aprovada a 24 de dezembro pela Comissão Europeia, cerca de 2,5 mil milhões de euros do PT2030 foram redirecionados para as cinco novas prioridades definidas pela Comissão Europeia, nomeadamente a defesa, habitação, competitividade, transição energética e resiliência hídrica. O valor reprogramado corresponde a cerca de 10% da dotação global do PT2030 (no valor global de 23 mil milhões de euros).
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Dos 12 programas do PT2030, 10 sofreram alterações, sem que tenham sido alteradas as dotações iniciais de cada um deles – só o Mar 2030 e o programa de assistência técnica (PAT) é que não sofreram alterações.
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